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  • MuBE Virtual 14:12 on 12/03/2014 Permalink | Reply
    Tags: brusque, roteiro das esculturas, santa catarina   

    Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte 

    Brusque, Santa Catarina

    Quinze novas obras de arte passaram a fazer parte do Roteiro das Esculturas desde a última semana. As peças foram lavadas e transportadas a diferentes bairros da cidade em uma ação coordenada pelo Departamento Geral de Infraestrutura e já podem ser conferidas pela comunidade. Dentre os pontos que passam a fazer parte do roteiro estão o Fórum, Praça da Limeira, ATI do Planalto, entre outros.
    Antes de serem transportadas, as peças recebem todo o cuidado necessário para garantir o acesso das pessoas à arte e disponibilizar mais um atrativo aos turistas que visitam a cidade. Todas as obras estão dispostas sobre bases de concreto e em locais de fácil acesso da comunidade – como praças, parques, órgãos públicos e outros pontos de grande circulação.
    A iniciativa da Prefeitura de Brusque proporciona para a comunidade a democratização da cultura, contribui com o paisagismo da cidade e disponibiliza mais atrativos aos turistas que visitam o município. Ao todo, o Roteiro das Esculturas será composto por 66 peças dispostas em diferentes espaços para constituir um novo atrativo turístico para moradores e visitantes, abrangendo vários pontos do território brusquense.

    Confira a relação dos locais que receberam as obras

    Fórum
    ATI Nova Brasília
    Praça 1º de Maio
    Praça em frente ao Saragoça
    Ponte do Trabalhador
    Rotatória São Leopoldo
    UBS Limeira
    Praça Limeira
    Praça Ciro Gevaerd
    ATI do Planalto
    Praça da Azambuja, em frente ao hospital
    UBS Santa Terezinha
    Rotatória da Santa Rita
    Unifebe

     

    Fontes: EDUARDO PEREIRA. “Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte”. Prefeitura Municipal de Brusque, 24 de fevereiro de 2014.

     
  • MuBE Virtual 15:36 on 24/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: sandra brecheret, victor brecheret   

    Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo 

    Pesquisadora já doou 12 trabalhos do escultor para instituições internacionais interessadas em perpetuar o legado dele

    Doar para divulgar. E divulgar para preservar. Se depender dos interesses da escritora e pesquisadora Sandra Brecheret Pellegrini, a obra de seu pai, o escultor Victor Brecheret (1894-1955), será cada vez mais pública, conhecida e acessível. Nos últimos anos, ela vem doando para instituições de todo o mundo itens de seu pai que integram sua coleção pessoal. No total, 12 Brecherets já foram espalhados assim. E ela quer mais.
    “Pretendo doar sempre obras de meu pai. Basta que a entidade que receba dê prestígio e respaldo a Brecheret de forma eterna”, diz Sandra. Recentemente, por exemplo, a escultura Portadora de Perfume, de 1924, foi incorporada ao acervo do Senado da França e instalada em área restrita anexa ao Jardim de Luxemburgo, em Paris.

    É simbólica a volta da escultura a Paris. Feita em uma das longas passagens do escultor pela capital francesa, a obra foi premiada no Salão de Outono de Paris, em 1924. “A decisão (de fazer as doações) é minha. É uma forma de retribuir ao Brecheret e à imagem dele tudo aquilo que ele me deu”, comenta Sandra. Não é pouca coisa. Além do valor sentimental, uma obra do famoso escultor costuma ser bem cotada no mercado.

    Para fins de seguro, o Senado francês avaliou em 390 mil a Portadora – o equivalente a quase R$ 1,3 milhão. “Ele me deu um nome tão bonito, uma glória tão bonita, que estou pessoalmente deixando seu legado a instituições sérias que vão perpetuá-lo”, completa Sandra. “Nós passamos, a arte fica.”


    Acervo pessoal. À frente da Fundação Escultor Victor Brecheret, Sandra já publicou 11 livros sobre a vida e a obra de seu pai – alguns podem ser baixados, de graça, em http://www.victor.brecheret.nom.br.
    Ela afirma que ainda tem, em sua coleção particular, “dezenas” de obras assinadas pelo pai – recusa-se a especificar o número. “E estou aberta a conversar com instituições interessadas nas obras”, diz. “Minhas condições são sempre avaliando a maneira como a obra vai ser mostrada, porque o que não quero é que uma escultura de Brecheret acabe em um porão qualquer”, declara.
    Essas tratativas podem levar até três anos. E foi assim que São Francisco, de 1948, acabou na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, no ano 2000. Ou que Bailarina, de 1928, foi incorporada ao acervo da Câmara dos Deputados, em Brasília (confira ao lado a lista completa das doações).
    Aniversário. No próximo sábado, são comemorados 120 anos do nascimento de Victor Brecheret, que acabou se consagrando como o escultor de São Paulo. Nascido na italiana Farnese, emigrou para o Brasil e aqui se tornou referência do movimento Modernista. No início da década de 1920, ganhou uma bolsa de estudos do governo paulista e foi estudar em Paris.
    São do escultor diversas obras públicas em São Paulo. A mais conhecida, sem dúvida, é o Monumento às Bandeiras – chamado popularmente de “deixa que eu empurro” ou “empurra-empurra” -, próximo do Parque do Ibirapuera.
    Mas também são de Brecheret o Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel, e o Fauno, no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), entre outras.

     

    Fontes: EDISON VEIGA. “Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo”. Jornal O Estado de São Paulo, 15 de fevereiro de 2014.

    Foto: Sergio Castro/Estadão

     
  • MuBE Virtual 15:24 on 21/01/2014 Permalink | Reply
    Tags: , , recife   

    Estátuas e monumentos históricos do Recife são alvo da ação de vândalos 

    Em várias regiões da cidade, há peças pichadas ou com partes arrancadas.
    Prefeitura deve gastar cerca de R$ 50 mil na recuperação dos monumentos.

    Quem passa pelas ruas do Recife constata sem esforço: é perceptível a grande quantidade de estátuas danificadas por vândalos na cidade. Peças que deveriam prestar homenagens a personalidades e momentos históricos estão sendo desfiguradas pela ação de criminosos.

    O busto que homenageia Luiz Gonzaga na Praça do Bongi, Zona Oeste do Recife, por exemplo, foi destruído. A imagem do Rei do Baião ficou sem o chapéu e com o rosto desfigurado. Na Praça do Derby, região central da cidade, as figuras que representam divindades também foram desfiguradas. O braço de uma delas, inclusive, foi arrancado. A cabeça de outra estátua foi danificada e o pulso esquerdo dela também está quebrado.
    No Poço da Panela, Zona Norte, a escultura de um escravo que fica próximo à igreja do bairro também sofreu com o ataque de vândalos, que quebraram o braço e jogaram tinta verde nos pés da peça. No cruzamento da Avenida Norte com a Rua da Aurora, no Centro, o busto de Artur de Lima Cavalcante precisou ser retirado, só ficando no local o pedestal e a placa. A Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) informou que o peça está sendo restaurada e depois será devolvida ao espaço.
    O Monumento ao Gari, que fica na Avenida Agamenon Magalhães, em frente à Universidade de Pernambuco, também está danificado. A obra é de Abelardo da Hora e foi feita em 1972, já tendo sido recuperada uma vez, em 1999. O braço de um dos garis foi partido e a escultura tem pichações.
    De acordo com o delegado Fernando José de Souza Filho, essas ações configuram crimes contra o patrimônio público e têm punição prevista no código penal. “Esse crime de dano qualificado contra o patrimônio público tem pena de seis meses a três anos de detenção e multa, mas pode ser paga fiança. É extremamente importante que a população denuncie e informe a polícia quando souber a informação de alguém que esteja praticando esse tipo de conduta ou tenha praticado”, explica.
    A denúncia pode ser feita através do telefone da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (81) 3184-3725 ou nas delegacias dos bairros. A Emlurb afirmou que está fazendo um orçamento para recuperar os monumentos descritos na reportagem. O serviço, ainda sem prazo para começar, deve custar cerca de R$ 50 mil.

