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  • MuBE Virtual 15:46 on 06/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: davi, florença, michelangelo,   

    Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo 

    A escultura Davi, de Michelangelo, apresenta pequena rachaduras na parte inferior de suas pernas por causa de sua própria inclinação, o que pode colocar em risco a integridade da peça-chave do Renascimento italiano. É o que revelou estudo realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Itália em parceria com a Universidade de Florença.

    Os analistas indicam que a inclinação da obra, de 5 graus, é a causa do dano no mármore, em seus tornozelos. O estudo também observa que a escultura, com “seu inestimável valor”, foi submetida a testes frequentes ao longo dos anos e tais rachaduras são notadas desde meados do século XIX.

    Apesar de as rachaduras estarem presentes em ambas as pernas e no tronco, são apenas perceptíveis a olho nu no tornozelo esquerdo e na lateral direita do tronco. Um dos pesquisadores, Giacomo Corti, disse que que a inclinação foi causada pela falta de uniformidade do pódio no qual a escultura permaneceu entre 1504 e 1873, período em que se manteve ao ar livre em frente ao Palazzo Vecchio, em Florença.

    A escultura retrata o herói bíblico Davi, no momento em que se prepara para enfrentar Golias e é feita de mármore branco, com 4,10 metros de altura. Ela foi encomendada por Michelangelo, encomendado pela Opera del Duomo, responsável pela Catedral de Florença. Nos últimos anos Davi é objeto de várias limpezas e análises, além de ter a propriedade disputada pelo governo da Itália e a Catedral. (Com informações da EFE)

    “Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de maio de 2014.

    Imagem: Site Cabeça de Cuia

     
  • MuBE Virtual 18:24 on 07/04/2014 Permalink | Reply
    Tags: Alice Aycock, cyclone twist, new york, park avenue   

    O espaço público como galeria de arte 

    A artista plástica Alice Aycock monta esculturas em locais como a Park Avenue: ‘É a Piazza San Marco de Nova York’

    Buzinas soavam na Park Avenue com Rua 57 pouco antes da meia-noite no fim da semana passada enquanto um enorme guindaste, bloqueando o tráfego, erguia metade de Cyclone Twist, uma série de fitas espiraladas de alumínio branco, conectando-a precisamente com a outra metade já instalada na estreita faixa divisória da avenida. O resultado foi suficientemente impressionante para os trabalhadores registrarem o feito com fotos de seus celulares.

    “Querido, estou no céu”, disse a artista plástica Alice Aycock, de 67 anos, que estava supervisionando a instalação de um conjunto de sete enormes estruturas de alumínio e fiberglass. Chamada Park Avenue Paper Chase, e estendendo-se da Rua 52 à 66, ela se inspira em tornados, movimentos de dança e dobras de cortinas, e permanecerá instalada até 20 de julho.

    Cyclone Twist

    Cyclone Twist

    “Quando é que alguém na minha idade consegue algo assim? É como a Piazza San Marco de Nova York.” Maelstrom, uma montagem de fitas de alumínio que se estende por quase 21 metros perto do Seagram Building, tem a maior área de chão de todas as esculturas na história do programa de arte deste famoso corredor, iniciado em 1969. As peças são apresentadas pelo Comitê de Escultura do Fundo para Park Avenue e o Departamento de Parques e Recreação de Nova York.

    “A ideia é um grande vento que se desloca de um lado para outro na avenida. É ele que cria as formas, ou sopra as formas, e as deixa na sua esteira”, disse Aycock, uma artista intensa e aguerrida que é também uma espécie de dervixe.

    Como é de praxe com obras públicas, nem todo o mundo as aprecia. “Não me importo de ocuparem tanto espaço, mas preferia um arranjo de flores – alguma coisa natural”, disse Courtney Nelson, que passou por Maelstrom na segunda-feira, o primeiro dia útil depois de a escultura ter sido completamente instalada. “Achei horrorosa”, disse Irene Stolzer. “Não combina com a Park. Ela me lembra aquelas rosas de papel em Chinatown.” Os defensores também foram incisivos, “Ela quebra a monotonia do centro”, disse Eric Rolfsen. “A arte pública tem de ser grande – isto é Nova York.”

    Aycock já enfrentou uma opinião pública dividida anteriormente, como em sua escultura de 1992 que sugere uma antena de satélite no telhado da 107ª Delegacia de Polícia em Flushing, Queens. Alguns moradores disseram que a peça lhes parecera um aparelho real de vigilância. (Não é – a escultura pretende simbolizar a comunicação entre a polícia e a comunidade).

    Mais recentemente, Aycock acertou uma disputa legal com os operadores do Terminal 1 do Aeroporto Kennedy. Eles queriam desmontar sua enorme obra Star Sifter, terminada em 1998. No ano passado, eles fizeram um acordo pelo qual ela reconfigurou a peça que foi deslocada para outro ponto do terminal. “Eu sou dura na briga quando é preciso”, disse Aycock. “É isto que eu faço, é isto que eu sou, e se você tirar isso, eu simplesmente evaporarei. Em outras palavras, esta é a minha identidade.”

    Aycock, cujos trabalhos estão na coleção do Museu de Arte Moderna e no Museu Whitney de Arte Americana, fez nome criando um híbrido de arquitetura e escultura. Mas sua obra evoluiu de bordas mais ásperas a uma pátina mais brilhante, com referências celestiais e, com frequência, um aspecto de Construtivismo Russo vertical como a torre não construída de Vladimir Tatlin, Monumento à Terceira Internacional, que ela citou como uma obra influente.

    “Eu admiro o fato de ela continuar combativa e não ficar parada”, disse Adam D. Weinberg, diretor do Whitney Museum. “Esta é a marca de um grande artista.” Aycock, instalada no SoHo, cresceu em Harrisburg, Pensilvânia. “Ela teve um pai no ramo da construção, que construiu coisas enormes”, disse Robert Hobbs, que leciona história da arte na Virginia Commonwealth University, e é o autor de Alice Aycock: Sculpture and Projects. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

    “O espaço público como galeria de arte”. Jornal O Estado de São Paulo, 23 de março de 2014.

    Foto: Ozier Muhammad

     
  • MuBE Virtual 14:12 on 12/03/2014 Permalink | Reply
    Tags: brusque, roteiro das esculturas, santa catarina   

    Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte 

    Brusque, Santa Catarina

    Quinze novas obras de arte passaram a fazer parte do Roteiro das Esculturas desde a última semana. As peças foram lavadas e transportadas a diferentes bairros da cidade em uma ação coordenada pelo Departamento Geral de Infraestrutura e já podem ser conferidas pela comunidade. Dentre os pontos que passam a fazer parte do roteiro estão o Fórum, Praça da Limeira, ATI do Planalto, entre outros.
    Antes de serem transportadas, as peças recebem todo o cuidado necessário para garantir o acesso das pessoas à arte e disponibilizar mais um atrativo aos turistas que visitam a cidade. Todas as obras estão dispostas sobre bases de concreto e em locais de fácil acesso da comunidade – como praças, parques, órgãos públicos e outros pontos de grande circulação.
    A iniciativa da Prefeitura de Brusque proporciona para a comunidade a democratização da cultura, contribui com o paisagismo da cidade e disponibiliza mais atrativos aos turistas que visitam o município. Ao todo, o Roteiro das Esculturas será composto por 66 peças dispostas em diferentes espaços para constituir um novo atrativo turístico para moradores e visitantes, abrangendo vários pontos do território brusquense.

