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  • MuBE Virtual 16:06 on 22/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: Erika Verzutti, Guggenheim   

    Erika Verzutti: “Estranho humor” 

    Livro e mostras no exterior destacam o caráter sensorial da obra de Erika Verzutti

    Na faculdade de desenho industrial no Mackenzie, aos 18 anos, Erika Verzutti e as colegas pegavam o roteiro de exposições da revista Veja, como conta, e iam visitar qualquer opção em cartaz em São Paulo. Nessa época, vivia uma angústia que classifica como “coisa de classe média”: “Olhava para a arte e não sabia o que era”. “A paixão e a disposição que tinha de olhar para uma escultura de um nu meio polido de um autor desconhecido era a mesma de ver uma obra do Daniel Senise”, afirma a paulistana, hoje com 43 anos. “Isso de ficar só no sensível”, como define, é o que ela tenta reproduzir, enfim, em suas criações como artista.

    À primeira vista, as esculturas de Erika Verzutti podem parecer corpos estranhos. Em uma breve descrição, frutas, como jacas e bananas, e legumes, por exemplo, são transpostos para o bronze ou para o cimento integrando composições de uma ação escultórica que, atualmente, destaca-se em exposições em cartaz nos EUA e na Suíça. “Para além de representar, as esculturas de Erika Verzutti dão forma a sensações e fantasias – querem ser e fazer delícias e horrores”, escreve José Augusto Ribeiro no texto Um Bicho de Sete Cabeças, que abre o livro dedicado à artista, lançado recentemente pela editora Cobogó. Resume o crítico que a obra da paulistana “envolve humor, beleza, erotismo, estranhamento e violência, a uma só vez”.

    Venus on Fire

    Venus on Fire

    “Trabalho no território da falta de informação”, afirma a artista, que recusa relacionar sua produção ao terreno da ironia. Citações (“escancaradas”) da história da arte – como remissões às esculturas surrealistas de Maria Martins (1894-1973), às formas das figuras antropofágicas dos quadros de Tarsila do Amaral (1886-1973) ou a trabalhos do escultor britânico Henry Moore (1898-1986). E ela também faz referências a clichês do campo artístico – com a incorporação de pincéis e paletas, por exemplo, em suas composições escultóricas – são sua maneira de jogar com o “cômico”, o “superficial” , a “devoção” e a “livre associação”.

    As criações de Erika Verzutti podem ter um caráter mais figurativo em alguns momentos, em outros, mais abstratos – incursões geométricas -, ou até remeter a uma ancestralidade. “Um desejo mais primitivo que seja, de formas mais brutas, mais ásperas, é uma maneira de lidar hoje com a imagem contemporânea”, comenta.

    “Acho que tem mais graça olhar para uma superfície terrosa agora do que teria nos anos 1980. É um ciclo que a gente vive, uma necessidade física. Gosto de pensar que as coisas se processam mais sensorialmente”, completa. O percurso mais recente de seu trabalho pode ser contemplado na edição da Cobogó.

    Aceitação

    No sábado, 19, a artista encerrou uma mostra na Galerie Peter Kilchmann de Zurique, mas ela participa, até novembro, de uma exibição coletiva no Langmatt, em Baden, também na Suíça. Já nos Estados Unidos, o Tang Teaching Museum, instituição universitária em Saratoga Springs, cidade do Estado de Nova York, acaba de inaugurar uma exposição da brasileira com conjunto de obras realizadas em 2013.

    “É minha primeira individual em museu”, diz Erika, considerando que a “aceitação de público, crítica e mercado” de seu trabalho ocorreu, de fato, a partir de 2011, apesar de ela ter despontado no circuito na década de 1990, enquanto cursava a Goldsmiths College de Londres.

    “Os trabalhos de Erika Verzutti, imbuídos de um sentido de ritual misterioso, geralmente centram atenção para formas e ciclos encontrados na natureza”, explica o texto de apresentação da mostra no Tang, até 16 de novembro. As peças reunidas na instituição norte-americana são criadas com pedras, argila, concreto e bronze, entre outros materiais, e ficam expostas no chão e nas paredes (neste caso, já indicando uma vontade de adentrar no campo da pintura-escultura). Fizeram também parte de uma coletiva, no ano passado, no Carnegie Museum de Pittsburgh.

    Para completar o “tour” americano, duas de suas esculturas, Venus on Fire (2013) e Painted Lady (2012), estão na exposição Sob o Mesmo Sol: Arte da América Latina Hoje, em cartaz até 1.º de outubro no Guggenheim de Nova York (que as adquiriu). A mostra, com obras de outros brasileiros, vai itinerar em 2015 para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

    CAMILA MOLINA. “Estranho humor”. Jornal O Estado de São Paulo, 20 de julho de 2014

     
  • MuBE Virtual 14:48 on 09/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: henrique oliveira, MAC USP, Transarquitetônica   

    Do moderno ao arcaico 

    Artista Henrique Oliveira cria para o MAC-USP instalação que remete a uma caverna