    Fonte: G1 – O Portal de Notícias da Globo

     
  • MuBE Virtual 13:28 on 25/11/2013 Permalink | Reply
    Tags: exposição, fabiano brito, ufscar, um outro gesto   

    Biblioteca da UFSCar recebe mostra gratuita do escultor Fabiano Brito 

    Exposição ‘Um Outro Gesto’ pode ser visitada até o dia 30 de novembro.
    Artista usa técnicas como modelagem de terracota e fundição em alumínio.

    A Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebe, até o dia 30 de novembro, a exposição gratuita “Um Outro Gesto”, do artista plástico e designer Fabiano Brito. O escultor, reconhecido mundialmente, apresenta obras criadas a partir de diversas técnicas, como modelagem de terracota e fundição em alumínio.
    O artista começou a esculpir quando era adolescente, inspirado no trabalho de Auguste Rodin e Neandruss de Mello Cezar. Brito abandonou as carreiras de instrutor de informática e designer gráfico para se dedicar à produção das esculturas, que impressionam pela beleza e suavidade dos traços.
    A mostra ficará no saguão da biblioteca, localizada na área norte do campus da UFSCar. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3351-8747.

    Fonte: G1 – O Portal de Notícias da Globo

     
  • MuBE Virtual 12:16 on 11/11/2013 Permalink | Reply  

    Ao nosso aniversário: 3 anos de MuBE Virtual! 

    Há exatos 3 anos, o MuBE Virtual era lançado na Internet  e, junto com o site, vinha a inovação em relação aos modelos museólogicos tradicionais. No MuBE Virtual, o acervo é apresentado ao museu pelo próprio público e composto de fora para dentro, através da colaboração dos interessados. É um espaço de memória, não apenas para armazenagem de informações, mas para reconstruir e atualizar símbolos significantes à vida social cotidiana nas cidades.

    O panorama que vem sendo formado, desde então, é um conjunto de obras que vão de símbolos de cidades como Cristo Redentor a bustos escondidos em pequenas praças do interior. Um acervo que cresce com curadoria coletiva, ou melhor, sem curadoria, aos poucos revelando amostras da arte pública brasileira reunidas num único espaço para pesquisas permanentes e futuras.

    Três jovens, de Lasar Segall

    Três jovens, de Lasar Segall

    A lógica do MuBE Virtual é simples: o internauta deve, primeiramente, efetuar um cadastro pessoal no site. A partir daí, ele se torna um usuário apto a cadastrar uma escultura, inserindo fotos e textos relacionados no banco de dados. Depois que faz o envio, o respectivo cadastro passa pela moderação e, realizadas as modificações ou adaptações necessárias, a obra é publicada no site. Todo o processo de cadastro e pesquisa é feito de forma integralmente gratuita e não-onerosa para os internautas.

    Há hoje cerca de 900 obras publicadas no site, sendo sua maioria provinda predominantemente de São Paulo, e também de outros estados como Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Não há nenhum estado sem obras publicadas, apesar da discrepância entre os números.
    Das 900 publicações, há um número aproximado de 300 diferentes autores das obras – um indicativo inegável da pluralidade de artistas brasileiros que se dedicam à Escultura, e também da vasta produção nacional e estrangeira que se encontra nas ruas das cidades.

    Enumeram-se, por outro lado, os 500 usuários inscritos no site atualmente. Segundo diagnóstico das estatísticas, pôde-se constatar que a maioria dos usuários cadastrados no site se divide em perfis profissionais comuns, em especial: professores, museólogos, publicitários, historiadores, empresários, jornalistas e, com destaque, artistas e escultores. Vários destes últimos puderam cadastrar e divulgar suas próprias obras no acervo.
    Paralelamente, o MuBE Virtual mantém este blog e um perfil no Facebook, onde são postadas notícias e reflexões a respeito de esculturas, artistas e patrimônio público. Já foram lançados, também, 26 informativos (email marketing) a um extenso mailing list, com os destaques do site, exposições pelo país, menções ao projeto na imprensa, entre outros assuntos.

    Visando a reconhecer e prestigiar o trabalho dos escultores brasileiros, o MuBE Virtual organizou uma série de entrevistas. Os entrevistados, até o presente momento, foram Elisa Bracher, Erickson Campos Britto, Luis Gagliastri, Jorge Bassani, Magoo Felix, Pado e Rodrigo (Urban Trash Art) e José Luiz Giacomelli. Neste processo, buscou-se manifestar as expressões de escultores dos mais variados estilos e linguagens.

    Dentre os principais parceiros formados na trajetória do projeto, coloca-se o Acessa SP, o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo. Em um espaço de um ano e meio, o MuBE Virtual ministrou seis capacitações aos monitores do programa, sendo duas delas em Pindamonhangaba e Marília e as restantes em São Paulo. Durante as capacitações em São Paulo, os monitores foram capacitados a operar a plataforma, apresentados a princípios do patrimônio histórico, cadastrados no site, e incentivados a observar com mais sensibilidade os locais por onde passam, registrar, fotografar e cadastrar esculturas no banco de dados. A ideia é que reproduzissem os mesmos aprendizados com os usuários que frequentam os postos do Acessa SP. Em Pindamonhangaba e Marília, houve também visitas à cidade, registro das esculturas locais e posterior cadastro das mesmas no site, feito pelos próprios monitores. Cada uma das capacitações atingiu cerca de 30 pessoas.

    Capacitação no Acessa SP

    As oficinas tiveram um aspecto educativo bastante enfático, principalmente de ordem conceitual sobre o termo “escultura”. Esse questionamento, se feito para várias pessoas, pode levantar proposições diversas, porque o termo em si não tem um significado fechado e universal. Nas oficinas, foi esclarecido que as obras esculturais são aquelas que se apresentam em relevo total ou parcial, e pertencem a estilos e escolas artísticas diversas. Há uma infinidade de materiais além dos mais comumente associados com a criação de esculturas, como mármore, cobre, granito, e bronze; consequentemente, também podem ser classificadas como duráveis ou efêmeras – nesse caso, um bom exemplo são as esculturas de areia. As esculturas também não se restringem à representação figurativa, como de pessoas ou animais definidos, mas podem ser também abstratas.
    Contudo, o inventariado do MuBE Virtual se restringe, a princípio, às esculturas duráveis e instaladas em espaços públicos. Pontualmente, o conteúdo do site foi expandido com o acervo de outros museus; já estão inclusos no banco de dados, por exemplo, as obras externas do Museu Brasileiro da Escultura, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial da América Latina, entre outros, graças à formação de parcerias com estas instituições.