    Confira a relação dos locais que receberam as obras

    Fórum
    ATI Nova Brasília
    Praça 1º de Maio
    Praça em frente ao Saragoça
    Ponte do Trabalhador
    Rotatória São Leopoldo
    UBS Limeira
    Praça Limeira
    Praça Ciro Gevaerd
    ATI do Planalto
    Praça da Azambuja, em frente ao hospital
    UBS Santa Terezinha
    Rotatória da Santa Rita
    Unifebe

     

    Fontes: EDUARDO PEREIRA. “Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte”. Prefeitura Municipal de Brusque, 24 de fevereiro de 2014.

     
  • MuBE Virtual 15:36 on 24/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: sandra brecheret, victor brecheret   

    Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo 

    Pesquisadora já doou 12 trabalhos do escultor para instituições internacionais interessadas em perpetuar o legado dele

    Doar para divulgar. E divulgar para preservar. Se depender dos interesses da escritora e pesquisadora Sandra Brecheret Pellegrini, a obra de seu pai, o escultor Victor Brecheret (1894-1955), será cada vez mais pública, conhecida e acessível. Nos últimos anos, ela vem doando para instituições de todo o mundo itens de seu pai que integram sua coleção pessoal. No total, 12 Brecherets já foram espalhados assim. E ela quer mais.
    “Pretendo doar sempre obras de meu pai. Basta que a entidade que receba dê prestígio e respaldo a Brecheret de forma eterna”, diz Sandra. Recentemente, por exemplo, a escultura Portadora de Perfume, de 1924, foi incorporada ao acervo do Senado da França e instalada em área restrita anexa ao Jardim de Luxemburgo, em Paris.

    É simbólica a volta da escultura a Paris. Feita em uma das longas passagens do escultor pela capital francesa, a obra foi premiada no Salão de Outono de Paris, em 1924. “A decisão (de fazer as doações) é minha. É uma forma de retribuir ao Brecheret e à imagem dele tudo aquilo que ele me deu”, comenta Sandra. Não é pouca coisa. Além do valor sentimental, uma obra do famoso escultor costuma ser bem cotada no mercado.

    Para fins de seguro, o Senado francês avaliou em 390 mil a Portadora – o equivalente a quase R$ 1,3 milhão. “Ele me deu um nome tão bonito, uma glória tão bonita, que estou pessoalmente deixando seu legado a instituições sérias que vão perpetuá-lo”, completa Sandra. “Nós passamos, a arte fica.”


    Acervo pessoal. À frente da Fundação Escultor Victor Brecheret, Sandra já publicou 11 livros sobre a vida e a obra de seu pai – alguns podem ser baixados, de graça, em http://www.victor.brecheret.nom.br.
    Ela afirma que ainda tem, em sua coleção particular, “dezenas” de obras assinadas pelo pai – recusa-se a especificar o número. “E estou aberta a conversar com instituições interessadas nas obras”, diz. “Minhas condições são sempre avaliando a maneira como a obra vai ser mostrada, porque o que não quero é que uma escultura de Brecheret acabe em um porão qualquer”, declara.
    Essas tratativas podem levar até três anos. E foi assim que São Francisco, de 1948, acabou na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, no ano 2000. Ou que Bailarina, de 1928, foi incorporada ao acervo da Câmara dos Deputados, em Brasília (confira ao lado a lista completa das doações).
    Aniversário. No próximo sábado, são comemorados 120 anos do nascimento de Victor Brecheret, que acabou se consagrando como o escultor de São Paulo. Nascido na italiana Farnese, emigrou para o Brasil e aqui se tornou referência do movimento Modernista. No início da década de 1920, ganhou uma bolsa de estudos do governo paulista e foi estudar em Paris.
    São do escultor diversas obras públicas em São Paulo. A mais conhecida, sem dúvida, é o Monumento às Bandeiras – chamado popularmente de “deixa que eu empurro” ou “empurra-empurra” -, próximo do Parque do Ibirapuera.
    Mas também são de Brecheret o Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel, e o Fauno, no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), entre outras.

     

    Fontes: EDISON VEIGA. “Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo”. Jornal O Estado de São Paulo, 15 de fevereiro de 2014.

    Foto: Sergio Castro/Estadão

     
  • MuBE Virtual 13:46 on 27/01/2014 Permalink | Reply
    Tags: Andre Prinsloo, coelho, , Nelson Mandela   

    Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela 

    JOHANESBURGO – Um coelho de bronze dentro da orelha de uma estátua do líder antiapartheid Nelson Mandela está provocando debate na Africa do Sul.

    O governo ordenou aos escultores que retirem imediatamente o animal da obra inaugurada após a morte de Mandela, no centro de Pretória, enquanto vários sul-africanos defendem a presença do simpático roedor na entrada do ouvido do herói nacional.

    “Coelho” na língua afrikaans – falada originalmente por colonos holandeses – é “haas”, que também significa “rapidez”. Os escultores colocaram o animal para reclamar que foram obrigados a fazer rapidamente a estátua de nove metros de Mandela, que desde o dia do enterro do ex-presidente – 16 de dezembro – virou atração em uma praça cercada por prédios do governo, na capital.

    À rede BBC, os dois responsáveis pela estátua negaram que o coelho seja ofensivo e pediram desculpas se a família Mandela ou o governo de Pretória se incomodaram com o bichinho. Eles afirmam que, em vez disso, o animal é uma forma de deixar registrada a marca dos dois, depois que eles foram proibidos de colocar suas assinaturas na calça do ex-presidente sul-africano e obrigados a finalizar a obra em curtíssimo espaço de tempo.

    Só é possível ver o coelho com binóculos, justificou um dos artistas, Andre Prinsloo, dizendo que eles não quiseram retirar nada da obra. “Antes de erguermos a estátua, muita gente viu ela e ninguém nem reparou”, disse.

    Um porta-voz do governo criticou duramente os escultores, dizendo que é preciso remover o coelho “para restaurar a dignidade da estátua”. “Não achamos que isso é apropriado, pois Mandela nunca teve um coelho na orelha”, disse Mogomotsi Mogodiri, do Departamento de Arte e Cultura. Resta agora definir o dia da remoção.

