Updates from July, 2014 Toggle Comment Threads | Keyboard Shortcuts

  • MuBE Virtual 16:06 on 22/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: Erika Verzutti, Guggenheim   

    Erika Verzutti: “Estranho humor” 

    Livro e mostras no exterior destacam o caráter sensorial da obra de Erika Verzutti

    Na faculdade de desenho industrial no Mackenzie, aos 18 anos, Erika Verzutti e as colegas pegavam o roteiro de exposições da revista Veja, como conta, e iam visitar qualquer opção em cartaz em São Paulo. Nessa época, vivia uma angústia que classifica como “coisa de classe média”: “Olhava para a arte e não sabia o que era”. “A paixão e a disposição que tinha de olhar para uma escultura de um nu meio polido de um autor desconhecido era a mesma de ver uma obra do Daniel Senise”, afirma a paulistana, hoje com 43 anos. “Isso de ficar só no sensível”, como define, é o que ela tenta reproduzir, enfim, em suas criações como artista.

    À primeira vista, as esculturas de Erika Verzutti podem parecer corpos estranhos. Em uma breve descrição, frutas, como jacas e bananas, e legumes, por exemplo, são transpostos para o bronze ou para o cimento integrando composições de uma ação escultórica que, atualmente, destaca-se em exposições em cartaz nos EUA e na Suíça. “Para além de representar, as esculturas de Erika Verzutti dão forma a sensações e fantasias – querem ser e fazer delícias e horrores”, escreve José Augusto Ribeiro no texto Um Bicho de Sete Cabeças, que abre o livro dedicado à artista, lançado recentemente pela editora Cobogó. Resume o crítico que a obra da paulistana “envolve humor, beleza, erotismo, estranhamento e violência, a uma só vez”.

    Venus on Fire

    Venus on Fire

    “Trabalho no território da falta de informação”, afirma a artista, que recusa relacionar sua produção ao terreno da ironia. Citações (“escancaradas”) da história da arte – como remissões às esculturas surrealistas de Maria Martins (1894-1973), às formas das figuras antropofágicas dos quadros de Tarsila do Amaral (1886-1973) ou a trabalhos do escultor britânico Henry Moore (1898-1986). E ela também faz referências a clichês do campo artístico – com a incorporação de pincéis e paletas, por exemplo, em suas composições escultóricas – são sua maneira de jogar com o “cômico”, o “superficial” , a “devoção” e a “livre associação”.

    As criações de Erika Verzutti podem ter um caráter mais figurativo em alguns momentos, em outros, mais abstratos – incursões geométricas -, ou até remeter a uma ancestralidade. “Um desejo mais primitivo que seja, de formas mais brutas, mais ásperas, é uma maneira de lidar hoje com a imagem contemporânea”, comenta.

    “Acho que tem mais graça olhar para uma superfície terrosa agora do que teria nos anos 1980. É um ciclo que a gente vive, uma necessidade física. Gosto de pensar que as coisas se processam mais sensorialmente”, completa. O percurso mais recente de seu trabalho pode ser contemplado na edição da Cobogó.

    Aceitação

    No sábado, 19, a artista encerrou uma mostra na Galerie Peter Kilchmann de Zurique, mas ela participa, até novembro, de uma exibição coletiva no Langmatt, em Baden, também na Suíça. Já nos Estados Unidos, o Tang Teaching Museum, instituição universitária em Saratoga Springs, cidade do Estado de Nova York, acaba de inaugurar uma exposição da brasileira com conjunto de obras realizadas em 2013.

    “É minha primeira individual em museu”, diz Erika, considerando que a “aceitação de público, crítica e mercado” de seu trabalho ocorreu, de fato, a partir de 2011, apesar de ela ter despontado no circuito na década de 1990, enquanto cursava a Goldsmiths College de Londres.

    “Os trabalhos de Erika Verzutti, imbuídos de um sentido de ritual misterioso, geralmente centram atenção para formas e ciclos encontrados na natureza”, explica o texto de apresentação da mostra no Tang, até 16 de novembro. As peças reunidas na instituição norte-americana são criadas com pedras, argila, concreto e bronze, entre outros materiais, e ficam expostas no chão e nas paredes (neste caso, já indicando uma vontade de adentrar no campo da pintura-escultura). Fizeram também parte de uma coletiva, no ano passado, no Carnegie Museum de Pittsburgh.