    Escultura do MAM/BA

    O MuBE Virtual também promoveu o passeio “A Escultura Paulistana na Modernidade”, em junho de 2012, direcionado a artistas, museólogos, historiadores, estudantes, gestores culturais, e demais interessados na área. Nesta oficina, os 20 participantes percorreram o centro de São Paulo e ouviram um relato histórico das esculturas que provinham do século XIX até meados do século XX.

    "A Escultura Paulistana na Modernidade", ministrada por Sérgio de Simone

    Em todas as oficinas supracitadas, houve a distribuição de cartilhas educativas, incluindo, por exemplo, o mapa da região com a marcação geoespacial das obras a serem visitadas.
    Em junho de 2011, com o objetivo de acompanhar as mudanças de seu tempo, o MuBE Virtual lançou um aplicativo gratuito para Iphone, que disponibiliza hoje 400 obras para visualização. Nela, o usuário pode pesquisar as esculturas de cada estado e cidade e a partir de sua localização, traçar uma rota até a escultura buscada. Os dados do aplicativo são os mesmos da plataforma online. Através dessas consultas, o transeunte adquire informações do espaço urbano em tempo real.

    Aplicativo para smartphone do MuBE Virtual

    Pelo seu caráter fundamentalmente artístico e tecnológico, MuBE Virtual foi citado e utilizado como referência em congressos, como o #10 ART – Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, em Brasília; o Simpósio Rumos Arte Cibernética 2011, em São Paulo; e na Palestra Cidades em Rede, na FAU/USP, também em São Paulo. Além disso, foi pauta da Revista Mundo Jovem de agosto de 2011, distribuída em todas as escolas públicas do Brasil (artigo de Tatiana Travisani).
    Por outro viés, o MuBE Virtual, desde sua fundação, promoveu o contato com secretarias e órgãos de Governo de todo o país, a fim de apresentar-lhes a plataforma, e incentivá-los a publicar as esculturas e monumentos de suas cidades no banco de dados. Este cadastro poderia ser concebido de duas formas: de tal maneira que os próprios servidores públicos publicassem o inventário dos municípios ou, que estes inventários fossem encaminhados e disponibilizados à equipe do projeto, em São Paulo. Ao todo, foram feitas mais de 100 ligações, e 3600 emails foram enviados; ainda assim, esta ação teve poucos resultados bem-sucedidos.

    Sob orientação de acadêmicos, o MuBE Virtual também publicou estudo intitulado “Politicas Públicas para Escultura Brasileira”, na 10ª Semana de Museus do IBRAM. A pesquisa (disponível em http://goo.gl/It5A1F) visou a uma constatação e reflexão do que tem sido feito pelo Estado no tratamento com o patrimônio artístico público, com uma investigação mais focada sobre as políticas vigentes nesse sentido. Por meio de uma pesquisa qualitativa, gestores de patrimônio das 50 cidades mais populosas do país (IBGE, 2010) foram questionados sobre as suas atribuições e responsabilidades, os critérios para a escolha e instalação de obras e as últimas ações de conservação e restauro das esculturas de seus municípios; obtendo-se, assim, um diagnóstico plausível da heterogeneidade das políticas para patrimônio dentro do território nacional.

    Após preparar esta retrospectiva, prevalece o feliz sentimento de que foram, enfim, 3 anos de intensa produção. Mas não paramos por aqui: ainda faltam muitas localidades a serem alcançadas, e projetos paralelos de cunho cultural e educativo a serem desenvolvidos.

    Que tal comemorar conosco? Saia às ruas, fotografe, publique: compartilhe a arte do nosso país com o mundo!

     Texto: Luna Recaldes

     
  • MuBE Virtual 11:37 on 22/06/2012 Permalink | Reply
    Tags: eco 92, frans krajcberg, jardim botânico de curitiba, natureza, nova viçosa, rio +20, sustentabilidade   

    Defesa da Natureza por meio da Arte 

    Frans Krajcberg não é apenas consagrado no mundo todo por seu trabalho, mas também um pioneiro na arte que produz. Um dos maiores artistas plásticos ainda vivos no século XX, certamente não existe conceito ou estética igual à que ele construiu por meio de suas obras.

    Não há liberdade nem defesa para viver. Essa é a grande motivação de um artista singular, que “desperdiçou” boa parte de seus raros 91 anos nas entranhas dos trópicos; num país que sequer lhe confere a devida relevância. O Brasil, que vive um momento acalorado com a Rio+20, parece esquecer que, há exatos 20 anos, Krajcberg era o grande nome da Eco-92, com sua proposta artística cheia de significado.

     

    Obra de Frans Krajcberg no Jardim Botânico de Curitiba (2003)

                                                            Obra de Frans Krajcberg no Jardim Botânico de Curitiba (2003)

     

    Krajcberg nasceu em Kozienice, na Polônia, no ano de 1921. Sua mãe era líder do partido comunista no país e, segundo ele, foi ela quem o inspirou a pensar e agir politicamente. Durante a Segunda Guerra Mundial, o artista de origem judaica perdeu toda sua família em um campo de concentração, e desde então vem tentando lidar com a irracionalidade humana.

    Quando criança, gostava da natureza. Mais tarde, foi a natureza que lhe deu forças para prosseguir, quando ele passou a entender que a arte, em toda sua organicidade, também deveria participar desse processo.

    Estudou Engenharia e Artes na Universidade de Leningrado e posteriormente ingressou na Academia de Belas Artes de Stuttgart, na Alemanha. Em 1948, imigrou para o Brasil, no Rio de Janeiro. Uma semana depois, partiu para São Paulo, onde trabalhou como encarregado da manutenção do MAM.

    Em 1951, teve duas de suas pinturas expostas na 1ª Bienal Internacional de São Paulo. Mudou-se para o Paraná, onde trabalhou como engenheiro por um tempo. Contudo, decidiu se isolar na mata para poder pintar e fotografar, sendo essa a forma que encontrou para se afastar do homem.

    Hoje, vive no Sítio Natural, em Nova Viçosa, no sul da Bahia, onde também se encontram as suas obras que resistem às ofertas e tentativas do mercado das Artes.

    Em 2005, o artista doou um acervo com cerca de 110 esculturas para a Fundação Cultural de Curitiba, obras essas que foram reunidas no Jardim botânico da cidade. Sob o governo de Jaime Lerner, na época, a capital paranaense visava a urbanização e a sustentabilidade. Curitiba havia se candidatado, inclusive, ao título de “Cidade Mundial da Ecologia”. Krajcberg, que ali havia morado nos anos 50, ficou entusiasmado com a notícia.

    Tempos depois, ele foi informado de que suas obras estavam em estado precário, por falta de cuidados. Além disso, o local em que as esculturas se encontravam havia permanecido fechado por mais de um ano, sem que ele fosse informado.

    De acordo com Paulino Viapiana, Presidente da Fundação Cultural de Curitiba, em 2005 foi feito um diagnóstico de todos os centros culturais do município. O Centro de Conservação e Restauro da Universidade Federal de Minas Gerais constatou que o Espaço Frans Krajcberg não era adequado às obras, feitas com material orgânico, as quais poderiam facilmente se deteriorar.

