Updates from January, 2013 Toggle Comment Threads | Keyboard Shortcuts

  • MuBE Virtual 11:12 on 24/01/2013 Permalink | Reply  

    Kalinowski traz escultura viva ao MuBE 

    O MuBE abre 2013 com a obra The Cloudy Thoughts, do artista polonês Adam Kalinowski. A obra apresenta um projeto construído em madeira em forma de casa, montado em camadas que serão cobertas por plantas. A escultura fica na área externa do Museu Brasileiro da Escultura de 17 de janeiro a 30 de março. Esta casa orgânica cria vida própria ao longo do período expositivo, onde a vegetação cresce e toma formas únicas por meio, unicamente, da natureza. Construída com madeira de baixo impacto ambiental, o projeto busca ir de encontro com os projetos carregados de concreto da cidade de São Paulo.

    Esta obra integra uma série criada por Adam Kalinowski batizada de Jungle House. Com a intervenção do street artist paulistano, Gu, este é um trabalho inédito do artista polonês que escolheu o Brasil para realizar esta obra que trata sobre as questões de integração entre natureza e cultura. Além do aspecto artístico em si, o Jungle House busca levantar a questão de que a arquitetura também pode se abrir para a integração com a natureza, em sintonia com conceito de sustentabilidade ambiental.

    (Divulgação MuBE)

     
  • MuBE Virtual 15:04 on 07/12/2012 Permalink | Reply  

    Doris Salcedo tem obras expostas na Pinacoteca 

    Uma artista política, sem medo de retratar a violência em suas obras, a colombiana Doris Salcedo inaugura em 8 de dezembro uma exposição que deve ficar até 3 de fevereiro de 2013 na Pinacoteca de São Paulo.

    Nela, destaca-se a instalação Plegaria Muda (Prece Muda), uma referência à morte replicada em 120 peças de uma composição, na qual mesas sobrepostas umas às outras têm entre o meio um pouco de terra, onde crescem plantas, representando a fragilidade da vida.

    Doris, que nasceu e vive em Bogotá, prefere ser vista como uma “artista de uma zona periférica”, porque referencia as vítimas da sociedade – não só de seu país, mas de qualquer cidade contemporânea “subdesenvolvida”. Fala de tantos colombianos que morreram em guerrilhas, mas também daqueles que ainda morrem por injustiças sociais, anonimamente e de forma brutal.

    Aos 54 anos, já tendo se tornada uma das mais consagradas artistas latino-americanas no mundo, ela possui trabalhos exibidos em museus renomados, como o MoMA e a Tate Galery em Londres. Contudo, diz não se interessar pelo supervalorizado mercado artístico mundial.

    “Penso que a arte, em geral, nomeia elementos ou objetos que são importantes para uma determinada sociedade em um determinado momento histórico. Uma vez que a arte os assinala,
    os representa, a sociedade os absorve. Sendo uma escultora, que trabalha com objetos, vivendo
    numa sociedade como a colombiana, país das mortes ocultas, penso que o mais importante para definir nossa sociedade era a fossa comum. É um elemento que nos obriga a olhar onde não queremos olhar”, afirma a artista, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Divulgação)

     
  • MuBE Virtual 11:08 on 11/10/2012 Permalink | Reply  

    Iniciativa de monitor de Itápolis leva o MuBE Virtual ao Prêmio Acessa SP 

    O Prêmio Acessa SP é um dos dispositivos da Rede de Projeto para estimular o desenvolvimento de projetos inovadores nos postos. O evento de entrega da premiação foi realizado no dia 26/09, no Memorial da América Latina. “Queremos jogar luz nas iniciativas que podem ser inspiradoras para outros postos, estimulando assim a criação de novos projetos”, conta Robson Leandro da Silva, coordenador do projeto Acessa SP na Escola do Futuro.

    Um dos finalistas do Prêmio foi Thiago Henrique Previateri, monitor de informática na Prefeitura Municipal de Itápolis, no interior de SP, que propôs um projeto em parceria com o MuBE Virtual. A iniciativa durante uma das capacitações presenciais oferecidas aos monitores do programa Acessa SP, em que a equipe do MuBE Virtual realizou uma apresentação do site aos presentes. Previateri se interessou pelo banco de dados e resolver participar promovendo o cadastro das esculturas de seu município, por meio de passeios com os alunos de uma escola local para fotografar as obras. “A maior dificuldade esta sendo o alinhamento da rotina do Posto Acessa SP com a da escola CEC – Fundecitrus (cujas crianças participarão da atividade)”, conta o monitor.