    Mandela é comumente chamado de “pai dos sul-africanos”, uma figura cuja liderança – decisiva para enterrar as leis raciais que vigoraram até os anos 90 na África do Sul – atravessou clivagens raciais e sociais.

     

    Fontes:

    “Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela”. Jornal O Estado de São Paulo,  23 de janeiro de 2014. Página consultada em 27 de janeiro de 2014. 

     
  • MuBE Virtual 15:24 on 21/01/2014 Permalink | Reply
    Tags: , , recife   

    Estátuas e monumentos históricos do Recife são alvo da ação de vândalos 

    Em várias regiões da cidade, há peças pichadas ou com partes arrancadas.
    Prefeitura deve gastar cerca de R$ 50 mil na recuperação dos monumentos.

    Quem passa pelas ruas do Recife constata sem esforço: é perceptível a grande quantidade de estátuas danificadas por vândalos na cidade. Peças que deveriam prestar homenagens a personalidades e momentos históricos estão sendo desfiguradas pela ação de criminosos.

    O busto que homenageia Luiz Gonzaga na Praça do Bongi, Zona Oeste do Recife, por exemplo, foi destruído. A imagem do Rei do Baião ficou sem o chapéu e com o rosto desfigurado. Na Praça do Derby, região central da cidade, as figuras que representam divindades também foram desfiguradas. O braço de uma delas, inclusive, foi arrancado. A cabeça de outra estátua foi danificada e o pulso esquerdo dela também está quebrado.
    No Poço da Panela, Zona Norte, a escultura de um escravo que fica próximo à igreja do bairro também sofreu com o ataque de vândalos, que quebraram o braço e jogaram tinta verde nos pés da peça. No cruzamento da Avenida Norte com a Rua da Aurora, no Centro, o busto de Artur de Lima Cavalcante precisou ser retirado, só ficando no local o pedestal e a placa. A Empresa Municipal de Limpeza Urbana (Emlurb) informou que o peça está sendo restaurada e depois será devolvida ao espaço.
    O Monumento ao Gari, que fica na Avenida Agamenon Magalhães, em frente à Universidade de Pernambuco, também está danificado. A obra é de Abelardo da Hora e foi feita em 1972, já tendo sido recuperada uma vez, em 1999. O braço de um dos garis foi partido e a escultura tem pichações.
    De acordo com o delegado Fernando José de Souza Filho, essas ações configuram crimes contra o patrimônio público e têm punição prevista no código penal. “Esse crime de dano qualificado contra o patrimônio público tem pena de seis meses a três anos de detenção e multa, mas pode ser paga fiança. É extremamente importante que a população denuncie e informe a polícia quando souber a informação de alguém que esteja praticando esse tipo de conduta ou tenha praticado”, explica.
    A denúncia pode ser feita através do telefone da Delegacia de Crimes Contra a Administração Pública (81) 3184-3725 ou nas delegacias dos bairros. A Emlurb afirmou que está fazendo um orçamento para recuperar os monumentos descritos na reportagem. O serviço, ainda sem prazo para começar, deve custar cerca de R$ 50 mil.

    Fonte: G1 – O Portal de Notícias da Globo

     
  • MuBE Virtual 16:17 on 14/05/2012 Permalink | Reply
    Tags: conservação, cultura, , espaços públicos, gestores, ibram, , patrimônio cultural, pesquisa, políticas públicas, semana de museus   

    Pesquisa Políticas Públicas para a Escultura Brasileira 

    Um estudo para a 10ª Semana Nacional de Museus

    1. Introdução

    O Museu Brasileiro da Escultura Virtual (MuBE Virtual) é o primeiro banco de dados da escultura brasileira.
    Essa simplória definição, contudo, pode suscitar dúvidas aos leitores: como pode um museu ser virtual? De que forma é possível “colocar” esculturas em um banco de dados?
    O restaurador e empresário Francisco Zorzete tinha essas mesmas perguntas, sobre como viabilizar um grande sonho: reunir todas as esculturas do país em um só lugar e, sobretudo, disponibilizar esse conteúdo para qualquer pessoa.
    Com o passar dos anos, veio a resposta: a Internet se ampliou de tal forma que não poderia haver melhor mecanismo para o livre compartilhamento de dados. A proposta então foi a criação de um site, que hospedaria fotos e informações sobre as esculturas. Este é o museu virtual: a arte sendo colocada em exposição digitalmente. O diferencial do MuBE Virtual está na autoria do inventariado, que é o próprio público. O site é colaborativo e alimentado, principalmente, por pessoas que fotografam esculturas de suas cidades ou locais por onde passam, coletam informações sobre elas (muitas vezes, pela própria Internet) e cadastram as obras no banco de dados. O museu, no século XXI, consegue inverter seu processo tradicional: agora, o conteúdo vem de fora para dentro.
    Outra pergunta, contudo, vem à mente: o que define escultura?
    Esse questionamento, se feito para várias pessoas, pode levantar conceituações diversas, porque o termo em si não tem um significado fechado e universal. Para Tatiana Travisani, doutoranda em Artes Visuais pela ECA/USP, as obras esculturais são aquelas que se apresentam em relevo total ou parcial e pertencem a estilos e escolas artísticas diversas. “Há uma infinidade de materiais além dos mais comumente associados com a criação de esculturas, como mármore, cobre, granito, e bronze; consequentemente, também podem ser classificadas como duráveis ou efêmeras – nesse caso, um bom exemplo são as esculturas de areia. Não se restringem à representação figurativa, como de pessoas ou animais definidos, mas podem ser também abstratas”.
    Ela enfatiza, notoriamente, que o conceito de escultura abrange desde as suntuosas obras renascentistas até as mais populares, como as de barro em Caruaru (Pernambuco).
    O inventariado, a princípio, se limita às esculturas duráveis e instaladas em espaços públicos. Recentemente, o conteúdo tem sido expandido com o acervo de outros museus; já estão inclusos no banco de dados, por exemplo, as obras do Museu Brasileiro da Escultura, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial da América Latina, entre outros. A maioria das obras cadastradas se encontra em logradouros diversos: ruas, avenidas, praças e parques.
    Por tratar intimamente da esfera pública, o projeto passou a colecionar uma série de casos e notícias relacionadas à instalação e preservação de esculturas nos espaços urbanos. Lançado oficialmente em novembro de 2010, tem encarado o desafio não só de catalogar esculturas como também de criar uma percepção da situação atual do patrimônio artístico brasileiro e incentivar a população, na medida do possível, a reconhecer e se apropriar do que lhe pertence por direito.
    O presente trabalho visa a uma constatação e reflexão do que tem sido feito pelo Estado no tratamento com o patrimônio artístico público, com uma investigação mais focada sobre as políticas vigentes nesse sentido. Por meio de uma pesquisa qualitativa, gestores de patrimônio das 50 cidades mais populosas do país (IBGE, 2010) foram questionados, por telefone, sobre as suas atribuições e responsabilidades, os critérios para a escolha e instalação de obras e as últimas ações de conservação e restauro das esculturas de seus municípios; obtendo-se, assim, um diagnóstico plausível da heterogeneidade das políticas para patrimônio dentro do território nacional.
    Este trabalho foi desenvolvido para ser apresentado publicamente e disponibilizado online durante a 10ª Semana Nacional de Museus, promovida pelo Instituto Brasileiro de Museus (IBRAM), de 14 a 20 de maio de 2012. O tema deste ano é “Museus em um Mundo em Transformação: novos desafios, novas inspirações”.