    Paredes de um cubo branco vão se transformando, aos poucos, em corredores de alvenaria popular; em seguida, em caminhos de taipa; até se metamorfosearem em uma caverna de tapumes. No final do percurso, estranho e labiríntico, encontram-se grandes galhos de uma árvore – a instalação Transarquitetônica, que Henrique Oliveira criou especialmente para o prédio anexo do Museu de Arte Contemporânea da USP, é um percurso de passagem do tempo, uma narrativa linear.
    “Numa ponta, você tem uma ideia de arquitetura moderna, de um espaço neutro, como um corredor de hospital, que representa o momento contemporâneo. Do outro, os galhos representam a primeira moradia do homem-macaco, anterior ao homo sapiens”, descreve o artista. Ele recusa o termo monumental para definir sua obra, mas ela é um vultoso corpo de cerca de 70 metros de comprimento pelo qual o visitante é convidado a adentrar, percorrer pela própria experiência.
    Ou, por outro lado, o espectador pode contemplar a instalação de fora, do extenso primeiro andar do espaço expositivo.
    Dali, Transarquitetônica é vista como um “objeto” orgânico “contínuo”, que parece ter-se acomodado, lentamente, na construção original do arquiteto Oscar Niemeyer, uma grande sala longitudinal branca, de 1.600 m², pontuada por 13 colunas.
    No inevitável símbolo modernista, o novo trabalho de Henrique Oliveira é mais que a criação de um corpo cavernoso,
    feito com os tapumes que já são sua técnica característica. A obra do artista, erguida durante dois meses e que consumiu
    orçamento de R$ 700 mil, ganha outras camadas, ousadas. Torna-se, também, uma reflexão sobre arquitetura, com ramificações interpretativas de ordem política, crítica.
    “É possível ver o trabalho como uma coisa que começa com um cubo branco, com esse idealismo da forma (a arquitetura branquinha para ser vista) que se liga à ideia de uma cultura que se faz na modernidade e vai se ramificando para formas de moradia populares que são a realidade”, diz Henrique Oliveira, que já tinha projeto antigo de misturar tipos de construções diferentes em uma grande instalação. “Se você pensar em Brasília, a cidade foi concebida para ser aquela coisa monumental, limpa e plástica, mas toda uma periferia foi se desenvolvendo em volta.” “O Brasil é um pouco
    isso: a distância entre os ideais e o que acontece na maior parte do País é muito grande”, continua o artista, convidado no ano passado a criar um trabalho para o anexo do MAC-USP.
    Como ele conta, já lhe foi questionado se sua escolha por usar os tapumes em suas instalações tinha como ensejo fazer menção a favelas. É verdade que as lascas de compensado descartável – “superbarato, de pouca durabilidade” – que utiliza em suas obras já podem ser consideradas um material tipicamente brasileiro. Mas, na verdade, Henrique Oliveira
    chegou a esse elemento por intermédio de sua produção como pintor.
    “Sempre tive uma atração por fazer uma pintura mais visceral ao usar amadeira”, afirma. “Os compensados eram cor-de-rosa, me lembravam pele, carne.”
    Transições. “Sou pintor que não faz só pintura. Mesmo quando o meu trabalho está nessa dimensão, em um espaço com oeste, com essa referência arquitetônica e escultórica forte, ele também tem situações pictóricas nas madeiras, cores, texturas”, expressa. Aos 40 anos, o artista já é um dos mais destacados da cena brasileira, com trajetória de alcance internacional.
    Em 2013, ele criou a instalação Baitogogo para o Palais de Tokyo, em Paris (e uma obra sua ainda está em cartaz no local), além de ter exibido suas criações, recentemente, em instituições de várias partes do mundo. “Meu trabalho funciona bem como imagem. Ele pode ser compreendido num nível profundo, mas também qualquer pessoa vem e se relaciona com a obra. Não sei se é bom ou ruim, não importa. Acho interessante que fale também ao público de uma maneira geral, não é cifrado, é uma coisa mais democrática”, analisa Henrique Oliveira.

    CAMILA MOLINA. Do moderno ao Arcaico. Jornal o Estado de São Paulo, 27 de abril de 2014.

     
  • MuBE Virtual 14:50 on 29/07/2013 Permalink | Reply
    Tags: bienal de veneza, land art, morte, walter de maria   

    Minimalismo perde a arte de Walter de Maria 

    Morreu ontem, aos 77 anos, o escultor norte-americano, presente na Bienal de Veneza com uma sala especial

    Walter de Maria era um tipo recluso, monossilábico. Odiava dar entrevistas e gostava ainda menos de ser fotografado. Não fazia a mínima concessão para ser exposto em museus. Ainda assim, os maiores do mundo têm obras suas. Só o Guggenheim de Nova York tem quatro delas, dos anos 1960. As grandes mostras, de Kassel à  Bienal de Veneza (em cartaz até novembro), faziam questão de sua presença. Um dos melhores artistas do movimento minimalista, além de precursor da land art, Walter de Maria morreu ontem, aos 77 anos, de um acidente vascular cerebral. Vai fazer falta. Como diz o curador da Bienal de Veneza, Massimiliano Gioni, a instalação que montou na mostra italiana – cilindros de latão dispostos no chão do Arsenale–é uma resposta silenciosa ao “ruído da era da informação, que festeja a pureza muda e gélida da geometria”.
    Nem sempre foi assim.No começo de sua carreira, nos anos 1960, Walter de Maria era até muito barulhento. Saiu de Albany, na Califórnia, e fixou residência em Nova York, onde fez experiências dadaístas – como suas Caixas para um Trabalho sem Sentido (1961), em que convidava o espectador a transferir o conteúdo de uma caixa para outra.Em 1965, De Maria ainda gostava de agitação. Tocava bateria num conjunto chamado The Primitives, ao lado de Lou Reed e John Cale. Fez filmes sem muita repercussão, além de poucas e inexpressivas pinturas, logo descobrindo a escultura.  Felizmente.  Foi o começo de uma silenciosa e bela carreira.
    Sua obra mais conhecida é The Lightning Field, projeto de land art instalado no Novo México (1977). São 400 postes metálicos dispostos numa região desértica, que funcionam como para-raios e proporcionam uma visão epifânica aos espectadores, sendo o mais famoso Cormac McCarthy. O escritor recorre a essa imagem no epílogo de Blood Meridian, romance sobre caçadores de escalpos ambientado no século 19. Outra obra insólita é New York Earth Room (1977), um oclusivo quarto coberto com terra, recriado em galerias e museus.

    (Fonte: FILHO,  Antônio Gonçalves. Minimalismo perde a arte de Walter de Maria. O Estado de São Paulo, São Paulo, 27 jul. 2013. Caderno 2, p. 10)

     

     
  • MuBE Virtual 16:17 on 14/05/2012 Permalink | Reply
    Tags: conservação, cultura, , espaços públicos, gestores, ibram, , patrimônio cultural, pesquisa, políticas públicas, semana de museus   