    Para Silva, a proposta que Previateri apresentou foi inovadora, por estimular a colaboração por meio uma plataforma online que também tem como resultado o engajamento da comunidade no interesse pelas artes, um tema muitas vezes relegado. “Não tenho dúvidas que esse projeto ainda vai dar muita repercussão”, afirma.

    Previateri acredita que o projeto foi um dos finalistas do Prêmio por seu objetivo de juntar a inclusão digital com a história do município, através das esculturas e monumentos locais. “O projeto não é difícil de ser aplicado, pois a ferramenta mais importante já esta pronta, que é o portal do MuBE Virtual”, acrescenta. Segundo ele, essa é uma proposta ampla, que pode ser desenvolvida em outras cidades e também com outros tipos de públicos.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagens: Divulgação Acessa SP)

     
  • MuBE Virtual 15:18 on 25/09/2012 Permalink | Reply  

    MuBE Virtual na final do Prêmio Acessa SP 

    Em uma parceria com o monitor do Acessa SP de Itápolis, Thiago Previateri, o MuBE Virtual comemora mais uma realização: está na final do Prêmio Acessa SP!

    O projeto idealizado por Thiago, Itápolis no MuBE Virtual, tinha como objetivo incluir no banco de dados alguns monumentos e esculturas da cidade, com fotos tiradas por alunos da Escola CEC Fundecitrus (localizada nas proximidades do posto do Acessa).

    Há cerca de um ano o monitor vem tentando realizar esse projeto, que tem o objetivo de promover passeios para ensinar às crianças sobre a importância do patrimônio histórico e registrar as obras de arte locais. Depois de muitas negociações com a Escola, ele finalmente está prestes a ser colocado em prática!

    Agora, Itápolis no MuBE Virtual chega à fase final do III Prêmio Acessa SP, que será entregue no dia 26/09 pelo Secretário de Gestão Pública do Estado de São Paulo, Davi Zaia, em cerimônia no Memorial da América Latina.

    Parabéns a todos os envolvidos nesse trabalho tão importante!

     

     
  • MuBE Virtual 11:17 on 24/09/2012 Permalink | Reply  

    Inhotim une arte e meio ambiente 

    Em Brumadinho, Minas Gerais, o sonho do empresário Bernardo Paz de criar um parque ecológico com um museu a céu aberto se tornou realidade.

    O complexo de arte do Instituto Inhotim, aberto ao público, funciona de terça a domingo com programações diversificadas.

    Esculturas interativas de Hélio Oiticica, galerias com obras de Adriana Varejão, Lygia Pape e Tunga, paisagismo de Roberto Burle Marx, tudo foi criado para permitir aos visitantes a descoberta de uma imensidão cultural.

    No entanto, o acervo não se resume a belezas artísticas, mas também naturais. São inúmeras espécies raras de plantas, muitas delas nativas da Mata Atlântica. O local possui também orquidário e 1400 variedades de palmeiras – a maior coleção do mundo.

    Arte e meio ambiente andam de mãos dadas nesse verdadeiro santuário do deslumbramento, que vale a pena ser desbravado por todos os amantes da escultura brasileira.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Bruna Tiussu/AE) (Mais informações: Instituto Inhotim)

     
  • MuBE Virtual 14:11 on 17/08/2012 Permalink | Reply  

    Exposição “Carne Corpo Cidade” de Erickson Britto 

     