    Em novembro de 2008, um projeto para recuperação dessas esculturas e adequação do espaço foi criado. Foram captados R$ 308 mil, mas para iniciar a restauração seria necessária a autorização do artista. Segundo Viapiana, Krajcberg se recusou a autorizar o serviço.

    A indústria de cosméticos Boticário assumiria o Espaço Frans Krajcberg e as obras teriam de ser retiradas. Inconformado com a situação, o artista resolveu reagir acionando a justiça e exigindo suas esculturas de volta. Entretanto, Curitiba não quis abrir mão delas e Krajcberg se viu impelido a tomar outra atitude polêmica: mobilizou pessoalmente uma equipe para retirar suas obras do Parque; cobrindo, do próprio bolso, as despesas de manuseio e transporte para um novo destino: a Bahia.

    De acordo com o artista, em declaração para o jornal O Estado de S. Paulo, a situação foi humilhante. “Além de encontrar meus trabalhos quebrados, o novo dono do parque me disse para eu sair de lá. Tenho testemunhas disso. Eu fui a Curitiba ver o estrago, lamentável… Que outro artista no mundo doou, de uma vez, 110 esculturas, fora relevos, fotos, livros? Quem? Quando fui retirar as peças, me disseram para levar tudo, para não deixar nada, para limpar o lugar. Era meu trabalho de anos! Onde vou encontrar a mesma pedra? Onde vou achar aquele mesmo galho?”.

    A arte no Brasil, tanto quanto a natureza, pede socorro.

     Curiosidades:

    Confira também o trailer do documentário “O Grito de Krajcberg”:

    http://www.youtube.com/watch?v=pqTM-p568CM

     Crítica ao desmatamento:

    http://www.youtube.com/watch?v=Rn7yIn_RrHY

     

    Referência: Estado de São Paulo – Caderno Aliás, pg 5, 17 de junho de 2012

    Texto: Luna Recaldes e Tatiana Matteoni

    Imagem: Companhia de Restauro

     
  • MuBE Virtual 16:17 on 14/05/2012 Permalink | Reply
    Tags: conservação, cultura, , espaços públicos, gestores, ibram, , patrimônio cultural, pesquisa, políticas públicas, semana de museus   

    Pesquisa Políticas Públicas para a Escultura Brasileira 

    Um estudo para a 10ª Semana Nacional de Museus

    1. Introdução

    O Museu Brasileiro da Escultura Virtual (MuBE Virtual) é o primeiro banco de dados da escultura brasileira.
    Essa simplória definição, contudo, pode suscitar dúvidas aos leitores: como pode um museu ser virtual? De que forma é possível “colocar” esculturas em um banco de dados?
    O restaurador e empresário Francisco Zorzete tinha essas mesmas perguntas, sobre como viabilizar um grande sonho: reunir todas as esculturas do país em um só lugar e, sobretudo, disponibilizar esse conteúdo para qualquer pessoa.
    Com o passar dos anos, veio a resposta: a Internet se ampliou de tal forma que não poderia haver melhor mecanismo para o livre compartilhamento de dados. A proposta então foi a criação de um site, que hospedaria fotos e informações sobre as esculturas. Este é o museu virtual: a arte sendo colocada em exposição digitalmente. O diferencial do MuBE Virtual está na autoria do inventariado, que é o próprio público. O site é colaborativo e alimentado, principalmente, por pessoas que fotografam esculturas de suas cidades ou locais por onde passam, coletam informações sobre elas (muitas vezes, pela própria Internet) e cadastram as obras no banco de dados. O museu, no século XXI, consegue inverter seu processo tradicional: agora, o conteúdo vem de fora para dentro.
    Outra pergunta, contudo, vem à mente: o que define escultura?
    Esse questionamento, se feito para várias pessoas, pode levantar conceituações diversas, porque o termo em si não tem um significado fechado e universal. Para Tatiana Travisani, doutoranda em Artes Visuais pela ECA/USP, as obras esculturais são aquelas que se apresentam em relevo total ou parcial e pertencem a estilos e escolas artísticas diversas. “Há uma infinidade de materiais além dos mais comumente associados com a criação de esculturas, como mármore, cobre, granito, e bronze; consequentemente, também podem ser classificadas como duráveis ou efêmeras – nesse caso, um bom exemplo são as esculturas de areia. Não se restringem à representação figurativa, como de pessoas ou animais definidos, mas podem ser também abstratas”.
    Ela enfatiza, notoriamente, que o conceito de escultura abrange desde as suntuosas obras renascentistas até as mais populares, como as de barro em Caruaru (Pernambuco).
    O inventariado, a princípio, se limita às esculturas duráveis e instaladas em espaços públicos. Recentemente, o conteúdo tem sido expandido com o acervo de outros museus; já estão inclusos no banco de dados, por exemplo, as obras do Museu Brasileiro da Escultura, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial da América Latina, entre outros. A maioria das obras cadastradas se encontra em logradouros diversos: ruas, avenidas, praças e parques.
    Por tratar intimamente da esfera pública, o projeto passou a colecionar uma série de casos e notícias relacionadas à instalação e preservação de esculturas nos espaços urbanos. Lançado oficialmente em novembro de 2010, tem encarado o desafio não só de catalogar esculturas como também de criar uma percepção da situação atual do patrimônio artístico brasileiro e incentivar a população, na medida do possível, a reconhecer e se apropriar do que lhe pertence por direito.
    O presente trabalho visa a uma constatação e reflexão do que tem sido feito pelo Estado no tratamento com o patrimônio artístico público, com uma investigação mais focada sobre as políticas vigentes nesse sentido. Por meio de uma pesquisa qualitativa, gestores de patrimônio das 50 cidades mais populosas do país (IBGE, 2010) foram questionados, por telefone, sobre as suas atribuições e responsabilidades, os critérios para a escolha e instalação de obras e as últimas ações de conservação e restauro das esculturas de seus municípios; obtendo-se, assim, um diagnóstico plausível da heterogeneidade das políticas para patrimônio dentro do território nacional.
    Este trabalho foi desenvolvido para ser apresentado publicamente e disponibilizado online durante a 10ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), de 14 a 20 de maio de 2012. O tema deste ano é “Museus em um Mundo em Transformação: novos desafios, novas inspirações”.

    Bancos de dados de esculturas ao redor do mundo

    A iniciativa de inventariar o patrimônio escultórico não é inédita no mundo, embora no Brasil não se conheça outro banco de dados colaborativo e abrangente como o MuBE Virtual. Guias impressos de esculturas de vários países existem em grande quantidade, mas essas publicações em geral são comissionadas por órgãos públicos ou associações interessadas. Já no ambiente digital, esse trabalho é recente. Apesar de alguns museus investirem na digitalização de seus acervos e disponibilização dessas informações online, ainda há uma grande carência de inventários das obras tridimensionais situadas em espaços
    públicos. Existem sites que abordam locais específicos, municípios ou regiões. Poucos são os que possuem conteúdo detalhado e apresentado de maneira didática, com fichas das esculturas para pesquisa gratuita.
    O MuBE Virtual busca catalogar e divulgar todas as esculturas brasileiras, sem julgamentos de mérito ou restrições, e com a participação popular. Essa característica torna a colaboração da sociedade civil uma importante ferramenta para a concretização do trabalho, mas coloca também nas mãos dos órgãos públicos a responsabilidade de inventariar seus acervos, ou pelo menos colaborar para esse registro, aproveitando a oportunidade e a existência desse site.