    Bancos de dados de esculturas ao redor do mundo

    A iniciativa de inventariar o patrimônio escultórico não é inédita no mundo, embora no Brasil não se conheça outro banco de dados colaborativo e abrangente como o MuBE Virtual. Guias impressos de esculturas de vários países existem em grande quantidade, mas essas publicações em geral são comissionadas por órgãos públicos ou associações interessadas. Já no ambiente digital, esse trabalho é recente. Apesar de alguns museus investirem na digitalização de seus acervos e disponibilização dessas informações online, ainda há uma grande carência de inventários das obras tridimensionais situadas em espaços
    públicos. Existem sites que abordam locais específicos, municípios ou regiões. Poucos são os que possuem conteúdo detalhado e apresentado de maneira didática, com fichas das esculturas para pesquisa gratuita.
    O MuBE Virtual busca catalogar e divulgar todas as esculturas brasileiras, sem julgamentos de mérito ou restrições, e com a participação popular. Essa característica torna a colaboração da sociedade civil uma importante ferramenta para a concretização do trabalho, mas coloca também nas mãos dos órgãos públicos a responsabilidade de inventariar seus acervos, ou pelo menos colaborar para esse registro, aproveitando a oportunidade e a existência desse site.

     

    2. Logradouros públicos: quando a arte passa a pertencer a todos

    É notável que a população não se apropria do que lhe pertence, ou seja, daquilo é público. Essa relação não é diferente no que diz respeito às obras de arte expostas nas cidades, que muitas vezes passam despercebidas, são ignoradas, vandalizadas e até confundidas.
    Em janeiro deste ano, o jornal O Estado de São Paulo publicou matéria que abordava, entre outros fatos, o caso de um turista confuso no Rio de Janeiro. Ele e a esposa tiravam foto ao lado de uma estátua instalada em frente ao Hotel Copacabana Palace, imaginando ser o homenageado o proprietário do local, quando na verdade trata-se da representação do jornalista Ibrahim Sued (1924-1995). Colunista social, ele frequentava o hotel e ali conseguiu vários furos jornalísticos.
    Esse problema recorrente se deve à falta de informações mais substanciosas nas placas, ou mesmo sua ausência, o que acaba desqualificando as obras como potenciais “contadoras de história”. Com um olhar atento, é possível observar outros problemas ainda mais relevantes, como o desgaste provocado pelo tempo, a depredação, o furto de peças e a ausência generalizada de requalificação urbana e paisagística ao redor de estátuas, bustos, fontes, chafarizes, hermas e outros tipos de arte monumental.
    A primeira impressão é de que os transeuntes, ao passarem diariamente pelas obras, estão alheios a essa realidade. Apesar disso, durante sua trajetória a equipe do MuBE Virtual pode notar, com alguma satisfação, que muitas esculturas causam interesse, comoção e até mesmo movimentações políticas por parte da sociedade ou de grupos específicos. Esses monumentos acabam por ganhar destaque e prioridade na agenda do poder público, o qual passa a se envolver mais enfaticamente em questões relacionadas.

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50 m de comprimento e 16m de altura.  Foto: Leandro Caproni

    Monumento às Bandeiras, de Victor Brecheret, São Paulo. É comum ver pessoas subindo nos cavalos e explorando a obra de 50m de comprimento e 16m de altura. Foto: Leandro Caproni

    O Cristo Redentor, no Rio de Janeiro, quase dispensa comentários. É o exemplo máximo de valor agregado para uma obra de arte no país, sendo simultaneamente uma das sete maravilhas do mundo, um dos maiores pontos turísticos do Brasil e um santuário católico. No ano de 2011, quando completou 80 anos de inauguração, uma extensa programação foi elaborada pela prefeitura e pelo governo do Estado, que abrangia desde homenagens da Quadrilha da Fumaça e realização de um grande show até a celebração de missas, inauguração de novos monumentos e a notável exposição “Cristo Redentor para Todos”, que espalhou 25 réplicas menores da estátua pelo Brasil e outros países.
    Outro exemplo de relação amistosa é a que se fez entre o público e a obra “Olhos Atentos”, de José Resende. Em 2005, essa colossal escultura de ferro compôs a Bienal do Mercosul, foi presenteada no mesmo ano à cidade de Porto Alegre (RS) e, então, instalada às margens do Lago Guaíba. Logo se integrou ao ambiente e à rotina das pessoas, que subiam nela para observar o lago e tirar fotos.

    Olhos Atentos, de José Resende Foto: Francielle Caetano

    Olhos Atentos, de José Resende. Foto: Francielle Caetano

    Em 2009, contudo, a obra foi interditada pelo desgaste de seus materiais e pela corrosão parcial da grade do chão. Ao final de 2011, a Prefeitura planejava retirar a obra do local, sem ter anunciado qualquer medida de restauro e conservação, fato que teve grande repercussão na cidade. Em protestos pelas redes sociais, cidadãos pediam a não interferência do poder público em obras de arte e clamavam pela manutenção da estrutura. Por fim, foi decidido manter a obra e restaurá-la.
    Por outro lado, em Buri e Americana (SP), ocorreram duas situações nas quais a posição da população, frente à Prefeitura, foi no sentido oposto: pedindo pela demolição de monumentos.
    O Tubarão é uma escultura instalada em Buri, cidade de uma região de rios e lagos no sudoeste de São Paulo. A princípio, dentro da obra funcionava um restaurante. Feita em cimento, gesso e alvenaria, com 28m de cumprimento, a estrutura hoje está vazia e deteriorada, o que não agrada à população. Por esse motivo, blogueiros da cidade se mobilizaram a favor de sua destruição.
    As proporções da polêmica na cidade de Americana foram ainda maiores. A prefeitura requereu a construção de um pórtico para a cidade, inicialmente denominado Portal Princesa Tecelã, com o propósito de homenagear a cultura têxtil, atividade econômica de destaque no município. O pórtico, que custou R$ 760 mil, era ladeado pelas estátuas rechonchudas e seminuas de um homem e de uma mulher, que descontentaram muito a população local. As figuras tiveram grande repercussão pela cidade e foram ridicularizadas a ponto de serem levadas a debate na Câmara Municipal.
    A prefeitura, por meio da internet e postos espalhados pelo município, decidiu realizar uma enquete. Das 3,4 mil pessoas que votaram, 99,8% se mostraram insatisfeitas com a obra; 53,6% pediam modificações, especialmente nas estátuas de concreto, cada uma com altura de 8m e pesando 60 toneladas.
    O monumento recebeu o apelido de Portal da Discórdia. Em 7 de janeiro de 2010, iniciou-se afinal o trabalho de demolição das estátuas.