    Carne-corpo-cidade é uma manifestação de formas e sentidos, onde o artista mergulha em seu cálculo intelectual, estrutural, retilíneo, austero, sereno. Contudo, arte e intuição criadora, um equilíbrio entre o racional e o emocional, o orgânico, o biomórfico. Entre curvas e planos iremos encontrar no trabalho de Erickson a exaltação à forma, sempre bela em si mesma por sua natureza, de expressão lírica e espontânea. Simples representação dos lugares e dos “não lugares”.  Arte forjada na rigidez fria do aço, laminado, soldado, blindado, polido contra a corrosão que a vida ordinária elaborou. Com marcas, sem manchas. Forma que dá forma aos sentidos, sentidos criados da imagem invisível interior e espelhada da alma, da carne, do corpo, da cidade. Formas que brotam da autenticidade e do rigor simples, delicado e poderoso em suas sabias abstrações, sem particularidades, mas com a pontualidade estética que dinamiza o olhar artístico com que Erickson busca em suas sensações – a metáfora do corpo-cidade ampliado, poético e caótico. Mergulhando nesse diálogo, Erickson diz: “Quando criança, ao observar a cidade, a partir de uma vista aérea, ao subir no edifício mais alto de João Pessoa, tive uma sensação que me marcou: o traçado da cidade, ruas, casas, praças, edifícios, galpões, ginásios cobertos, placas sinalizadoras e fábricas formavam desenhos em blocos compactos com seus telhados de diversas águas… Eu sempre tenho a sensação, no momento da criação, que todo projeto executado  é sempre um protótipo de algo maior, para um espaço mais democrático, para o público que circula nas cidades”.Começa aí a experiência, o destino da sua obra ativa, volumétrica, pronta, à procura sempre de espaços que abrigue o sonho possível da sua arte.

    (Texto: Ricardo Biriba- Curador)

     
  • MuBE Virtual 14:35 on 14/08/2012 Permalink | Reply  

    A madeira vira arte nas mãos de José Luiz Giacomelli 

    O MuBE Virtual tem como objetivo promover o reconhecimento da produção escultórica nacional, por isso é com grande prazer que realizamos uma entrevista com o artista José Luiz Giacomelli Júnior. O escultor, que utiliza a madeira em grande parte de suas obras, conta um pouco sobre sua inspiração e seus trabalhos realizados.

    José Luiz Giacomelli Junior – Presépio

     

    Em seu site, você reflete um pouco sobre a influência de sua infância na criação artística. Fale um pouco mais sobre como o encantamento e o imaginário criados na infância foram importantes para sua descoberta como artista.

    Sou filho único e neto mais velho da família, há uma diferença de 14 anos para o 2° neto. Toda minha infância foi passada no sítio de meus avós, mas não tinha amigos ou primos para dividir ou brincar durante o dia. Assim, era natural ter toda a atenção dos meus avós me proporcionando distração durante o dia todo.

    Tenho lembranças de deitar no terreiro de café e ficar achando formas de animais em nuvens. O sítio até hoje não possui energia elétrica, usamos lamparinas de pavio que criam sombras nas paredes. Havia também toda a religiosidade de minha avó e a superstição de meus avós.

    Todas essas histórias, o relevo montanhoso e suas pedras nos morros, com o colorido da natureza cercado pelo silêncio da região, tiveram e têm uma grande influência em meus trabalhos. Prova disso foi a construção da igreja, em cuja dedicatória consta uma homenagem aos meus avós e, em seus vitrais – que eu pintei com tinta guache e impermeabilizei com verniz – está toda a história vivida pela família. Assim como os santos, feitos de galhos e troncos de árvores plantadas pelos meus avós.

     

    Poderia falar um pouco sobre seus trabalhos já realizados?

    Tenho trabalhos que foram feitos aos 12 e aos 16 anos, por exemplo, que ainda estão com parentes ou no sítio. Nessas obras já fazia rostos, mãos, mas não acreditava que com o tempo eles teriam essa dimensão.

    Atualmente, tenho trabalhos por vários estados brasileiros com particulares e colecionadores (caso de um colecionador do RJ). Também tenho dois trabalhos expostos permanentemente em espaços públicos, além de um presépio (vencedor do primeiro concurso de presépio de Descalvado e região) em uma propriedade da cidade.

    Este ano fiz a doação de oito peças, com motivos variados, para a Secretaria Municipal Educação e Cultura de Descalvado, que estuda um local para exposição permanente das peças.

     

    Porque optou pela madeira em seus trabalhos? Quais as vantagens em utilizá-la?