     

    2. Logradouros públicos: quando a arte passa a pertencer a todos

    É notável que a população não se apropria do que lhe pertence, ou seja, daquilo é público. Essa relação não é diferente no que diz respeito às obras de arte expostas nas cidades, que muitas vezes passam despercebidas, são ignoradas, vandalizadas e até confundidas.
    Em janeiro deste ano, o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria que abordava, entre outros fatos, o caso de um turista confuso no Rio de Janeiro. Ele e a esposa tiravam foto ao lado de uma estátua instalada em frente ao Hotel Copacabana Palace, imaginando ser o homenageado o proprietário do local, quando na verdade trata-se da representação do jornalista Ibrahim Sued (1924-1995). Colunista social, ele frequentava o hotel e ali conseguiu vários furos jornalísticos.
    Esse problema recorrente se deve à falta de informações mais substanciosas nas placas, ou mesmo sua ausência, o que acaba desqualificando as obras como potenciais “contadoras de história”. Com um olhar atento, é possível observar outros problemas ainda mais relevantes, como o desgaste provocado pelo tempo, a depredação, o furto de peças e a ausência generalizada de requalificação urbana e paisagística ao redor de estátuas, bustos, fontes, chafarizes, hermas e outros tipos de arte monumental.
    A primeira impressão é de que os transeuntes, ao passarem diariamente pelas obras, estão alheios a essa realidade. Apesar disso, durante sua trajetória a equipe do MuBE Virtual pode notar, com alguma satisfação, que muitas esculturas causam interesse, comoção e até mesmo movimentações políticas por parte da sociedade ou de grupos específicos. Esses monumentos acabam por ganhar destaque e prioridade na agenda do poder público, o qual passa a se envolver mais enfaticamente em questões relacionadas.

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50 m de comprimento e 16m de altura.  Foto: Leandro Caproni

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50m de comprimento e 16m de altura. Foto: Leandro Caproni

    O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, quase dispensa comentários. É o exemplo máximo de valor agregado para uma obra de arte no país, sendo simultaneamente uma das sete maravilhas do mundo, um dos maiores pontos turísticos do Brasil e um santuário católico. No ano de 2011, quando completou 80 anos de inauguração, uma extensa programação foi elaborada pela prefeitura e pelo governo do Estado, que abrangia desde homenagens da Quadrilha da Fumaça e realização de um grande show até a celebração de missas, inauguração de novos monumentos e a notável exposição “Cristo Redentor para Todos”, que espalhou 25 réplicas menores da estátua pelo Brasil e outros países.
    Outro exemplo de relação amistosa é a que se fez entre o público e a obra “Olhos Atentos”, de José Resende. Em 2005, essa colossal escultura de ferro compôs a Bienal do Mercosul, foi presenteada no mesmo ano à cidade de Porto Alegre (RS) e, então, instalada às margens do Lago Guaíba. Logo se integrou ao ambiente e à rotina das pessoas, que subiam nela para observar o lago e tirar fotos.

    Olhos Atentos, de José Resende Foto: Francielle Caetano

    Olhos Atentos, de José Resende. Foto: Francielle Caetano

    Em 2009, contudo, a obra foi interditada pelo desgaste de seus materiais e pela corrosão parcial da grade do chão. Ao final de 2011, a Prefeitura planejava retirar a obra do local, sem ter anunciado qualquer medida de restauro e conservação, fato que teve grande repercussão na cidade. Em protestos pelas redes sociais, cidadãos pediam a não interferência do poder público em obras de arte e clamavam pela manutenção da estrutura. Por fim, foi decidido manter a obra e restaurá-la.
    Por outro lado, em Buri e Americana (SP), ocorreram duas situações nas quais a posição da população, frente à Prefeitura, foi no sentido oposto: pedindo pela demolição de monumentos.
    O Tubarão é uma escultura instalada em Buri, cidade de uma região de rios e lagos no sudoeste de São Paulo. A princípio, dentro da obra funcionava um restaurante. Feita em cimento, gesso e alvenaria, com 28m de cumprimento, a estrutura hoje está vazia e deteriorada, o que não agrada à população. Por esse motivo, blogueiros da cidade se mobilizaram a favor de sua destruição.
    As proporções da polêmica na cidade de Americana foram ainda maiores. A prefeitura requereu a construção de um pórtico para a cidade, inicialmente denominado Portal Princesa Tecelã, com o propósito de homenagear a cultura têxtil, atividade econômica de destaque no município. O pórtico, que custou R$ 760 mil, era ladeado pelas estátuas rechonchudas e seminuas de um homem e de uma mulher, que descontentaram muito a população local. As figuras tiveram grande repercussão pela cidade e foram ridicularizadas a ponto de serem levadas a debate na Câmara Municipal.
    A prefeitura, por meio da internet e postos espalhados pelo município, decidiu realizar uma enquete. Das 3,4 mil pessoas que votaram, 99,8% se mostraram insatisfeitas com a obra; 53,6% pediam modificações, especialmente nas estátuas de concreto, cada uma com altura de 8m e pesando 60 toneladas.
    O monumento recebeu o apelido de Portal da Discórdia. Em 7 de janeiro de 2010, iniciou-se afinal o trabalho de demolição das estátuas.

     

    3. As políticas públicas das grandes cidades brasileiras

    O caso do Portal de Americana é um referencial para discutir as diretrizes e a aplicabilidade das políticas do município para a arte pública. Por vezes as perspectivas da população, fragmentada e plural, não estão em sintonia com as expectativas geradas pelo poder público. Evidência disso é que tal situação poderia ter sido evitada, caso a enquete fosse
    sido feita antes da elaboração do projeto do Portal, orientando o artista quanto às expectativas dos habitantes de Americana.
    Para Kaernbach, “as obras devem se relacionar com o local e o entorno, respeitando suas especificidades, ou seja, não são escolhidas arbitrariamente e não devem cumprir papel puramente decorativo”. Pensando assim, os exemplos anteriores suscitam uma série de outras questões: quem define os critérios para a instalação de monumentos nas ruas, praças e parques? Quais são as secretarias, departamentos e demais órgãos responsáveis pelo patrimônio artístico e sua proteção? A verba destinada a ações relacionadas provém somente da prefeitura?
    A proposta desta pesquisa é a de fomentar a discussão sobre a gestão e conservação das esculturas e monumentos expostos em espaços públicos no Brasil. O artigo 30 da Constituição Federal diz que compete ao município promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. No entanto, não sabemos quais são as ações locais voltadas à preservação e conservação de tais obras nos municípios. Esse foi o principal objetivo: traçar um painel de como essas práticas vêm se articulando – se é que elas existem.
    Já na primeira etapa da pesquisa, cujo foco foi estudar os 50 maiores municípios mais populosos do Brasil, segundo dados do censo 2010 do IBGE, percebemos as dificuldades em lidar com as diferentes formas de tratar o assunto em cada uma das cidades consultadas. Desse modo, realizar uma pesquisa que abrangesse os mais de cinco mil municípios do país e toda a sua heterogeneidade seria uma tarefa além de nossas ambições e necessidades.
    Nesta fase do trabalho, a proposta foi sondar esses 50 municípios com o intuito de investigar como se tem organizado tais políticas. Mesmo utilizando esse recorte em muitos dos municípios abordados, conforme veremos adiante, não foram encontradas as informações desejadas ou nem mesmo a pessoa habilitada a responder sobre o assunto.

