A cidade e a escultura

As esculturas estão presentes em todas as paisagens urbanas da história cumprindo um papel fundamental no sentido de explicitar a cultura e tecnologia de sua sociedade, bem como sua organização social e formas de Poder. Sua condição espacial, construtiva e constitutiva a coloca na condição de objeto urbano – e, por ser Arte, não funcional – desde os Totens no centro das aldeias.

As cidades atuais não são exceções, com a diferença que quanto mais adiantadas no tempo, vão se sobrepondo mais camadas históricas fazendo de seus monumentos a própria história dela cidade. Além da situação contemporânea da escultura em sua disciplinaridade artística nos museus e galerias, as esculturas públicas tornaram-se um capítulo à parte na história da arte recente. E, também, na historia da cidade.

Um dos fenômenos mais marcantes da passagem para o século XXI são as transformações urbanas. É significativo o papel da arte pública no sentido de organizar novos significados e explicitar a identidade e história da cidade perante a nova ordem mundial.

Conhecemos uma ínfima parte das esculturas espalhadas pelas cidades do mundo, vendo-as em fotografias, revistas, jornais, cinema, livros e mesmo no mundo real. Há aquelas que são os ícones das grandes cidades, Estátua da Liberdade em Nova Iorque ou o Cristo Redentor no Rio de Janeiro. Mas toda cidade tem seu equivalente em escala local. E, mais, na era das metrópoles as escultura vão demarcando lugares espalhados pela mancha urbana, elementos referenciais na escala do bairro, da praça.

O Brasil tem certa fama de não cuidar de seus espaços públicos, o que poderia sugerir poucas obras artísticas em nossas cidades. Entretanto, podemos lembrar de obras públicas marcantes em cidades brasileiras.  Marcantes tanto pela qualidade artística como pela capacidade de organizar a paisagem do entorno, ser de fato uma referência.

Aqui em São Paulo, onde estamos (MuBE), seriam centenas de exemplos que lembraríamos de imediato; Monumento às Bandeiras, Borba Gato, Carlos Gomes, várias na Pça da Sé. Isso não é uma exclusividade de São Paulo, talvez, proporcionalmente ao tamanho, outras cidades no Brasil concentram quantidades mais significativas de escultura em seus espaços públicos.

É evidente que conhecer esse acervo seria conhecer mais e melhor a história da cidade brasileira e, mais interessante, conhecer suas potencialidades culturais e urbanas, seus símbolos na atualidade. A História contemporânea da cidade e da arte considera esses objetos fundamentais para a compreensão da imagem que a própria sociedade faz do espaço onde habita.

A tecnologia hoje, possibilita reunir informações multidisciplinares – textos, fotografias, vídeos, áudio em grande quantidade e que podem ser acessadas de forma muito democrática, por qualquer pessoa no mundo. Ter o acervo escultórico público nas cidades brasileiras disponível na rede é um trabalho árduo, mas que deve ser iniciado. Os pesquisadores, estudantes, artistas, professores, turistas, curiosos… todos agradecem muito.

Jorge Bassani, Professor – Doutor da FAU/USP