    Pesquisa Políticas Públicas para a Escultura Brasileira 

    Um estudo para a 10ª Semana Nacional de Museus

    1. Introdução

    O Museu Brasileiro da Escultura Virtual (MuBE Virtual) é o primeiro banco de dados da escultura brasileira.
    Essa simplória definição, contudo, pode suscitar dúvidas aos leitores: como pode um museu ser virtual? De que forma é possível “colocar” esculturas em um banco de dados?
    O restaurador e empresário Francisco Zorzete tinha essas mesmas perguntas, sobre como viabilizar um grande sonho: reunir todas as esculturas do país em um só lugar e, sobretudo, disponibilizar esse conteúdo para qualquer pessoa.
    Com o passar dos anos, veio a resposta: a Internet se ampliou de tal forma que não poderia haver melhor mecanismo para o livre compartilhamento de dados. A proposta então foi a criação de um site, que hospedaria fotos e informações sobre as esculturas. Este é o museu virtual: a arte sendo colocada em exposição digitalmente. O diferencial do MuBE Virtual está na autoria do inventariado, que é o próprio público. O site é colaborativo e alimentado, principalmente, por pessoas que fotografam esculturas de suas cidades ou locais por onde passam, coletam informações sobre elas (muitas vezes, pela própria Internet) e cadastram as obras no banco de dados. O museu, no século XXI, consegue inverter seu processo tradicional: agora, o conteúdo vem de fora para dentro.
    Outra pergunta, contudo, vem à mente: o que define escultura?
    Esse questionamento, se feito para várias pessoas, pode levantar conceituações diversas, porque o termo em si não tem um significado fechado e universal. Para Tatiana Travisani, doutoranda em Artes Visuais pela ECA/USP, as obras esculturais são aquelas que se apresentam em relevo total ou parcial e pertencem a estilos e escolas artísticas diversas. “Há uma infinidade de materiais além dos mais comumente associados com a criação de esculturas, como mármore, cobre, granito, e bronze; consequentemente, também podem ser classificadas como duráveis ou efêmeras – nesse caso, um bom exemplo são as esculturas de areia. Não se restringem à representação figurativa, como de pessoas ou animais definidos, mas podem ser também abstratas”.
    Ela enfatiza, notoriamente, que o conceito de escultura abrange desde as suntuosas obras renascentistas até as mais populares, como as de barro em Caruaru (Pernambuco).
    O inventariado, a princípio, se limita às esculturas duráveis e instaladas em espaços públicos. Recentemente, o conteúdo tem sido expandido com o acervo de outros museus; já estão inclusos no banco de dados, por exemplo, as obras do Museu Brasileiro da Escultura, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial da América Latina, entre outros. A maioria das obras cadastradas se encontra em logradouros diversos: ruas, avenidas, praças e parques.
    Por tratar intimamente da esfera pública, o projeto passou a colecionar uma série de casos e notícias relacionadas à instalação e preservação de esculturas nos espaços urbanos. Lançado oficialmente em novembro de 2010, tem encarado o desafio não só de catalogar esculturas como também de criar uma percepção da situação atual do patrimônio artístico brasileiro e incentivar a população, na medida do possível, a reconhecer e se apropriar do que lhe pertence por direito.
    O presente trabalho visa a uma constatação e reflexão do que tem sido feito pelo Estado no tratamento com o patrimônio artístico público, com uma investigação mais focada sobre as políticas vigentes nesse sentido. Por meio de uma pesquisa qualitativa, gestores de patrimônio das 50 cidades mais populosas do país (IBGE, 2010) foram questionados, por telefone, sobre as suas atribuições e responsabilidades, os critérios para a escolha e instalação de obras e as últimas ações de conservação e restauro das esculturas de seus municípios; obtendo-se, assim, um diagnóstico plausível da heterogeneidade das políticas para patrimônio dentro do território nacional.
    Este trabalho foi desenvolvido para ser apresentado publicamente e disponibilizado online durante a 10ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), de 14 a 20 de maio de 2012. O tema deste ano é “Museus em um Mundo em Transformação: novos desafios, novas inspirações”.

    Bancos de dados de esculturas ao redor do mundo

    A iniciativa de inventariar o patrimônio escultórico não é inédita no mundo, embora no Brasil não se conheça outro banco de dados colaborativo e abrangente como o MuBE Virtual. Guias impressos de esculturas de vários países existem em grande quantidade, mas essas publicações em geral são comissionadas por órgãos públicos ou associações interessadas. Já no ambiente digital, esse trabalho é recente. Apesar de alguns museus investirem na digitalização de seus acervos e disponibilização dessas informações online, ainda há uma grande carência de inventários das obras tridimensionais situadas em espaços
    públicos. Existem sites que abordam locais específicos, municípios ou regiões. Poucos são os que possuem conteúdo detalhado e apresentado de maneira didática, com fichas das esculturas para pesquisa gratuita.
    O MuBE Virtual busca catalogar e divulgar todas as esculturas brasileiras, sem julgamentos de mérito ou restrições, e com a participação popular. Essa característica torna a colaboração da sociedade civil uma importante ferramenta para a concretização do trabalho, mas coloca também nas mãos dos órgãos públicos a responsabilidade de inventariar seus acervos, ou pelo menos colaborar para esse registro, aproveitando a oportunidade e a existência desse site.

     

    2. Logradouros públicos: quando a arte passa a pertencer a todos

    É notável que a população não se apropria do que lhe pertence, ou seja, daquilo é público. Essa relação não é diferente no que diz respeito às obras de arte expostas nas cidades, que muitas vezes passam despercebidas, são ignoradas, vandalizadas e até confundidas.
    Em janeiro deste ano, o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria que abordava, entre outros fatos, o caso de um turista confuso no Rio de Janeiro. Ele e a esposa tiravam foto ao lado de uma estátua instalada em frente ao Hotel Copacabana Palace, imaginando ser o homenageado o proprietário do local, quando na verdade trata-se da representação do jornalista Ibrahim Sued (1924-1995). Colunista social, ele frequentava o hotel e ali conseguiu vários furos jornalísticos.
    Esse problema recorrente se deve à falta de informações mais substanciosas nas placas, ou mesmo sua ausência, o que acaba desqualificando as obras como potenciais “contadoras de história”. Com um olhar atento, é possível observar outros problemas ainda mais relevantes, como o desgaste provocado pelo tempo, a depredação, o furto de peças e a ausência generalizada de requalificação urbana e paisagística ao redor de estátuas, bustos, fontes, chafarizes, hermas e outros tipos de arte monumental.
    A primeira impressão é de que os transeuntes, ao passarem diariamente pelas obras, estão alheios a essa realidade. Apesar disso, durante sua trajetória a equipe do MuBE Virtual pode notar, com alguma satisfação, que muitas esculturas causam interesse, comoção e até mesmo movimentações políticas por parte da sociedade ou de grupos específicos. Esses monumentos acabam por ganhar destaque e prioridade na agenda do poder público, o qual passa a se envolver mais enfaticamente em questões relacionadas.