    Sabemos que, dos 5565 municípios brasileiros, segundo dados do Ministério da Cultura, cerca de 740 (ou cerca de 13%) deles possuem algum tipo de conselho municipal voltado à preservação do patrimônio público, a maior parte na região Sudeste (619) e na região Sul (79). Isso indica a falta de políticas direcionadas aos bens patrimoniais nos estados das demais regiões.
    Já quanto à existência de legislação municipal que verse especificamente sobre a proteção ao patrimônio cultural, os números são um pouco maiores: 984 deles, cerca de 19,5%, possuem legislação, sendo 654 na região Sudeste e 157 na Sul. Mais uma vez, verificamos a predominância dessas duas regiões. A exceção fica com a região nordeste, na qual 101 cidades possuem legislação específica e 24 contam com conselhos municipais, reflexo da participação de grandes cidades históricas e seu entorno, que apresentam rico acervo escultórico e patrimonial.
    Mas como os representantes desses 50 maiores municípios se comportam quando perguntados sobre suas políticas e práticas no que concerne às esculturas e monumentos expostos em espaços públicos? Lidar com a burocracia e com as diferentes nomenclaturas foi a primeira das barreiras encontradas, muitas delas intransponíveis pela falta de informações.
    Se tivéssemos o intuito de pesquisar sobre teatro, por exemplo, poderíamos telefonar para as Secretarias de Cultura e perguntar sobre o departamento de teatro. Certamente seríamos direcionados a um responsável específico da área. Com as obras e monumentos expostos em espaços públicos, não é sempre o que acontece. Procuraremos adiante revelar os números desta sondagem inicial, assim como realizar algumas inferências baseadas em exemplos individuais.

     

    A Pesquisa

    Parte 1 – Os entrevistados

    Definidos os 50 municípios que compuseram a amostra desta etapa preliminar do trabalho, partimos para o processo de contato. Em primeiro lugar, identificando via Internet qual o departamento responsável, o telefone e, se possível, a pessoa encarregada. As entrevistas foram feitas por telefone ou respondidas por e-mail.
    Desse contato, surgiu nosso primeiro tema para análise: notamos que quase metade dos respondentes, 46% da amostra, era composta de profissionais de alto escalão dentro das secretarias, como diretores e chefes de divisão de patrimônio. Em segundo lugar, com 31%, encontramos técnicos e arquitetos, ou seja, cargos mais voltados à prática de campo. Os demais se dividem entre diretores de museus, historiadores e secretários de cultura.
    A qualificação dos entrevistados revela que a pesquisa conseguiu atingir às pessoas no escalão indicado para prestar as informações necessárias. Lidar com a questão do patrimônio envolve certa envergadura, que mescla questões de cunho acadêmico com conhecimento técnico específico da área.

    Parte 2 – O cuidado com o patrimônio

    Perguntados sobre a existência de um órgão específico voltado à proteção do patrimônio, 77% dos entrevistados responderam positivamente à questão. As demais respostas foram: não possui, ou está em implantação (15%), dividem a responsabilidade de cuidar do patrimônio com outros órgãos ou entidades da sociedade civil (8%). Percebe-se nessa questão a preocupação nas grandes cidades com a questão da conservação do patrimônio material e das obras de arte presentes em espaços públicos, já que a grande maioria possui ou está prestes a possuir alguma instância específica para tratar dessas questões.
    Por meio dos resultados obtidos, procurou-se investigar um pouco sobre a estrutura desses órgãos. A esse respeito, 18% dos entrevistados declararam que a responsabilidade é compartilhada com outros órgãos da esfera estadual, federal ou ainda, em alguns casos, com entidades civis, ONGs, proprietários de imóveis via isenção fiscal, igrejas e museus.
    Iguais 18% responderam que sua atuação se limita à catalogação e inventário do acervo dos municípios, não especificando se tratam somente das obras expostas a céu aberto ou de todo o acervo patrimonial, ou mesmo de conservação de logradouros e prédios públicos. A manutenção fica a cargo de outras instâncias. Isso evidencia a resposta dos 16% que afirmaram que a manutenção das obras é feita pela prefeitura ou pela secretaria de meio ambiente, por exemplo, sem a interferência direta do departamento.
    Em alguns casos, com 2% das respostas, o restauro ou manutenção é feito em função da reforma ou requalificação do local onde a obra é exposta. Cerca de 6% dos entrevistados citaram a educação patrimonial com o objetivo de divulgar a memória e a história cultural dos municípios e 4% deles afirmaram que o órgão atua na captação de recursos e direcionamento das verbas municipais destinadas à conservação/preservação. Outros 12% afirmaram que o departamento atua em diferentes áreas, envolvendo o patrimônio material, imaterial e no fomento de festividades diversas.
    Outro dado importante diz respeito às ações específicas de manutenção e restauro. É pequena a porcentagem (4%) dos que executam diretamente tais funções. Por outro lado, um número bem próximo desse último, totalizando 6% das respostas, afirma atuar somente nos casos de bens tombados, não havendo uma política de conservação voltada especificamente para esculturas e monumentos.
    Ainda nessa linha, com 4% em termos de menções, encontramos os departamentos que se restringem ao monitoramento, acompanhamento e à simples manutenção das obras de interesse artístico/arquitetônico previamente tombados.
    As demais respostas sobre a função do departamento, com em média 1% cada, se dividem em diversas menções, algumas delas fora do contexto, como por exemplo “o simples cumprimento da legislação específica”, a observação de que as políticas de conservação estão “em projeto”, a divisão da cidade em zonas de interesse para maior controle e intervenção, e ainda os que não souberam responder quais as funções de seu departamento na preservação do patrimônio.
    Frente a esse quadro de atribuições, os entrevistados foram questionados quanto ao papel do órgão ou departamento responsável especificamente pela conservação, e se o mesmo cumpria a contento sua missão. Obteve-se um relativo equilíbrio nas respostas: 32% afirmaram que sim, 25% que não. Cerca de 8% disseram que sim, porém com ressalvas; 5% afirmaram que sim, apesar de terem que lidar com o ônus de complexas questões político-burocráticas. Em outros 5% das respostas a questão não se aplicava, pelo fato do município não dispor de órgão competente, e 25% não responderam à questão.
    Aos 25% que responderam não estarem satisfeitos com a atuação de seu departamento, foi questionado o que poderia ser feito para que a situação melhorasse. A questão da mão de obra especializada e da melhor capacitação técnica do pessoal dos departamentos somou 15% das respostas. Outros 10% informaram que é preciso dar continuidade ao processo de inventário do acervo que, em muitos casos, está defasado. Nesses casos, vale a máxima de que é preciso conhecer para melhor intervir.
    Cerca de 20% dos entrevistados relataram problemas diversos sobre a ordem econômica, como a falta de verbas e de editais, ou a necessidade de melhoria dos espaços físicos ocupados pelos departamentos. A precária situação das esculturas e monumentos também foi lembrada por 15% dos entrevistados. Relataram-se problemas como o excesso de pichação e a falta de cuidado com obras de arte emblemáticas para a cidade. Segundo os entrevistados, a inexistência de tradição na conservação (5%) e o excesso de burocracia (5%) impedem ações efetivas e, por último, a falta de instalação de novas obras foi lembrada por outros 5%. Cerca de 25% dos entrevistados optou por não responder a esta questão.