    Assim como a argila foi muito comum na minha infância, a madeira também era.  Tínhamos fogão de lenha e as madeiras eram colhidas pela minha mãe nos pastos, sempre galhos secos e pequenos troncos que ficavam armazenados ao lado do fogão na cozinha. Também trabalho em uma empresa de mineração há mais de 26 anos, onde existe um trabalho de reflorestamento. Dessa forma, sempre encontro raízes que aparecem no processo de lavagem do minério (exemplos disso podem ser vistos no meu trabalho ÁRVORE DOS ESTRANHOS SERES, um conjunto de raízes que formam vários animais de formas e cores diferentes).

    A madeira é um material com grande variação de cores, texturas e formas, que pode ser usada naturalmente ou pintada.

     

    Artistas renomados como Frans Krajcberg, Elisa Bracher e Geraldo Teles de Oliveira também utilizam a madeira para a confecção de suas obras. Você se inspirou ou acredita ter algum tipo de ligação com esses artistas?

    Realmente, comparando os trabalhos, tenho uma certa ligação com todos. Elisa Bracher usa elementos de metal em várias obras. Assim como ela, também faço uso do material em alguns trabalhos meus, como “Diálogo de Paz”, e “Natureza humana em construção” (em que uso ferro e madeira). Com relação às obras de GeraldoTeles de Oliveira, tenho a semelhança da construção das figuras amarradas entre si, por exemplo a obra “Árvore dos estranhos seres”. Com quem mais me identifico é Frans Krajcberg, no sentido de que ele usa somente a natureza.  Adoro as cores vermelhas das tintas naturais usadas por ele, assim como as madeiras de queimadas. Um trabalho meu que lembra muito o de Frans é “Natureza Morta”, no qual há três animais entalhados em um tronco de árvore queimada.

     

    Você acredita que a implantação de esculturas e monumentos em espaço público ajuda na maneira com que as pessoas interagem com a cidade?

    Perfeitamente. Prova disso é o grande número de casais de noivos que são fotografados ao lado de meus trabalhos expostos no espaço público ao lado da antiga estação da Fepasa, a ÁRVORE DA VIDA e LIBERDADE.

     

    Houve algum procedimento específico para a implantação de suas obras dispostas em espaços públicos? Elas estão sendo preservadas de forma adequada?

    A doação foi feita na semana festiva da cidade, através da Secretaria Municipal de Educação e Cultura. Tive todo o apoio e incentivo para implantação das obras. É um trabalho que foi criado para ficar em exposição a céu aberto, e o local foi escolhido por estar cercado e ter funcionários durante o horário de expediente.

    Quanto à preservação, até o momento é ela feita por mim mesmo. Faço duas intervenções durante o ano usando verniz. No entanto, o desgaste é muito grande, por se tratar de madeira, que fica submetida aos períodos de chuva e recebe luz solar diariamente. Mas, com essas intervenções, o trabalho tem resistido ao tempo com algumas avarias. Uma das peças já está exposta há quatro anos, e a outra vai completar dois anos agora em setembro.

     

    Como você enxerga a preservação do patrimônio público de Descalvado?

    A Prefeitura de Descalvado, nessa última gestão, tem grande preocupação com o patrimônio. Muitas secretarias estão sendo ocupadas por profissionais com formação ou conhecimento das pastas em que atuam. Podemos confirmar isso com a criação do nosso museu, e considerando os profissionais que estão ligados a esse patrimônio.

     

    Qual a importância das redes sociais digitais para o seu trabalho?

    Tenho grande visibilidade em todo país através das redes sociais. Isso é de grande satisfação em meu trabalho (de Descalvado para o mundo).

     

    Você acredita que a criação de acervos digitais, como o MuBE Virtual, podem ajudar a promover o reconhecimento dos escultores brasileiros?

    Certamente esse trabalho é de grande importância. Prova disso é que já recebi elogios de escultores renomados pelos seus trabalhos e conhecidos em seus estados através do contato na página do MuBE Virtual.

     Entrevista: Luna Recaldes e Tatiana Matteoni

     
    • EDILSON LOPES 17:03 on 23/12/2013 Permalink | Reply

      Olá meu caro Artesão,

      Solicito obter mais fotos desse Presépio bem como também sua dimensão, quantidade de peças e, sobretudo, um preço especial para revenda.