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50 m de comprimento e 16m de altura.  Foto: Leandro Caproni

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50m de comprimento e 16m de altura. Foto: Leandro Caproni

    O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, quase dispensa comentários. É o exemplo máximo de valor agregado para uma obra de arte no país, sendo simultaneamente uma das sete maravilhas do mundo, um dos maiores pontos turísticos do Brasil e um santuário católico. No ano de 2011, quando completou 80 anos de inauguração, uma extensa programação foi elaborada pela prefeitura e pelo governo do Estado, que abrangia desde homenagens da Quadrilha da Fumaça e realização de um grande show até a celebração de missas, inauguração de novos monumentos e a notável exposição “Cristo Redentor para Todos”, que espalhou 25 réplicas menores da estátua pelo Brasil e outros países.
    Outro exemplo de relação amistosa é a que se fez entre o público e a obra “Olhos Atentos”, de José Resende. Em 2005, essa colossal escultura de ferro compôs a Bienal do Mercosul, foi presenteada no mesmo ano à cidade de Porto Alegre (RS) e, então, instalada às margens do Lago Guaíba. Logo se integrou ao ambiente e à rotina das pessoas, que subiam nela para observar o lago e tirar fotos.

    Olhos Atentos, de José Resende Foto: Francielle Caetano

    Olhos Atentos, de José Resende. Foto: Francielle Caetano

    Em 2009, contudo, a obra foi interditada pelo desgaste de seus materiais e pela corrosão parcial da grade do chão. Ao final de 2011, a Prefeitura planejava retirar a obra do local, sem ter anunciado qualquer medida de restauro e conservação, fato que teve grande repercussão na cidade. Em protestos pelas redes sociais, cidadãos pediam a não interferência do poder público em obras de arte e clamavam pela manutenção da estrutura. Por fim, foi decidido manter a obra e restaurá-la.
    Por outro lado, em Buri e Americana (SP), ocorreram duas situações nas quais a posição da população, frente à Prefeitura, foi no sentido oposto: pedindo pela demolição de monumentos.
    O Tubarão é uma escultura instalada em Buri, cidade de uma região de rios e lagos no sudoeste de São Paulo. A princípio, dentro da obra funcionava um restaurante. Feita em cimento, gesso e alvenaria, com 28m de cumprimento, a estrutura hoje está vazia e deteriorada, o que não agrada à população. Por esse motivo, blogueiros da cidade se mobilizaram a favor de sua destruição.
    As proporções da polêmica na cidade de Americana foram ainda maiores. A prefeitura requereu a construção de um pórtico para a cidade, inicialmente denominado Portal Princesa Tecelã, com o propósito de homenagear a cultura têxtil, atividade econômica de destaque no município. O pórtico, que custou R$ 760 mil, era ladeado pelas estátuas rechonchudas e seminuas de um homem e de uma mulher, que descontentaram muito a população local. As figuras tiveram grande repercussão pela cidade e foram ridicularizadas a ponto de serem levadas a debate na Câmara Municipal.
    A prefeitura, por meio da internet e postos espalhados pelo município, decidiu realizar uma enquete. Das 3,4 mil pessoas que votaram, 99,8% se mostraram insatisfeitas com a obra; 53,6% pediam modificações, especialmente nas estátuas de concreto, cada uma com altura de 8m e pesando 60 toneladas.
    O monumento recebeu o apelido de Portal da Discórdia. Em 7 de janeiro de 2010, iniciou-se afinal o trabalho de demolição das estátuas.

     

    3. As políticas públicas das grandes cidades brasileiras

    O caso do Portal de Americana é um referencial para discutir as diretrizes e a aplicabilidade das políticas do município para a arte pública. Por vezes as perspectivas da população, fragmentada e plural, não estão em sintonia com as expectativas geradas pelo poder público. Evidência disso é que tal situação poderia ter sido evitada, caso a enquete fosse
    sido feita antes da elaboração do projeto do Portal, orientando o artista quanto às expectativas dos habitantes de Americana.
    Para Kaernbach, “as obras devem se relacionar com o local e o entorno, respeitando suas especificidades, ou seja, não são escolhidas arbitrariamente e não devem cumprir papel puramente decorativo”. Pensando assim, os exemplos anteriores suscitam uma série de outras questões: quem define os critérios para a instalação de monumentos nas ruas, praças e parques? Quais são as secretarias, departamentos e demais órgãos responsáveis pelo patrimônio artístico e sua proteção? A verba destinada a ações relacionadas provém somente da prefeitura?
    A proposta desta pesquisa é a de fomentar a discussão sobre a gestão e conservação das esculturas e monumentos expostos em espaços públicos no Brasil. O artigo 30 da Constituição Federal diz que compete ao município promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. No entanto, não sabemos quais são as ações locais voltadas à preservação e conservação de tais obras nos municípios. Esse foi o principal objetivo: traçar um painel de como essas práticas vêm se articulando – se é que elas existem.
    Já na primeira etapa da pesquisa, cujo foco foi estudar os 50 maiores municípios mais populosos do Brasil, segundo dados do censo 2010 do IBGE, percebemos as dificuldades em lidar com as diferentes formas de tratar o assunto em cada uma das cidades consultadas. Desse modo, realizar uma pesquisa que abrangesse os mais de cinco mil municípios do país e toda a sua heterogeneidade seria uma tarefa além de nossas ambições e necessidades.
    Nesta fase do trabalho, a proposta foi sondar esses 50 municípios com o intuito de investigar como se tem organizado tais políticas. Mesmo utilizando esse recorte em muitos dos municípios abordados, conforme veremos adiante, não foram encontradas as informações desejadas ou nem mesmo a pessoa habilitada a responder sobre o assunto.

    Sabemos que, dos 5565 municípios brasileiros, segundo dados do Ministério da Cultura, cerca de 740 (ou cerca de 13%) deles possuem algum tipo de conselho municipal voltado à preservação do patrimônio público, a maior parte na região Sudeste (619) e na região Sul (79). Isso indica a falta de políticas direcionadas aos bens patrimoniais nos estados das demais regiões.
    Já quanto à existência de legislação municipal que verse especificamente sobre a proteção ao patrimônio cultural, os números são um pouco maiores: 984 deles, cerca de 19,5%, possuem legislação, sendo 654 na região Sudeste e 157 na Sul. Mais uma vez, verificamos a predominância dessas duas regiões. A exceção fica com a região nordeste, na qual 101 cidades possuem legislação específica e 24 contam com conselhos municipais, reflexo da participação de grandes cidades históricas e seu entorno, que apresentam rico acervo escultórico e patrimonial.
    Mas como os representantes desses 50 maiores municípios se comportam quando perguntados sobre suas políticas e práticas no que concerne às esculturas e monumentos expostos em espaços públicos? Lidar com a burocracia e com as diferentes nomenclaturas foi a primeira das barreiras encontradas, muitas delas intransponíveis pela falta de informações.
    Se tivéssemos o intuito de pesquisar sobre teatro, por exemplo, poderíamos telefonar para as Secretarias de Cultura e perguntar sobre o departamento de teatro. Certamente seríamos direcionados a um responsável específico da área. Com as obras e monumentos expostos em espaços públicos, não é sempre o que acontece. Procuraremos adiante revelar os números desta sondagem inicial, assim como realizar algumas inferências baseadas em exemplos individuais.