     

    3. As políticas públicas das grandes cidades brasileiras

    O caso do Portal de Americana é um referencial para discutir as diretrizes e a aplicabilidade das políticas do município para a arte pública. Por vezes as perspectivas da população, fragmentada e plural, não estão em sintonia com as expectativas geradas pelo poder público. Evidência disso é que tal situação poderia ter sido evitada, caso a enquete fosse
    sido feita antes da elaboração do projeto do Portal, orientando o artista quanto às expectativas dos habitantes de Americana.
    Para Kaernbach, “as obras devem se relacionar com o local e o entorno, respeitando suas especificidades, ou seja, não são escolhidas arbitrariamente e não devem cumprir papel puramente decorativo”. Pensando assim, os exemplos anteriores suscitam uma série de outras questões: quem define os critérios para a instalação de monumentos nas ruas, praças e parques? Quais são as secretarias, departamentos e demais órgãos responsáveis pelo patrimônio artístico e sua proteção? A verba destinada a ações relacionadas provém somente da prefeitura?
    A proposta desta pesquisa é a de fomentar a discussão sobre a gestão e conservação das esculturas e monumentos expostos em espaços públicos no Brasil. O artigo 30 da Constituição Federal diz que compete ao município promover a proteção do patrimônio histórico-cultural local, observada a legislação e a ação fiscalizadora federal e estadual. No entanto, não sabemos quais são as ações locais voltadas à preservação e conservação de tais obras nos municípios. Esse foi o principal objetivo: traçar um painel de como essas práticas vêm se articulando – se é que elas existem.
    Já na primeira etapa da pesquisa, cujo foco foi estudar os 50 maiores municípios mais populosos do Brasil, segundo dados do censo 2010 do IBGE, percebemos as dificuldades em lidar com as diferentes formas de tratar o assunto em cada uma das cidades consultadas. Desse modo, realizar uma pesquisa que abrangesse os mais de cinco mil municípios do país e toda a sua heterogeneidade seria uma tarefa além de nossas ambições e necessidades.
    Nesta fase do trabalho, a proposta foi sondar esses 50 municípios com o intuito de investigar como se tem organizado tais políticas. Mesmo utilizando esse recorte em muitos dos municípios abordados, conforme veremos adiante, não foram encontradas as informações desejadas ou nem mesmo a pessoa habilitada a responder sobre o assunto.

    Sabemos que, dos 5565 municípios brasileiros, segundo dados do Ministério da Cultura, cerca de 740 (ou cerca de 13%) deles possuem algum tipo de conselho municipal voltado à preservação do patrimônio público, a maior parte na região Sudeste (619) e na região Sul (79). Isso indica a falta de políticas direcionadas aos bens patrimoniais nos estados das demais regiões.
    Já quanto à existência de legislação municipal que verse especificamente sobre a proteção ao patrimônio cultural, os números são um pouco maiores: 984 deles, cerca de 19,5%, possuem legislação, sendo 654 na região Sudeste e 157 na Sul. Mais uma vez, verificamos a predominância dessas duas regiões. A exceção fica com a região nordeste, na qual 101 cidades possuem legislação específica e 24 contam com conselhos municipais, reflexo da participação de grandes cidades históricas e seu entorno, que apresentam rico acervo escultórico e patrimonial.
    Mas como os representantes desses 50 maiores municípios se comportam quando perguntados sobre suas políticas e práticas no que concerne às esculturas e monumentos expostos em espaços públicos? Lidar com a burocracia e com as diferentes nomenclaturas foi a primeira das barreiras encontradas, muitas delas intransponíveis pela falta de informações.
    Se tivéssemos o intuito de pesquisar sobre teatro, por exemplo, poderíamos telefonar para as Secretarias de Cultura e perguntar sobre o departamento de teatro. Certamente seríamos direcionados a um responsável específico da área. Com as obras e monumentos expostos em espaços públicos, não é sempre o que acontece. Procuraremos adiante revelar os números desta sondagem inicial, assim como realizar algumas inferências baseadas em exemplos individuais.

     

    A Pesquisa

    Parte 1 – Os entrevistados

    Definidos os 50 municípios que compuseram a amostra desta etapa preliminar do trabalho, partimos para o processo de contato. Em primeiro lugar, identificando via Internet qual o departamento responsável, o telefone e, se possível, a pessoa encarregada. As entrevistas foram feitas por telefone ou respondidas por e-mail.
    Desse contato, surgiu nosso primeiro tema para análise: notamos que quase metade dos respondentes, 46% da amostra, era composta de profissionais de alto escalão dentro das secretarias, como diretores e chefes de divisão de patrimônio. Em segundo lugar, com 31%, encontramos técnicos e arquitetos, ou seja, cargos mais voltados à prática de campo. Os demais se dividem entre diretores de museus, historiadores e secretários de cultura.
    A qualificação dos entrevistados revela que a pesquisa conseguiu atingir às pessoas no escalão indicado para prestar as informações necessárias. Lidar com a questão do patrimônio envolve certa envergadura, que mescla questões de cunho acadêmico com conhecimento técnico específico da área.