    Parte 3 – As leis de incentivo

    A criação de leis de incentivo à cultura baseadas em renúncia fiscal ou em investimento direto trouxe um grande dinamismo ao setor cultural nas últimas décadas. Os entrevistados foram questionados se os municípios possuem suas próprias leis e, num segundo momento, se essas leis são eficazes no sentido de trazerem investimentos voltados à
    conservação do patrimônio público. Do total de entrevistados, 54% afirmaram que sim, 8% que não e 6% que a lei está em projeto ou em fase de aprovação na câmara; 32% não responderam à questão.
    Aos entrevistados dos municípios que possuem ou se utilizam das leis de incentivo, perguntamos como ela funciona e verificamos que cerca de 25% das respostas indicaram que tais leis se baseiam em fundos locais de incentivo à cultura, permutas com proprietários e renúncia fiscal. Cerca de 15% delas se baseiam em proposições do próprio cidadão, produtores culturais ou mesmo dos próprios artistas/autores.
    A questão da destinação dos recursos foi lembrada por outros 15% dos entrevistados: a lei existe, contempla restauro e conservação de obras públicas e monumentos, mas é pouco utilizada para esse fim, abrangendo a questão do patrimônio de modo amplo. As demais menções, pulverizadas em várias respostas diferentes, porém com pequenas variações, dizem respeito a leis que obrigam a instalação de esculturas na entrada de prédios, leis em fase de elaboração e a ressalva de que, na verdade, o que mais se faz são simples reformas e não restauro. Cerca de 30% dos entrevistados não responderam a esta questão.
    A todos os representantes das cidades, também foi perguntado se já se valeram de alguma lei de incentivo que não a local para a realização ou restauração de obras. Pouco menos da metade deles (46%) responderam que sim, e 31% que não. Tentativas e estudos visando à utilização da lei foram citados por 9 %, e 14% não responderam à questão.

    Parte 4 – Novas ações

    Na última parte de nossa pesquisa, os entrevistados responderam sobre as ações na área de conservação e os critérios para escolha de novas esculturas públicas em suas cidades. Aproximadamente 34% dos entrevistados citaram exemplos de obras específicas, como o restauro de casarões e paineis de azulejos, a transferência de paineis de azulejos e o restauro de portal do cemitério, entre outros.
    A ação emergencial, com 18% das menções, parece ser o que mais fomenta a necessidade de conservação e restauro de esculturas e monumentos expostos a céu aberto. A depredação, vandalismo e pichação das obras demandam muito trabalho às equipes, que sempre têm alguma limpeza, reparação ou restauração a realizar. Em torno de 12% declararam ter realizado restauro de esculturas de artistas locais com grande sucesso, algumas vezes com a participação do governo federal.
    Os que mencionaram não terem feito nenhuma ação recente somaram 7%; os que reportaram dificuldades diversas ligadas à burocracia, falta de recursos materiais e humanos, entre outras, perfazem 6%. Alguns entrevistados (5%) não souberam responder a esta questão e 18% não a responderam.
    Quando perguntados sobre os critérios para instalação de novas obras, a maioria (34%) afirmou que a decisão de escolha depende de diferentes tipos de comissões, compostas por membros de órgãos diversos. Essas comissões, por sua vez, são formadas por arquitetos, urbanistas, docentes de universidades e de curadores, que realizam o processo de avaliação. Em muitos casos (34%), quem escolhe é a própria prefeitura, seja através de editais e concursos, seja por escolha pessoal do próprio prefeito.
    Critérios paisagísticos e ambientais foram citados por 13% dos entrevistados e aspectos ligados à história da cidade ou de artistas que representam características de cada região ficam com 6% das menções totais. Não souberam responder à questão 2%, e 11% não responderam.

     

    4. Considerações finais

    A arte pública, integrada ao design de prédios e espaços públicos, pode contribuir para aumentar o sentido de lugar, a imaginação e o interesse da população. No domínio público, a arte pode exprimir o orgulho cívico e a confiança nos campos social, cultural e econômico. (Plano Diretor de Glasglow, 2003).
    A primeira dificuldade, e talvez a primeira conclusão, é que os monumentos e esculturas expostos a céu aberto nas grandes cidades brasileiras são tratados como parte de um grande arcabouço que se convencionou chamar de “patrimônio material”, não existindo, salvo raras exceções, um departamento específico para cuidar de esculturas e monumentos. Essa situação ficou clara em algumas das respostas obtidas, nas quais o entrevistado fala em “restauro de prédios”, “conservação de praças”, mas raramente se refere diretamente às esculturas e monumentos, que seriam, grosso modo, nosso objeto de estudo inicial.
    Não obstante ao singelo número de cidades da amostragem desta pesquisa, foi possível perceber claramente a heterogeneidade das políticas e dos órgãos responsáveis no país e, sobretudo, os agentes políticos para os quais é reservada essa responsabilidade. As mesmas funções e decisões são delegadas, de município a município, para diferentes autoridades. As
    mais recorrentes estão nos Departamentos de Patrimônio Histórico e Cultural, mas também se encontram em outros setores, principalmente dentro das Secretarias de Cultura, de Meio Ambiente, de Planejamento Urbano e de Infraestrutura, além de fundações diversas.
    Algo relevante a ser considerado também é a opinião dos gestores entrevistados sobre formas de aprimorar o trato com as esculturas públicas da cidade. Um dos principais pontos negativos citados é a necessidade de fomento à produção artística. Em 2010, foram cadastradas duas obras de destaque no site do MuBE Virtual: “Cavaleiro Alado” e “Saudação ao Sol”, dos artistas Wilson Figueiredo e Erickson Campos Britto, respectivamente. Ambas foram instaladas em espaços públicos da cidade de João Pessoa, na Paraíba, no 1º Concurso Jackson Ribeiro de Arte Pública (edição de 2009). O prêmio foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, através da Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE), da Secretaria de Planejamento e da Secretaria de Infraestrutura. O fomento à produção, portanto, poderia se expressar na criação de editais e concursos como o citado, que estimulam os artistas locais e despertam a atenção da população para o tema.
    Entre outras observações, constatou-se a falta de técnicos especializados, cuja solução poderia ser o oferecimento de oficinas e cursos que dotassem os funcionários de seus departamentos com informações técnicas necessárias às suas funções. Como resultado desse trabalho de capacitação, todas as atividades da gestão pública seriam favorecidas, inclusive a catalogação do acervo de esculturas da cidade ou a formação de um núcleo próprio para a conservação e proteção do patrimônio escultórico.
    Para Lossau, “A arte no espaço público goza na atualidade de alto prestígio, e a busca por distinção de cidades e empresas faz com que os investimentos públicos e privados na produção de obras de arte para o espaço público tendam a crescer, e não a diminuir”.Enfim, a presença de monumentos em uma cidade a engrandece e fortalece suas peculiaridades históricas. Assim, espera-se que o presente trabalho tenha sensibilizado e contribuído para o pensamento otimizado da gestão pública em relação aos monumentos das cidades.