     

    A Pesquisa

    Parte 1 – Os entrevistados

    Definidos os 50 municípios que compuseram a amostra desta etapa preliminar do trabalho, partimos para o processo de contato. Em primeiro lugar, identificando via Internet qual o departamento responsável, o telefone e, se possível, a pessoa encarregada. As entrevistas foram feitas por telefone ou respondidas por e-mail.
    Desse contato, surgiu nosso primeiro tema para análise: notamos que quase metade dos respondentes, 46% da amostra, era composta de profissionais de alto escalão dentro das secretarias, como diretores e chefes de divisão de patrimônio. Em segundo lugar, com 31%, encontramos técnicos e arquitetos, ou seja, cargos mais voltados à prática de campo. Os demais se dividem entre diretores de museus, historiadores e secretários de cultura.
    A qualificação dos entrevistados revela que a pesquisa conseguiu atingir às pessoas no escalão indicado para prestar as informações necessárias. Lidar com a questão do patrimônio envolve certa envergadura, que mescla questões de cunho acadêmico com conhecimento técnico específico da área.

    Parte 2 – O cuidado com o patrimônio

    Perguntados sobre a existência de um órgão específico voltado à proteção do patrimônio, 77% dos entrevistados responderam positivamente à questão. As demais respostas foram: não possui, ou está em implantação (15%), dividem a responsabilidade de cuidar do patrimônio com outros órgãos ou entidades da sociedade civil (8%). Percebe-se nessa questão a preocupação nas grandes cidades com a questão da conservação do patrimônio material e das obras de arte presentes em espaços públicos, já que a grande maioria possui ou está prestes a possuir alguma instância específica para tratar dessas questões.
    Por meio dos resultados obtidos, procurou-se investigar um pouco sobre a estrutura desses órgãos. A esse respeito, 18% dos entrevistados declararam que a responsabilidade é compartilhada com outros órgãos da esfera estadual, federal ou ainda, em alguns casos, com entidades civis, ONGs, proprietários de imóveis via isenção fiscal, igrejas e museus.
    Iguais 18% responderam que sua atuação se limita à catalogação e inventário do acervo dos municípios, não especificando se tratam somente das obras expostas a céu aberto ou de todo o acervo patrimonial, ou mesmo de conservação de logradouros e prédios públicos. A manutenção fica a cargo de outras instâncias. Isso evidencia a resposta dos 16% que afirmaram que a manutenção das obras é feita pela prefeitura ou pela secretaria de meio ambiente, por exemplo, sem a interferência direta do departamento.
    Em alguns casos, com 2% das respostas, o restauro ou manutenção é feito em função da reforma ou requalificação do local onde a obra é exposta. Cerca de 6% dos entrevistados citaram a educação patrimonial com o objetivo de divulgar a memória e a história cultural dos municípios e 4% deles afirmaram que o órgão atua na captação de recursos e direcionamento das verbas municipais destinadas à conservação/preservação. Outros 12% afirmaram que o departamento atua em diferentes áreas, envolvendo o patrimônio material, imaterial e no fomento de festividades diversas.
    Outro dado importante diz respeito às ações específicas de manutenção e restauro. É pequena a porcentagem (4%) dos que executam diretamente tais funções. Por outro lado, um número bem próximo desse último, totalizando 6% das respostas, afirma atuar somente nos casos de bens tombados, não havendo uma política de conservação voltada especificamente para esculturas e monumentos.
    Ainda nessa linha, com 4% em termos de menções, encontramos os departamentos que se restringem ao monitoramento, acompanhamento e à simples manutenção das obras de interesse artístico/arquitetônico previamente tombados.
    As demais respostas sobre a função do departamento, com em média 1% cada, se dividem em diversas menções, algumas delas fora do contexto, como por exemplo “o simples cumprimento da legislação específica”, a observação de que as políticas de conservação estão “em projeto”, a divisão da cidade em zonas de interesse para maior controle e intervenção, e ainda os que não souberam responder quais as funções de seu departamento na preservação do patrimônio.
    Frente a esse quadro de atribuições, os entrevistados foram questionados quanto ao papel do órgão ou departamento responsável especificamente pela conservação, e se o mesmo cumpria a contento sua missão. Obteve-se um relativo equilíbrio nas respostas: 32% afirmaram que sim, 25% que não. Cerca de 8% disseram que sim, porém com ressalvas; 5% afirmaram que sim, apesar de terem que lidar com o ônus de complexas questões político-burocráticas. Em outros 5% das respostas a questão não se aplicava, pelo fato do município não dispor de órgão competente, e 25% não responderam à questão.
    Aos 25% que responderam não estarem satisfeitos com a atuação de seu departamento, foi questionado o que poderia ser feito para que a situação melhorasse. A questão da mão de obra especializada e da melhor capacitação técnica do pessoal dos departamentos somou 15% das respostas. Outros 10% informaram que é preciso dar continuidade ao processo de inventário do acervo que, em muitos casos, está defasado. Nesses casos, vale a máxima de que é preciso conhecer para melhor intervir.
    Cerca de 20% dos entrevistados relataram problemas diversos sobre a ordem econômica, como a falta de verbas e de editais, ou a necessidade de melhoria dos espaços físicos ocupados pelos departamentos. A precária situação das esculturas e monumentos também foi lembrada por 15% dos entrevistados. Relataram-se problemas como o excesso de pichação e a falta de cuidado com obras de arte emblemáticas para a cidade. Segundo os entrevistados, a inexistência de tradição na conservação (5%) e o excesso de burocracia (5%) impedem ações efetivas e, por último, a falta de instalação de novas obras foi lembrada por outros 5%. Cerca de 25% dos entrevistados optou por não responder a esta questão.