    Parte 2 – O cuidado com o patrimônio

    Perguntados sobre a existência de um órgão específico voltado à proteção do patrimônio, 77% dos entrevistados responderam positivamente à questão. As demais respostas foram: não possui, ou está em implantação (15%), dividem a responsabilidade de cuidar do patrimônio com outros órgãos ou entidades da sociedade civil (8%). Percebe-se nessa questão a preocupação nas grandes cidades com a questão da conservação do patrimônio material e das obras de arte presentes em espaços públicos, já que a grande maioria possui ou está prestes a possuir alguma instância específica para tratar dessas questões.
    Por meio dos resultados obtidos, procurou-se investigar um pouco sobre a estrutura desses órgãos. A esse respeito, 18% dos entrevistados declararam que a responsabilidade é compartilhada com outros órgãos da esfera estadual, federal ou ainda, em alguns casos, com entidades civis, ONGs, proprietários de imóveis via isenção fiscal, igrejas e museus.
    Iguais 18% responderam que sua atuação se limita à catalogação e inventário do acervo dos municípios, não especificando se tratam somente das obras expostas a céu aberto ou de todo o acervo patrimonial, ou mesmo de conservação de logradouros e prédios públicos. A manutenção fica a cargo de outras instâncias. Isso evidencia a resposta dos 16% que afirmaram que a manutenção das obras é feita pela prefeitura ou pela secretaria de meio ambiente, por exemplo, sem a interferência direta do departamento.
    Em alguns casos, com 2% das respostas, o restauro ou manutenção é feito em função da reforma ou requalificação do local onde a obra é exposta. Cerca de 6% dos entrevistados citaram a educação patrimonial com o objetivo de divulgar a memória e a história cultural dos municípios e 4% deles afirmaram que o órgão atua na captação de recursos e direcionamento das verbas municipais destinadas à conservação/preservação. Outros 12% afirmaram que o departamento atua em diferentes áreas, envolvendo o patrimônio material, imaterial e no fomento de festividades diversas.
    Outro dado importante diz respeito às ações específicas de manutenção e restauro. É pequena a porcentagem (4%) dos que executam diretamente tais funções. Por outro lado, um número bem próximo desse último, totalizando 6% das respostas, afirma atuar somente nos casos de bens tombados, não havendo uma política de conservação voltada especificamente para esculturas e monumentos.
    Ainda nessa linha, com 4% em termos de menções, encontramos os departamentos que se restringem ao monitoramento, acompanhamento e à simples manutenção das obras de interesse artístico/arquitetônico previamente tombados.
    As demais respostas sobre a função do departamento, com em média 1% cada, se dividem em diversas menções, algumas delas fora do contexto, como por exemplo “o simples cumprimento da legislação específica”, a observação de que as políticas de conservação estão “em projeto”, a divisão da cidade em zonas de interesse para maior controle e intervenção, e ainda os que não souberam responder quais as funções de seu departamento na preservação do patrimônio.
    Frente a esse quadro de atribuições, os entrevistados foram questionados quanto ao papel do órgão ou departamento responsável especificamente pela conservação, e se o mesmo cumpria a contento sua missão. Obteve-se um relativo equilíbrio nas respostas: 32% afirmaram que sim, 25% que não. Cerca de 8% disseram que sim, porém com ressalvas; 5% afirmaram que sim, apesar de terem que lidar com o ônus de complexas questões político-burocráticas. Em outros 5% das respostas a questão não se aplicava, pelo fato do município não dispor de órgão competente, e 25% não responderam à questão.
    Aos 25% que responderam não estarem satisfeitos com a atuação de seu departamento, foi questionado o que poderia ser feito para que a situação melhorasse. A questão da mão de obra especializada e da melhor capacitação técnica do pessoal dos departamentos somou 15% das respostas. Outros 10% informaram que é preciso dar continuidade ao processo de inventário do acervo que, em muitos casos, está defasado. Nesses casos, vale a máxima de que é preciso conhecer para melhor intervir.
    Cerca de 20% dos entrevistados relataram problemas diversos sobre a ordem econômica, como a falta de verbas e de editais, ou a necessidade de melhoria dos espaços físicos ocupados pelos departamentos. A precária situação das esculturas e monumentos também foi lembrada por 15% dos entrevistados. Relataram-se problemas como o excesso de pichação e a falta de cuidado com obras de arte emblemáticas para a cidade. Segundo os entrevistados, a inexistência de tradição na conservação (5%) e o excesso de burocracia (5%) impedem ações efetivas e, por último, a falta de instalação de novas obras foi lembrada por outros 5%. Cerca de 25% dos entrevistados optou por não responder a esta questão.

    Parte 3 – As leis de incentivo

    A criação de leis de incentivo à cultura baseadas em renúncia fiscal ou em investimento direto trouxe um grande dinamismo ao setor cultural nas últimas décadas. Os entrevistados foram questionados se os municípios possuem suas próprias leis e, num segundo momento, se essas leis são eficazes no sentido de trazerem investimentos voltados à
    conservação do patrimônio público. Do total de entrevistados, 54% afirmaram que sim, 8% que não e 6% que a lei está em projeto ou em fase de aprovação na câmara; 32% não responderam à questão.
    Aos entrevistados dos municípios que possuem ou se utilizam das leis de incentivo, perguntamos como ela funciona e verificamos que cerca de 25% das respostas indicaram que tais leis se baseiam em fundos locais de incentivo à cultura, permutas com proprietários e renúncia fiscal. Cerca de 15% delas se baseiam em proposições do próprio cidadão, produtores culturais ou mesmo dos próprios artistas/autores.
    A questão da destinação dos recursos foi lembrada por outros 15% dos entrevistados: a lei existe, contempla restauro e conservação de obras públicas e monumentos, mas é pouco utilizada para esse fim, abrangendo a questão do patrimônio de modo amplo. As demais menções, pulverizadas em várias respostas diferentes, porém com pequenas variações, dizem respeito a leis que obrigam a instalação de esculturas na entrada de prédios, leis em fase de elaboração e a ressalva de que, na verdade, o que mais se faz são simples reformas e não restauro. Cerca de 30% dos entrevistados não responderam a esta questão.
    A todos os representantes das cidades, também foi perguntado se já se valeram de alguma lei de incentivo que não a local para a realização ou restauração de obras. Pouco menos da metade deles (46%) responderam que sim, e 31% que não. Tentativas e estudos visando à utilização da lei foram citados por 9 %, e 14% não responderam à questão.

    Parte 4 – Novas ações

    Na última parte de nossa pesquisa, os entrevistados responderam sobre as ações na área de conservação e os critérios para escolha de novas esculturas públicas em suas cidades. Aproximadamente 34% dos entrevistados citaram exemplos de obras específicas, como o restauro de casarões e paineis de azulejos, a transferência de paineis de azulejos e o restauro de portal do cemitério, entre outros.
    A ação emergencial, com 18% das menções, parece ser o que mais fomenta a necessidade de conservação e restauro de esculturas e monumentos expostos a céu aberto. A depredação, vandalismo e pichação das obras demandam muito trabalho às equipes, que sempre têm alguma limpeza, reparação ou restauração a realizar. Em torno de 12% declararam ter realizado restauro de esculturas de artistas locais com grande sucesso, algumas vezes com a participação do governo federal.
    Os que mencionaram não terem feito nenhuma ação recente somaram 7%; os que reportaram dificuldades diversas ligadas à burocracia, falta de recursos materiais e humanos, entre outras, perfazem 6%. Alguns entrevistados (5%) não souberam responder a esta questão e 18% não a responderam.
    Quando perguntados sobre os critérios para instalação de novas obras, a maioria (34%) afirmou que a decisão de escolha depende de diferentes tipos de comissões, compostas por membros de órgãos diversos. Essas comissões, por sua vez, são formadas por arquitetos, urbanistas, docentes de universidades e de curadores, que realizam o processo de avaliação. Em muitos casos (34%), quem escolhe é a própria prefeitura, seja através de editais e concursos, seja por escolha pessoal do próprio prefeito.
    Critérios paisagísticos e ambientais foram citados por 13% dos entrevistados e aspectos ligados à história da cidade ou de artistas que representam características de cada região ficam com 6% das menções totais. Não souberam responder à questão 2%, e 11% não responderam.