      EDILSON LOPES
      FONES: 86-9981-7447 ( TIM ) / 86-9488-9558 ( CLARO ) / 86-8153-6444 ( VIVO )

  • MuBE Virtual 10:51 on 26/07/2012 Permalink | Reply  

    Além dos muros da arte 

    Qual a medida das manifestações artísticas? A quantidade de pessoas que usufruem uma obra, ou sua capacidade de despertar e instigar novos sentidos? De que maneira a arte pode ultrapassar os muros das instituições e realmente causar algum impacto na sociedade?

    Recentemente, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria sobre a criação de alternativas para a arte pública. Usando como gancho uma premiação na China voltada ao incentivo de artistas, a jornalista Camila Molina trouxe a discussão para o caso paulistano e conversou com diversos lados da questão para mostrar de que maneira as cidades podem incorporar as obras de arte nas ruas como forma de diálogo com seu público.

    Nesse sentido, ainda estamos engatinhando rumo às várias possibilidades que poderiam ser exploradas pelos artistas brasileiros. “Um desafio da arte pública é estar diretamente em contato com o público, sem intermédios de instituições. As cidades não são mais pensadas e elaboradas para as pessoas e sim para os carros e grandes empreendimentos imobiliários”, afirma o artista goiano Márcio Mendanha de Queiroz, conhecido como Kboco.

    Os entraves para a criação artística não se encontram somente na ocupação dos espaços. A falta de conservação das obras já existentes, ou melhor, a tão comum ausência de políticas públicas para preservar esse patrimônio, é um dos maiores problemas.

    Conceituados artistas como José Resende, cuja obra Olhos Atentos é um marco de Porto Alegre, e Frans Krajcberg, que criticou o governo municipal de Curitiba pelo descaso às suas esculturas no Jardim Botânico da cidade, são levados a enfrentar verdadeiras batalhas pela simples manutenção da dignidade de seu trabalho. São também obrigados a conviver com a arte ameaçada, deturpada, violada e desrespeitada.

    Se com profissionais consagrados a situação já é difícil, que dirá com aqueles que lutam diariamente para expor seu talento nos ambientes extra-muros, nos espaços alternativos das cidades em pleno movimento, das pessoas que não param nem por um minuto para observá-los.

    Aqui entra em pauta a discussão sobre a atualidade e a validade do que é chamado de arte. Por que não dar vazão ao infinito universo de vozes que buscam ser ouvidas, de imagens que querem ser vistas e sentidas? Por que não permitir que as cidades se tornem vivas, pulsem com o vigor artístico de novas gerações, despertem os cidadãos de seu marasmo cotidiano para lhes ensinar outros olhares? Por que não?

    Está na hora de quebrar os conceitos pré-existentes sobre o que pode ser considerado artístico. Muitas manifestações não-tradicionais espalhadas pelos espaços urbanos acabam não sendo legitimizadas, embora apresentem aspectos tão sofisticados quanto as que se encontram em museus.

    O grafite, uma arte que tem conquistado algum reconhecimento em São Paulo, conseguiu sua brecha na Lei Cidade Limpa para colorir o cinza dos prédios da capital. Com autorização da Prefeitura e financiamento privado, paineis de grafiteiros quebram a monotonia da paisagem e são uma saída para artistas que ainda tentam ganhar espaço num ambiente hostil. Mas esse é o primeiro passo de uma longa caminhada pela diversificação da arte.

    Mural do brasileiro Eduardo Kobra em Los Angeles, EUA

    A ideia de que a obra artística se resume a um objeto permanente, distante do público, quase inalcançável, não condiz com a realidade em que vivemos… Dinâmica, em constante transformação, multimídia e totalmente conectada. Nesse sentido, a arte ainda precisa se adaptar aos novos tempos e aceitar o fato de que os antigos muros precisam ser derrubados. Para um mundo não apenas mais democrático, mas também muito mais criativo e inspirador.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Enrique Castillo/Divulgação)

     
  • MuBE Virtual 11:31 on 10/07/2012 Permalink | Reply  

    Esculturas públicas: encontros com um rumor desconhecido. 