    Parte 3 – As leis de incentivo

    A criação de leis de incentivo à cultura baseadas em renúncia fiscal ou em investimento direto trouxe um grande dinamismo ao setor cultural nas últimas décadas. Os entrevistados foram questionados se os municípios possuem suas próprias leis e, num segundo momento, se essas leis são eficazes no sentido de trazerem investimentos voltados à
    conservação do patrimônio público. Do total de entrevistados, 54% afirmaram que sim, 8% que não e 6% que a lei está em projeto ou em fase de aprovação na câmara; 32% não responderam à questão.
    Aos entrevistados dos municípios que possuem ou se utilizam das leis de incentivo, perguntamos como ela funciona e verificamos que cerca de 25% das respostas indicaram que tais leis se baseiam em fundos locais de incentivo à cultura, permutas com proprietários e renúncia fiscal. Cerca de 15% delas se baseiam em proposições do próprio cidadão, produtores culturais ou mesmo dos próprios artistas/autores.
    A questão da destinação dos recursos foi lembrada por outros 15% dos entrevistados: a lei existe, contempla restauro e conservação de obras públicas e monumentos, mas é pouco utilizada para esse fim, abrangendo a questão do patrimônio de modo amplo. As demais menções, pulverizadas em várias respostas diferentes, porém com pequenas variações, dizem respeito a leis que obrigam a instalação de esculturas na entrada de prédios, leis em fase de elaboração e a ressalva de que, na verdade, o que mais se faz são simples reformas e não restauro. Cerca de 30% dos entrevistados não responderam a esta questão.
    A todos os representantes das cidades, também foi perguntado se já se valeram de alguma lei de incentivo que não a local para a realização ou restauração de obras. Pouco menos da metade deles (46%) responderam que sim, e 31% que não. Tentativas e estudos visando à utilização da lei foram citados por 9 %, e 14% não responderam à questão.

    Parte 4 – Novas ações

    Na última parte de nossa pesquisa, os entrevistados responderam sobre as ações na área de conservação e os critérios para escolha de novas esculturas públicas em suas cidades. Aproximadamente 34% dos entrevistados citaram exemplos de obras específicas, como o restauro de casarões e paineis de azulejos, a transferência de paineis de azulejos e o restauro de portal do cemitério, entre outros.
    A ação emergencial, com 18% das menções, parece ser o que mais fomenta a necessidade de conservação e restauro de esculturas e monumentos expostos a céu aberto. A depredação, vandalismo e pichação das obras demandam muito trabalho às equipes, que sempre têm alguma limpeza, reparação ou restauração a realizar. Em torno de 12% declararam ter realizado restauro de esculturas de artistas locais com grande sucesso, algumas vezes com a participação do governo federal.
    Os que mencionaram não terem feito nenhuma ação recente somaram 7%; os que reportaram dificuldades diversas ligadas à burocracia, falta de recursos materiais e humanos, entre outras, perfazem 6%. Alguns entrevistados (5%) não souberam responder a esta questão e 18% não a responderam.
    Quando perguntados sobre os critérios para instalação de novas obras, a maioria (34%) afirmou que a decisão de escolha depende de diferentes tipos de comissões, compostas por membros de órgãos diversos. Essas comissões, por sua vez, são formadas por arquitetos, urbanistas, docentes de universidades e de curadores, que realizam o processo de avaliação. Em muitos casos (34%), quem escolhe é a própria prefeitura, seja através de editais e concursos, seja por escolha pessoal do próprio prefeito.
    Critérios paisagísticos e ambientais foram citados por 13% dos entrevistados e aspectos ligados à história da cidade ou de artistas que representam características de cada região ficam com 6% das menções totais. Não souberam responder à questão 2%, e 11% não responderam.

     

    4. Considerações finais

    A arte pública, integrada ao design de prédios e espaços públicos, pode contribuir para aumentar o sentido de lugar, a imaginação e o interesse da população. No domínio público, a arte pode exprimir o orgulho cívico e a confiança nos campos social, cultural e econômico. (Plano Diretor de Glasglow, 2003).
    A primeira dificuldade, e talvez a primeira conclusão, é que os monumentos e esculturas expostos a céu aberto nas grandes cidades brasileiras são tratados como parte de um grande arcabouço que se convencionou chamar de “patrimônio material”, não existindo, salvo raras exceções, um departamento específico para cuidar de esculturas e monumentos. Essa situação ficou clara em algumas das respostas obtidas, nas quais o entrevistado fala em “restauro de prédios”, “conservação de praças”, mas raramente se refere diretamente às esculturas e monumentos, que seriam, grosso modo, nosso objeto de estudo inicial.
    Não obstante ao singelo número de cidades da amostragem desta pesquisa, foi possível perceber claramente a heterogeneidade das políticas e dos órgãos responsáveis no país e, sobretudo, os agentes políticos para os quais é reservada essa responsabilidade. As mesmas funções e decisões são delegadas, de município a município, para diferentes autoridades. As
    mais recorrentes estão nos Departamentos de Patrimônio Histórico e Cultural, mas também se encontram em outros setores, principalmente dentro das Secretarias de Cultura, de Meio Ambiente, de Planejamento Urbano e de Infraestrutura, além de fundações diversas.
    Algo relevante a ser considerado também é a opinião dos gestores entrevistados sobre formas de aprimorar o trato com as esculturas públicas da cidade. Um dos principais pontos negativos citados é a necessidade de fomento à produção artística. Em 2010, foram cadastradas duas obras de destaque no site do MuBE Virtual: “Cavaleiro Alado” e “Saudação ao Sol”, dos artistas Wilson Figueiredo e Erickson Campos Britto, respectivamente. Ambas foram instaladas em espaços públicos da cidade de João Pessoa, na Paraíba, no 1º Concurso Jackson Ribeiro de Arte Pública (edição de 2009). O prêmio foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, através da Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE), da Secretaria de Planejamento e da Secretaria de Infraestrutura. O fomento à produção, portanto, poderia se expressar na criação de editais e concursos como o citado, que estimulam os artistas locais e despertam a atenção da população para o tema.
    Entre outras observações, constatou-se a falta de técnicos especializados, cuja solução poderia ser o oferecimento de oficinas e cursos que dotassem os funcionários de seus departamentos com informações técnicas necessárias às suas funções. Como resultado desse trabalho de capacitação, todas as atividades da gestão pública seriam favorecidas, inclusive a catalogação do acervo de esculturas da cidade ou a formação de um núcleo próprio para a conservação e proteção do patrimônio escultórico.
    Para Lossau, “A arte no espaço público goza na atualidade de alto prestígio, e a busca por distinção de cidades e empresas faz com que os investimentos públicos e privados na produção de obras de arte para o espaço público tendam a crescer, e não a diminuir”.Enfim, a presença de monumentos em uma cidade a engrandece e fortalece suas peculiaridades históricas. Assim, espera-se que o presente trabalho tenha sensibilizado e contribuído para o pensamento otimizado da gestão pública em relação aos monumentos das cidades.