     

    4. Considerações finais

    A arte pública, integrada ao design de prédios e espaços públicos, pode contribuir para aumentar o sentido de lugar, a imaginação e o interesse da população. No domínio público, a arte pode exprimir o orgulho cívico e a confiança nos campos social, cultural e econômico. (Plano Diretor de Glasglow, 2003).
    A primeira dificuldade, e talvez a primeira conclusão, é que os monumentos e esculturas expostos a céu aberto nas grandes cidades brasileiras são tratados como parte de um grande arcabouço que se convencionou chamar de “patrimônio material”, não existindo, salvo raras exceções, um departamento específico para cuidar de esculturas e monumentos. Essa situação ficou clara em algumas das respostas obtidas, nas quais o entrevistado fala em “restauro de prédios”, “conservação de praças”, mas raramente se refere diretamente às esculturas e monumentos, que seriam, grosso modo, nosso objeto de estudo inicial.
    Não obstante ao singelo número de cidades da amostragem desta pesquisa, foi possível perceber claramente a heterogeneidade das políticas e dos órgãos responsáveis no país e, sobretudo, os agentes políticos para os quais é reservada essa responsabilidade. As mesmas funções e decisões são delegadas, de município a município, para diferentes autoridades. As
    mais recorrentes estão nos Departamentos de Patrimônio Histórico e Cultural, mas também se encontram em outros setores, principalmente dentro das Secretarias de Cultura, de Meio Ambiente, de Planejamento Urbano e de Infraestrutura, além de fundações diversas.
    Algo relevante a ser considerado também é a opinião dos gestores entrevistados sobre formas de aprimorar o trato com as esculturas públicas da cidade. Um dos principais pontos negativos citados é a necessidade de fomento à produção artística. Em 2010, foram cadastradas duas obras de destaque no site do MuBE Virtual: “Cavaleiro Alado” e “Saudação ao Sol”, dos artistas Wilson Figueiredo e Erickson Campos Britto, respectivamente. Ambas foram instaladas em espaços públicos da cidade de João Pessoa, na Paraíba, no 1º Concurso Jackson Ribeiro de Arte Pública (edição de 2009). O prêmio foi promovido pela Prefeitura Municipal de João Pessoa, através da Fundação Cultural de João Pessoa (FUNJOPE), da Secretaria de Planejamento e da Secretaria de Infraestrutura. O fomento à produção, portanto, poderia se expressar na criação de editais e concursos como o citado, que estimulam os artistas locais e despertam a atenção da população para o tema.
    Entre outras observações, constatou-se a falta de técnicos especializados, cuja solução poderia ser o oferecimento de oficinas e cursos que dotassem os funcionários de seus departamentos com informações técnicas necessárias às suas funções. Como resultado desse trabalho de capacitação, todas as atividades da gestão pública seriam favorecidas, inclusive a catalogação do acervo de esculturas da cidade ou a formação de um núcleo próprio para a conservação e proteção do patrimônio escultórico.
    Para Lossau, “A arte no espaço público goza na atualidade de alto prestígio, e a busca por distinção de cidades e empresas faz com que os investimentos públicos e privados na produção de obras de arte para o espaço público tendam a crescer, e não a diminuir”.Enfim, a presença de monumentos em uma cidade a engrandece e fortalece suas peculiaridades históricas. Assim, espera-se que o presente trabalho tenha sensibilizado e contribuído para o pensamento otimizado da gestão pública em relação aos monumentos das cidades.

     

    Referências bibliográficas

    LOSSAU, Julia. Arte no espaço público: Sobre as relações entre as perspectivas artísticas e as expectativas das políticas de desenvolvimento urbano. GeoTextos, vol. 5, n. 1, jul 2009. Disponível em: <http://www.portalseer.ufba.br/index.php/geotextos/article/viewArticle/3568>. Acesso em: 17 de abril de 2012.
    TRAVISANI, Tatiana. São Paulo, 29 de janeiro de 2011. Entrevista a MuBE Virtual.

    Bibliografia consultada

    MARSIGLIA, Ivan. Os gigantes de Buri. O Estado de São Paulo, São Paulo, 22 de abril de 2012. Caderno Aliás, p.8.
    OGLIARI, Elder. Obra de Resende Ameaçada. O Estado de São Paulo, São Paulo, 20 de dezembro de 2011. Caderno 2, p.9.
    SOUZA, Rose Mary. Prefeitura de Americana inicia demolição de estátuas “obesas”. Terra Notícias, 09 de janeiro de 2010. Disponível em: <http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4195659-EI8139,00-Prefeitura+de+Americana+inicia+demolicao+de+estatuas+obesas.html>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Perfil dos municípios brasileiros. Ministério da Cultura. Disponível em <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/cultura20061.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Municípios, total e com Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio ou similar, por características do conselho, segundo Grandes Regiões e classes de tamanho da população dos municípios – 2006. Ministério da Cultura. Disponível em: <http://www.cultura.gov.br/site/wp-content/uploads/2007/11/tab27.pdf>. Acesso em: 09 de maio de 2012.
    Lista dos cem municípios mais populosos do Brasil. Wikipedia. Disponível em: <http://pt.wikipedia.org/wiki/Anexo:Lista_dos_cem_munic%C3%ADpios_mais_populosos_do_Brasil_(2010)>. Acesso em: 9 de maio de 2012.
    GRELLET, Fábio. No Rio, estátua sem placa deixa turistas confusos. O Estado de São Paulo, São Paulo, 6 de janeiro de 2012. Disponível em: <http://www.estadao.com.br/noticias/cidades,no-rio-estatua-sem-placa-deixa-turistas-confusos,819080,0.htm>. Acesso em: 7 de maio 2012.

     

    MuBE Virtual

    Luna Recaldes e Tatiana Matteoni
    Pesquisa e produção de conteúdo
    info@mubevirtual.com.br

    Alcides Garcia Junior
    Pesquisa e consultoria
    agjunior@usp.br

    Katia Kreutz
    Gestão de projetos
    katia@companhiaderestauro.com.br

    Tatiana Travisani
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    Francisco Zorzete
    Idealização e coordenadoria
    zorzete@companhiaderestauro.com.br

    (Imagem da capa: Iracema Guardiã, de Silveira Neto)

     
  • MuBE Virtual 15:11 on 06/03/2012 Permalink | Reply
    Tags: , encontro regional, , ibaté, lutécia, macatuba, marília,   

    Arte e Patrimônio + Inclusão Digital 

    Nossa equipe vem fortalecendo a parceria com o Acessa SP, programa de grande relevância pública do Estado de São Paulo

    Recentemente, o MuBE Virtual marcou presença no primeiro Encontro Regional do Acessa SP desse ano, sediado em Marília, município do interior paulista. O Encontro ocorreu no Auditório Municipal Prof. Octávio Lignelli, instalado em um grande centro cultural de uma das principais avenidas da cidade. O centro, amplo e multifacetado, também reúne a Biblioteca Municipal João Mesquita Valença, o Museu de Paleontologia, um cine-clube e o infocentro do Acessa SP.