    “Índio Caçador” – João Batista Ferri. Bronze sobre pedestal de granito.

    Foto: Companhia de Restauro

     

    Visitar é também buscar um compromisso com o desconhecido. Tocar, procurar na expansão da sensibilidade tátil a verdade da obra, até então submersa.

    Como diria certa feita, Michelangelo:

     

                                       “Observei o anjo gravado no mármore, até que eu o libertei.”

     

    Vislumbrar de uma nova perspectiva, tatear.

    Provocá-las, fazê-las falar sua própria linguagem, embora a tenhamos percorrido por inúmeras vezes. Analisá-las, avaliá-las, pesá-las sob o olhar complacente e inquiridor. Vê-las suportar o peso da memória: ser forma e, ao mesmo tempo, documento. Foco de registro e reflexão.

    Ouvi-las. Dar voz às suas afirmações: um conjunto de sentidos volumétricos, geométricos e precisos produzidos pelas incisões e acréscimos em sua massa. A cor do reconhecimento, a textura da fama e do renome, de uma glória fugaz e pueril logo relegada ao esquecimento amarelado dos livros, dos compêndios, ou subjugadas sob a intempérie impiedosa e fustigante; ou então, ainda, aflitas, em posição de isolamento em sua soberba civilidade.

    As esculturas públicas, embora mergulhadas no regurgitar das multidões, são produtos de uma arte voltada à imensa minoria. Não obstante alguns artistas as tenham polido com o lustro claro dos traços simples e avistadas por centenas de milhares de pessoas ao dia, são exceções. O momento de sua fruição é um espaço atemporal muito íntimo. Embora o expectador não se porte de forma tão atormentada quanto o artista – o escultor – esse lugar é o da pose solitária. A solidão do expectador é aquela que espelha a obra, um reflexo mútuo, pois o expectador também é um solitário que a lê, que a interpreta. Esculpe, traceja, bruni e renova as formas daquilo que vê.

    E o espaço da percepção vai além do perímetro do volume ordenado sobre o pedestal. Sua presença constitui territórios e revê-las, ou visitá-las, também significa reconstruir a sua ambiência. Esse percurso cosmopolita que recria os caminhos, polvilha os passeios, no cotidiano esforço de, por intermédio da presença da arte, reestruturar a vivência urbana, povoá-la de imagens e imaginação num átimo de ajuizamento.

    Observá-las é como fiá-las no novelo da lembrança, infundir-lhes coerência e reuni-las sob o entendimento, catalogá-las diante da presença da emoção ou da indiferença.

    Aumentará o número de espectadores prontos a reverenciá-las? Elas convidam as pessoas a discursar sobre sua existência, sua presença inoportuna ou sobre o seu caráter ultrapassado e, num sentido restrito, retrógrado?

    A preocupação justifica-se, pois é o expectador quem faz a obra, quem participa diretamente de seu destino real na cidade.

    Aliás, a obra ressurge quando emerge das vozes emanadas pelo público. É esse rumor que prolonga e ecoa o tênue fio condutor do relato e reconstrói, em cúpida cumplicidade, o olhar do artista sobre o tema e o amplia sobre a superfície do território da praça, do bairro, ou da cidade compondo seus marcos referenciais. Nessa singela, porém sofisticada, escrita quantos relatos profundos e sensíveis a revelar traços singulares de homens que padecem ou vibram ao sabor da vida que recriam a cada movimento do cinzel? Porque as esculturas exigem um esforço constante, ininterrupto, em cada fruto depara-se com situações, eventos, conflitos, descrições, diálogos, um manancial de cristalizados acontecimentos. E quanto mais complexo o tema, redobrada terá de ser a atenção, sem dispersar-se. Há de se construir um mundo, centrado naquele momento, paralelo à realidade, mergulhado na alma e no pensamento.

    É neste sentido que o MuBE Virtual pretende estabelecer um diálogo entre as pessoas e as obras instaladas na cidade, de forma permanente, preocupado em aglutinar expectadores. Mais que simples expectadores: interlocutores interessados em ampliar esse universo e estendê-lo por intermédio da urdidura de uma trama sólida e objetiva. Trama essa, em que cada segmento encontre-se disposto a compartilhar memória e imaginação. Deixar de lado a perplexidade e a prostração e debruçar-se sobre as múltiplas e infindáveis interpretações que nos legaram artistas e promitentes, preocupados em aformosear as cidades e dar-lhe um significado mais humano, amplo e duradouro.