     

    Referências bibliográficas

    LOSSAU, Julia. Arte no espaço público: Sobre as relações entre as perspectivas artísticas e as expectativas das políticas de desenvolvimento urbano. GeoTextos, vol. 5, n. 1, jul 2009. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/viewArticle/3568>. Acesso em: 17 de abril de 2012.
    TRAVISANI, Tatiana. São Paulo, 29 de janeiro de 2011. Entrevista a MuBE Virtual.

    Bibliografia consultada

    MARSIGLIA, Ivan. Os gigantes de Buri. O Estado de São Paulo, São Paulo, 22 de abril de 2012. Caderno Aliás, p.8.
    OGLIARI, Elder. Obra de Resende Ameaçada. O Estado de São Paulo, São Paulo, 20 de dezembro de 2011. Caderno 2, p.9.
    SOUZA, Rose Mary. Prefeitura de Americana inicia demolição de estátuas “obesas”. Terra Notícias, 09 de janeiro de 2010. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4195659-EI8139,00-Prefeitura+de+Americana+inicia+demolicao+de+estatuas+obesas.html>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Perfil dos municípios brasileiros. Ministério da Cultura. Disponível em <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/cultura20061.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Municípios, total e com Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio ou similar, por características do conselho, segundo Grandes Regiões e classes de tamanho da população dos municípios – 2006. Ministério da Cultura. Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/tab27.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Lista dos cem municípios mais populosos do Brasil. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_cem_munic%C3%ADpios_mais_populosos_do_Brasil_(2010)>. Acesso em: 9 de maio de 2012.
    GRELLET, Fábio. No Rio, estátua sem placa deixa turistas confusos. O Estado de São Paulo, São Paulo, 6 de janeiro de 2012. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,no-rio-estatua-sem-placa-deixa-turistas-confusos,819080,0.htm>. Acesso em: 7 de maio 2012.

     

    MuBE Virtual

    Luna Recaldes e Tatiana Matteoni
    Pesquisa e produção de conteúdo
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    (Imagem da capa: Iracema Guardiã, de Silveira Neto)

     
  • MuBE Virtual 11:21 on 14/03/2012 Permalink | Reply
    Tags: , árvore, descalvado, Luiz Giacomelli   

    Um pouco da arte de Descalvado 

    O Acessa São Paulo, através de duas monitoras do posto de Descalvado: Beth Erbetta e Taniamara Paschoal, fez uma parceria com a Divisão de Cultura local, a qual disponibilizou um material com cerca de 50 obras do artista José Luiz Giacomelli Júnior. Sendo que três delas estão dispostas em espaço público, e já fazem parte do acervo do Mube Virtual. Você pode visualizá-las no nosso site:

     

     

    Semanalmente postaremos uma obra do artista. Veja abaixo mais algumas obras do artista:

    Girafa

     

    Material utilizado: galho de árvore. Tamanho: 1,20 m de altura e 0,60 m de largura. Peso aproximadamente: 4 kg.
    Descrição: Trabalho em forma de animal africano (girafa) feito com um único galho de árvore, somente as orelhas foram acrescentadas, corpo com círculos entalhados em forma de flores, coloração natural. Foi somente passado impermeabilizante e neutro para envelhecimento das flores.

    (Texto: Tatiana Matteoni das Dores)(Fonte: material disponibilizado pela Diretora da Divisão de Cultura de Descalvado, Maria Fernanda Ferrato Melo de Carvalho)

     
  • MuBE Virtual 15:11 on 06/03/2012 Permalink | Reply
    Tags: , encontro regional, , ibaté, lutécia, macatuba, marília,   

    Arte e Patrimônio + Inclusão Digital 

    Nossa equipe vem fortalecendo a parceria com o Acessa SP, programa de grande relevância pública do Estado de São Paulo

    Recentemente, o MuBE Virtual marcou presença no primeiro Encontro Regional do Acessa SP desse ano, sediado em Marília, município do interior paulista. O Encontro ocorreu no Auditório Municipal Prof. Octávio Lignelli, instalado em um grande centro cultural de uma das principais avenidas da cidade. O centro, amplo e multifacetado, também reúne a Biblioteca Municipal João Mesquita Valença, o Museu de Paleontologia, um cine-clube e o infocentro do Acessa SP.

    No dia 15 de fevereiro, durante o Encontro, apresentamos o conceito da iniciativa do MuBE e, em seguida, organizamos uma atividade em campo com os monitores: dividindo-o em grupos, saímos à “caça de esculturas” nos arredores! Para feliz surpresa, há uma grande quantidade de monumentos espalhados por ali. O resultado da atividade foi o registro fotográfico de 10 esculturas de Marília, feito pelos próprios monitores, que em breve estará disponível para visualização no site.

     

          

        

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Ao final do dia, fomos também gentilmente presenteadas pela Fabiana, responsável pela Biblioteca, que nos cedeu um livro do acervo: “Marcos e Monumentos” de Marília, inventariados por Paulo Corrêa de Lara. As informações do livro serão publicadas no site, junto com as esculturas fotografadas. Fica aqui um enorme agradecimento.

    Para nós, que nunca havíamos participado de um evento como esse, a satisfação foi completa. Muito bem organizado e pautado, lá pudemos não só testemunhar o cunho democrático e participativo do sistema do Acessa SP (em que os monitores fazem ponderações abertamente frente aos gestores), como uma efetividade real do programa em trabalhar as competências que lhe são atribuídas.

    Já no dia 01 de março participamos, pela terceira vez, de uma capacitação do programa no posto do Parque da Juventude, fixado no interior da Etec de mesmo nome. Logo, surgiram boas novidades: a monitora Débora Alves, de Ibaté, já está criando um projeto intitulado “Descobrindo esculturas da nossa cidade”. O contato com ela está sendo feito, com o intuito de ajuda-la nesse processo e fornecer algum material educativo necessário.