    No dia 15 de fevereiro, durante o Encontro, apresentamos o conceito da iniciativa do MuBE e, em seguida, organizamos uma atividade em campo com os monitores: dividindo-o em grupos, saímos à “caça de esculturas” nos arredores! Para feliz surpresa, há uma grande quantidade de monumentos espalhados por ali. O resultado da atividade foi o registro fotográfico de 10 esculturas de Marília, feito pelos próprios monitores, que em breve estará disponível para visualização no site.

     

          

        

     

     

     

     

     

     

     

     

     

     

    Ao final do dia, fomos também gentilmente presenteadas pela Fabiana, responsável pela Biblioteca, que nos cedeu um livro do acervo: “Marcos e Monumentos” de Marília, inventariados por Paulo Corrêa de Lara. As informações do livro serão publicadas no site, junto com as esculturas fotografadas. Fica aqui um enorme agradecimento.

    Para nós, que nunca havíamos participado de um evento como esse, a satisfação foi completa. Muito bem organizado e pautado, lá pudemos não só testemunhar o cunho democrático e participativo do sistema do Acessa SP (em que os monitores fazem ponderações abertamente frente aos gestores), como uma efetividade real do programa em trabalhar as competências que lhe são atribuídas.

    Já no dia 01 de março participamos, pela terceira vez, de uma capacitação do programa no posto do Parque da Juventude, fixado no interior da Etec de mesmo nome. Logo, surgiram boas novidades: a monitora Débora Alves, de Ibaté, já está criando um projeto intitulado “Descobrindo esculturas da nossa cidade”. O contato com ela está sendo feito, com o intuito de ajuda-la nesse processo e fornecer algum material educativo necessário.

    Capacitação de fevereiro de 2012

    Capacitação de fevereiro de 2012

    Ontem, por sua vez, duas esculturas da cidade de Lutécia foram publicadas no site por Sônia Medeiros. Ela estava presente na capacitação, representando a Biblioteca Municipal, onde há instalado um posto do Acessa SP. Confira a postagem referente a isso no blog da Biblioteca: http://bibliotecalutecia.blogspot.com/2012/03/cadastramos-ontem-dia-05032012-no-mube.html

    Importante ressaltar também a colaboração do monitor Nelson Barbosa, de Macatuba. Ele enviou o Monumento aos Ex-combatentes, com imagens variadas de excelente qualidade e um extenso material informativo. Estará disponível em breve.

    Enfim, a parceria tem sido frutífera, ao passo em que é fortalecida e difundida entre novos monitores. Há um longo caminho pela frente, no sentido compartilhado de promover a inclusão digital nos municípios menores e o reconhecimento do patrimônio publico.

    Ao participarem, os municípios do interior paulista vão ser incluídos em um circuito cultural que, hoje, está ainda centralizado nas capitais. De outra perspectiva, as cidades poderão mapear e divulgar sua produção artística local. E avante, que ainda há um Brasil todo pela frente…

    Texto: Luna Recaldes

    Imagens: André Sobreiro, Robson Silva

     
  • MuBE Virtual 10:00 on 24/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: 458 anos, fundadores, luis morrone, , sampa, são paulo aniversário   

    Parabéns, São Paulo! 

    Amanhã,  dia 25 de janeiro,  a cidade de São Paulo completará mais um ano de ousada existência.

    Apelidada carinhosamente por Sampa, Pauliceia e “terra da garoa”, e até mesmo conhecida como a “vitrine do Brasil”, São Paulo carrega o título de metrópole global e maior centro econômico da América Latina. Também é cenário de eventos de grande repercussão cultural, como a Bienal de Arte e a São Paulo Fashion Week.

    Os atributos de que ela é dotada preencheriam uma longa lista, mas nada disso seria possível sem um ponto de partida. O Monumento aos Fundadores de São Paulo foi construído justamente para preservar e homenagear aqueles que, há quase 458 anos, se mostraram fundamentais no processo de formação da cidade.

    Composta por peça de bronze e granito rosa, o monumento foi construído entre 1952 e 1962, pelo artista plástico Luis Morrone e inaugurado em 25 de janeiro de 1963. A pedra fundamental foi lançada em 18 de outubro de 1962, aniversário da morte de Manoel da Nóbrega, tradicionalmente considerado uma das principais personagens do que se entende ser a fundação da cidade.
    Instalada originalmente na Praça Clóvis Bevilacqua, a obra ali permaneceu até inícios da década de 1970, quando em função das obras do Metrô – Estação Sé, que provocaram o desaparecimento da praça, houve necessidade de removê-lo. Assim sendo, foi transferido para a Rua Manoel da Nóbrega, ao que consta para a solicitação do próprio escultor e de José de Mello Pimenta, representante da colônia portuguesa.
    O monumento é constituído por um conjunto escultórico em que o momento da fundação aparece protagonizado por jesuítas (Padre Manoel da Nóbrega e Padre José de Anchieta) e representantes do governo português (Governador Martim Afonso), parceiros na colonização sob o signo do catolicismo.
    Sugere através da presença de João de Ramalho e Bartira a convivência pacífica entre colonizadores portugueses e povos indígenas. A obra contém ainda placas de bronze representando a primeira missa em São Paulo e a fundação de São Vicente.
    Que tal contribuir mais com a disseminação da história de São Paulo e de outras cidades?
    Aproveite esse feriado para fotografar monumentos durante seus passeios e viagens. Depois, compartilhe as imagens e informações através do MuBE Virtual. Contribua para que todo o mundo tenha acesso às riquezas da nossa arte pública!

    Texto: Luna Recaldes

    Imagens: Companhia de Restauro

     
  • MuBE Virtual 16:42 on 19/01/2012 Permalink | Reply
    Tags: avenida paulista, manhã, , notícia, SBT, trianon, zorzete   

    MuBE Virtual em reportagem do SBT 

    Jornal do SBT Manhã:

    Cidadãos desconhecem personagens retratados em estátuas

    Em São Paulo, a maior parte da população desconhece os personagens históricos retratados nas estátuas. Por exemplo, na Avenida Paulista está o monumento do bandeirante Bartolomeu Bueno da Silva, desconhecido pela maioria.

    Um aplicativo desenvolvido por um artista plástico, permite que o usuário pesquise de graça sobre as estátuas da cidade.

     

     
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