    (Texto: Sergio De Simone)

     

    Oficina: “A Escultura Paulistana na Modernidade”

     

     

    Elas estão por toda a parte, mas não as vemos. Estão sujas, tortas, faltam-lhe pedaços: são relíquias desconhecidas. Ainda que as obras de arte sejam inanimadas, objetos silenciosos, sua existência marca acontecimentos, personalidades e, claro, eterniza o trabalho de artistas.

     

    Está na hora de explorar as ruas e descobrir um pouco mais sobre a arte pública. Por isso, no mês de Agosto de 2012, o MuBE Virtual irá realizar uma oficina em São Paulo, para todos os amantes de arte e para quem quer conhecer um pouco mais da história contada pelas esculturas nas ruas da cidade.

     

     Informações:

    Com: Sergio De Simone, Katia Kreutz, Luna Rosa Lopes e Tatiana Matteoni. 

    Data: 11/08                                         

    Público: artistas, museólogos, historiadores, estudantes, gestores culturais e demais interessados.

    Inscrições: 06/07 a 10/08 – Enviar um email para:  mubevirtual@gmail.com , com NOME e RG.

    Preço: R$ 20,00 (pagamento na hora)

    35 vagas

    Nesta oficina, os participantes terão a oportunidade de redescobrir diversas praças do centro histórico de São Paulo, e conhecer mais das esculturas que se escondem entre dejetos e folhagens. Sérgio De Simone será o responsável por guiá-los e fazer um relato histórico das obras, que provêm do século XIX até meados do século XX. Primeiramente, haverá uma apresentação geral na Escola Paulista de Restauro, parceira da iniciativa. Depois, todos sairão a campo.

     

     

     
  • MuBE Virtual 15:47 on 09/05/2012 Permalink | Reply  

    “Corpos” espalhados por São Paulo 

    Plantadas no alto de edifícios da capital paulistana, as esculturas em ferro do artista inglês Antony Gormley parecem observar os passantes. A princípio, as obras podem ser confundidas com pessoas de verdade ameaçando pular dos prédios, já que foram criadas tendo como molde o corpo do próprio artista.

    A intenção do artista foi de levar a figura humana (representada pelas esculturas) para espaços onde ela normalmente não estaria. No caso das cidades grandes, um homem raramente consegue olhar para o horizonte, pois está incrustado em meio ao concreto.

    Assim, Gormley busca levar a atenção dos paulistanos para o inusitado, colocando seu trabalho perto do céu. “Quero que as pessoas olhem ao redor”, disse o artista, em entrevista para o jornal O Estado de S. Paulo.
    A instalação chama-se Event Horizon (Horizonte de Eventos) e já foi exibida também em Nova York e Londres. Para o esculturor, descobrir a cidade de São Paulo e sua arquitetura tem sido uma experiência impressionante.

    As quatro esculturas de “corpos” da exposição estão instaladas em edifícios do centro, na região entre a Praça do Patriarca e o Teatro Municipal. Uma mostra de Gormley, Still Being (Corpos Presentes), também será inaugurada neste sábado, dia 12 de maio, no Centro Cultural Banco do Brasil. Além disso, sua galeria inglesa do artista alugou um galpão no Parque do Ibirapuera para sua mostra Fatos e Sistemas.

    Em sua passagem pelo Brasil, Antony Gormley teve a oportunidade de conhecer o artista carioca Cildo Meireles, cuja exposição Desvio para o Vermelho ele havia apreciado na Tate Modern de Londres. Em comum, os dois têm o fato de lidarem com a percepção do indivíduo em seus trabalhos.

    Segundo o inglês, o mais interessante no trabalho de Meireles é sua ligação com a esfera social. A complexidade do ser humano, a sociedade, o espaço urbano e arquitetônico, serão sempre fonte de inspiração para a arte em qualquer lugar do mundo.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Paulo Liebert/AE)

     
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