     

    Referências bibliográficas

    LOSSAU, Julia. Arte no espaço público: Sobre as relações entre as perspectivas artísticas e as expectativas das políticas de desenvolvimento urbano. GeoTextos, vol. 5, n. 1, jul 2009. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/viewArticle/3568>. Acesso em: 17 de abril de 2012.
    TRAVISANI, Tatiana. São Paulo, 29 de janeiro de 2011. Entrevista a MuBE Virtual.

    Bibliografia consultada

    MARSIGLIA, Ivan. Os gigantes de Buri. O Estado de São Paulo, São Paulo, 22 de abril de 2012. Caderno Aliás, p.8.
    OGLIARI, Elder. Obra de Resende Ameaçada. O Estado de São Paulo, São Paulo, 20 de dezembro de 2011. Caderno 2, p.9.
    SOUZA, Rose Mary. Prefeitura de Americana inicia demolição de estátuas “obesas”. Terra Notícias, 09 de janeiro de 2010. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4195659-EI8139,00-Prefeitura+de+Americana+inicia+demolicao+de+estatuas+obesas.html>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Perfil dos municípios brasileiros. Ministério da Cultura. Disponível em <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/cultura20061.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Municípios, total e com Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio ou similar, por características do conselho, segundo Grandes Regiões e classes de tamanho da população dos municípios – 2006. Ministério da Cultura. Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/tab27.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Lista dos cem municípios mais populosos do Brasil. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_cem_munic%C3%ADpios_mais_populosos_do_Brasil_(2010)>. Acesso em: 9 de maio de 2012.
    GRELLET, Fábio. No Rio, estátua sem placa deixa turistas confusos. O Estado de São Paulo, São Paulo, 6 de janeiro de 2012. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,no-rio-estatua-sem-placa-deixa-turistas-confusos,819080,0.htm>. Acesso em: 7 de maio 2012.

     

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    Luna Recaldes e Tatiana Matteoni
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    (Imagem da capa: Iracema Guardiã, de Silveira Neto)

     
  • MuBE Virtual 16:53 on 11/04/2012 Permalink | Reply  

    Patrimônio em debate 

    Uma escultura encontrada por acaso pela equipe do jornal O Estado de S. Paulo em Santiago do Chile tem causado furor entre especialistas de arte. Isso porque a obra, após análises preliminares, teria sido atribuída ao maior mestre do barroco brasileiro: Antonio Francisco Lisboa, o Aleijadinho.

    A imagem de madeira representa o santo católico San Pedro Pascual e se encontra no pequeno Museo Merced. Embora seja de suposta autoria de um artista peruano, ela carrega grande semelhança com as obras de Aleijadinho – em especial no que diz respeito aos chamados estilemas (detalhes que funcionam como uma assinatura do autor na escultura).

    Desde a descoberta no mês de março, diversas hipóteses foram levantadas, entre elas a possibilidade de a peça ser uma fusão de esculturas diferentes, inclusive do celebrado artista mineiro, mas a grande questão ainda reside na legitimidade das obras de arte através do tempo.

    Originais de famosos pintores e escultores tendem a adquirir seu valor material por conta de valores abstratos e subjetivos, atribuídos por pessoas ou instituições que legitimem tais manifestações artísticas. São famosas as histórias de grandes gênios da arte que jamais receberam em vida o devido reconhecimento por seu trabalho.

    A autenticidade de uma obra, portanto, talvez tenha menos importância do que o impacto por ela causado na sociedade ao longo dos anos. Trata-se de uma soma de características que concedem a um objeto a sua “aura”. Nesse sentido, tamanha foi a força com que Aleijadinho arrebatou a arte escultórica brasileira, que a mera possibilidade de um novo exemplar de seu trabalho levanta debates entre admiradores e críticos.

    A atemporalidade – esse sim é o maior estilema das esculturas de Antonio Francisco Lisboa.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Jotabê Medeiros/AE)

     
  • MuBE Virtual 10:00 on 24/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: 458 anos, fundadores, luis morrone, , sampa, são paulo aniversário   

    Parabéns, São Paulo! 

    Amanhã,  dia 25 de janeiro,  a cidade de São Paulo completará mais um ano de ousada existência.

    Apelidada carinhosamente por Sampa, Pauliceia e “terra da garoa”, e até mesmo conhecida como a “vitrine do Brasil”, São Paulo carrega o título de metrópole global e maior centro econômico da América Latina. Também é cenário de eventos de grande repercussão cultural, como a Bienal de Arte e a São Paulo Fashion Week.

    Os atributos de que ela é dotada preencheriam uma longa lista, mas nada disso seria possível sem um ponto de partida. O Monumento aos Fundadores de São Paulo foi construído justamente para preservar e homenagear aqueles que, há quase 458 anos, se mostraram fundamentais no processo de formação da cidade.

    Composta por peça de bronze e granito rosa, o monumento foi construído entre 1952 e 1962, pelo artista plástico Luis Morrone e inaugurado em 25 de janeiro de 1963. A pedra fundamental foi lançada em 18 de outubro de 1962, aniversário da morte de Manoel da Nóbrega, tradicionalmente considerado uma das principais personagens do que se entende ser a fundação da cidade.
    Instalada originalmente na Praça Clóvis Bevilacqua, a obra ali permaneceu até inícios da década de 1970, quando em função das obras do Metrô – Estação Sé, que provocaram o desaparecimento da praça, houve necessidade de removê-lo. Assim sendo, foi transferido para a Rua Manoel da Nóbrega, ao que consta para a solicitação do próprio escultor e de José de Mello Pimenta, representante da colônia portuguesa.
    O monumento é constituído por um conjunto escultórico em que o momento da fundação aparece protagonizado por jesuítas (Padre Manoel da Nóbrega e Padre José de Anchieta) e representantes do governo português (Governador Martim Afonso), parceiros na colonização sob o signo do catolicismo.
    Sugere através da presença de João de Ramalho e Bartira a convivência pacífica entre colonizadores portugueses e povos indígenas. A obra contém ainda placas de bronze representando a primeira missa em São Paulo e a fundação de São Vicente.
    Que tal contribuir mais com a disseminação da história de São Paulo e de outras cidades?
    Aproveite esse feriado para fotografar monumentos durante seus passeios e viagens. Depois, compartilhe as imagens e informações através do MuBE Virtual. Contribua para que todo o mundo tenha acesso às riquezas da nossa arte pública!

    Texto: Luna Recaldes

    Imagens: Companhia de Restauro

     
  • MuBE Virtual 16:42 on 19/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: avenida paulista, manhã, , notícia, SBT, trianon, zorzete   

    MuBE Virtual em reportagem do SBT 

    Jornal do SBT Manhã:

    Cidadãos desconhecem personagens retratados em estátuas

    Em São Paulo, a maior parte da população desconhece os personagens históricos retratados nas estátuas. Por exemplo, na Avenida Paulista está o monumento do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, desconhecido pela maioria.

    Um aplicativo desenvolvido por um artista plástico, permite que o usuário pesquise de graça sobre as estátuas da cidade.

     

     
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