    Capacitação de fevereiro de 2012

    Capacitação de fevereiro de 2012

    Ontem, por sua vez, duas esculturas da cidade de Lutécia foram publicadas no site por Sônia Medeiros. Ela estava presente na capacitação, representando a Biblioteca Municipal, onde há instalado um posto do Acessa SP. Confira a postagem referente a isso no blog da Biblioteca: http://bibliotecalutecia.blogspot.com/2012/03/cadastramos-ontem-dia-05032012-no-mube.html

    Importante ressaltar também a colaboração do monitor Nelson Barbosa, de Macatuba. Ele enviou o Monumento aos Ex-combatentes, com imagens variadas de excelente qualidade e um extenso material informativo. Estará disponível em breve.

    Enfim, a parceria tem sido frutífera, ao passo em que é fortalecida e difundida entre novos monitores. Há um longo caminho pela frente, no sentido compartilhado de promover a inclusão digital nos municípios menores e o reconhecimento do patrimônio publico.

    Ao participarem, os municípios do interior paulista vão ser incluídos em um circuito cultural que, hoje, está ainda centralizado nas capitais. De outra perspectiva, as cidades poderão mapear e divulgar sua produção artística local. E avante, que ainda há um Brasil todo pela frente…

    Texto: Luna Recaldes

    Imagens: André Sobreiro, Robson Silva

     
  • MuBE Virtual 10:00 on 24/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: 458 anos, fundadores, luis morrone, , sampa, são paulo aniversário   

    Parabéns, São Paulo! 

    Amanhã,  dia 25 de janeiro,  a cidade de São Paulo completará mais um ano de ousada existência.

    Apelidada carinhosamente por Sampa, Pauliceia e “terra da garoa”, e até mesmo conhecida como a “vitrine do Brasil”, São Paulo carrega o título de metrópole global e maior centro econômico da América Latina. Também é cenário de eventos de grande repercussão cultural, como a Bienal de Arte e a São Paulo Fashion Week.

    Os atributos de que ela é dotada preencheriam uma longa lista, mas nada disso seria possível sem um ponto de partida. O Monumento aos Fundadores de São Paulo foi construído justamente para preservar e homenagear aqueles que, há quase 458 anos, se mostraram fundamentais no processo de formação da cidade.

    Composta por peça de bronze e granito rosa, o monumento foi construído entre 1952 e 1962, pelo artista plástico Luis Morrone e inaugurado em 25 de janeiro de 1963. A pedra fundamental foi lançada em 18 de outubro de 1962, aniversário da morte de Manoel da Nóbrega, tradicionalmente considerado uma das principais personagens do que se entende ser a fundação da cidade.
    Instalada originalmente na Praça Clóvis Bevilacqua, a obra ali permaneceu até inícios da década de 1970, quando em função das obras do Metrô – Estação Sé, que provocaram o desaparecimento da praça, houve necessidade de removê-lo. Assim sendo, foi transferido para a Rua Manoel da Nóbrega, ao que consta para a solicitação do próprio escultor e de José de Mello Pimenta, representante da colônia portuguesa.
    O monumento é constituído por um conjunto escultórico em que o momento da fundação aparece protagonizado por jesuítas (Padre Manoel da Nóbrega e Padre José de Anchieta) e representantes do governo português (Governador Martim Afonso), parceiros na colonização sob o signo do catolicismo.
    Sugere através da presença de João de Ramalho e Bartira a convivência pacífica entre colonizadores portugueses e povos indígenas. A obra contém ainda placas de bronze representando a primeira missa em São Paulo e a fundação de São Vicente.
    Que tal contribuir mais com a disseminação da história de São Paulo e de outras cidades?
    Aproveite esse feriado para fotografar monumentos durante seus passeios e viagens. Depois, compartilhe as imagens e informações através do MuBE Virtual. Contribua para que todo o mundo tenha acesso às riquezas da nossa arte pública!

    Texto: Luna Recaldes

    Imagens: Companhia de Restauro

     
  • MuBE Virtual 16:42 on 19/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: avenida paulista, manhã, , notícia, SBT, trianon, zorzete   

    MuBE Virtual em reportagem do SBT 

    Jornal do SBT Manhã:

    Cidadãos desconhecem personagens retratados em estátuas

    Em São Paulo, a maior parte da população desconhece os personagens históricos retratados nas estátuas. Por exemplo, na Avenida Paulista está o monumento do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, desconhecido pela maioria.

    Um aplicativo desenvolvido por um artista plástico, permite que o usuário pesquise de graça sobre as estátuas da cidade.

     

     
  • MuBE Virtual 15:49 on 10/01/2012 Permalink | Reply  

    Entrega do Monumento a Garcia Lorca 

    O Monumento a Garcia Lorca, localizado na Praça das Guianas – Jardim Paulista, havia sido restaurado, e hoje às 11h foi entregue. O evento contou com a presença do Prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab, do Secretário Municipal de Cultura, Carlos Augusto Calil, e do Secretário Adjunto da Cultura, José Roberto Sadek. Não foi possível fazer nada em frente ao monumento por conta da chuva, contudo a prefeitura montou uma tenda, onde foi realizado o atendimento à imprensa.

     

     

     

     
    (Imagens: Paulo Danilo Machado e Gil Meirelles) (Texto: Tatiana Matteoni)

     
  • MuBE Virtual 14:09 on 21/12/2011 Permalink | Reply  

    30ª Bienal de São Paulo: Iminência das Poéticas 

    A Bienal de 2012, que acontecerá no mês de setembro, terá cerca de 115 artistas participantes . A lista completa dos artistas será divulgada entre fevereiro e março. Alguns artistas já foram citados pelo curador-geral Luis Pérez-Oramas: entre os brasileiros, o concretista Waldemar Cordeiro, o neoconcretista Hélio Oiticica, Pablo Pijnappel, e Ricardo Basbaum. Segundo Oramas “a Arte latina é uma presença óbvia, um dos momentos mais vibrantes da arte está acontecendo nesse continente”.

    Luis Pérez-Oramas – Curador-geral da 30ª Bienal de Arte de São Paulo.

     

    Entre as obras da mostra, cerca de 40% serão inéditas ou comissionadas para a ocasião. O tema da exposição estabelece uma analogia entre os artistas, em que o curador venezuelano compara a uma constelação, segundo ele “as coisas só ganham significados quando estão relacionadas”   

    Além disso, Oramas cita possíveis parcerias com o MASP, Museu Paulistano, Instituto Tomie Ohtake e as Casas Museus da Prefeitura de São Paulo.

    (Imagem: http://textosensutinta.blogspot.com) (Fonte: Jornal O ESTADO DE SÃO PAULO) (Texto: Tatiana Matteoni)

     
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