    Para completar o “tour” americano, duas de suas esculturas, Venus on Fire (2013) e Painted Lady (2012), estão na exposição Sob o Mesmo Sol: Arte da América Latina Hoje, em cartaz até 1.º de outubro no Guggenheim de Nova York (que as adquiriu). A mostra, com obras de outros brasileiros, vai itinerar em 2015 para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

    CAMILA MOLINA. “Estranho humor”. Jornal O Estado de São Paulo, 20 de julho de 2014

     
  • MuBE Virtual 15:09 on 01/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: anish kapoor, , museu nacional de belas artes, osgemeos,   

    Museu quer expor obras apreendidas no Rio 

    Conjunto de 18 esculturas e pinturas está avaliado em R$ 10 milhões

    O Museu Nacional de Belas Artes quer expor ao público ainda este ano as 18 obras de arte apreendidas pela Receita Federal na alfândega do Porto do Rio.  Entre os quadros e esculturas, avaliados em R$ 10 milhões no total, há trabalhos de artistas brasileiros, como OsGemeos e Jorge Eduardo Guinle Filho, e também estrangeiros, como Anish Kapoor e Antony Gormley.Os quadros e esculturas foram descobertos por agentes da Receita dentro de contêineres provenientes dos EUA.
    As obras vinham misturadas às mudanças de brasileiros que estavam voltando ao País. Segundo a Receita, alguns eram cooptados nos EUA para declararem quadros, esculturas e também outras mercadorias como parte de sua bagagem, que é isenta de tributos.
    Na mudança de um amanicure brasileira, que morou por 21 anos nos EUA, foram encontradas as duas peças mais caras: uma do brasileiro Sergio Camargo, avaliada em US$ 2 milhões, e a outra do indiano/britânico Anish Kapoor. Avaliada em US$ 1 milhão, a obra veio declarada como “antena parabólica”, no contêiner.

    Obra de Sérgio Camargo

    Obra de Sérgio Camargo

    Também houve casos, segundo a Receita, em que o viajante tinha bens inseridos na bagagem sem tomar conhecimento. Ao Fantástico, da TV Globo, a manicure afirmou não saber que as esculturas estavam no contêiner que trazia sua mudança de volta ao Brasil. Questionada desde a manhã de ontem pelo Estado, a Receita Federal não informou as identidades de quem estaria por trás dos contrabandos e se tratava-se de um grupo organizado. Esclareceu somente que as obras foram adquiridas em leilões e galerias internacionais e que está investigando, além da sonegação fiscal,
    a possibilidade de ocorrência do crime de lavagem de dinheiro”. Além das obras de arte, foram apreendidas também 17 toneladas de mercadorias como móveis, eletrodomésticos e equipamentos esportivos.
    Exposição. As 18 obras estão em processo de doação para o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no centro do Rio. “Esperamos que o processo seja concluído até o fim de julho. Ainda este ano, nossa ideia é fazer uma exposição provisória com as peças, todas juntas, que depois serão incorporadas ao nosso circuito expositivo permanente”, disse a diretora do MNBA, Monica Xexéo. “É um conjunto pequeno, mas extremamente expressivo, de extrema relevância nacional e internacional. Há trabalhos de sete brasileiros: além de Sergio Camargo, OsGemeos e Jorge Guinle, Juarez Machado, Beatriz Milhazes, Daniel Senise e Cildo Meireles.
    Os artistas estrangeiros são, além de Kapoor e Gormley, o chileno Ivan Navarro, os franceses François-Xavier Lalanne e Niki de Saint Phalle, o colombiano Edgar Negret, o argentino Miguel Angel Rios, o italiano Michelangelo Pistoletto, a norte-americana Barbara Kruger, o húngaro Victor Vasarely e o escocês Callum Innes.
    Em setembro, chamados pela Receita, museólogos e historiadores do MNBA fizeram a primeira vistoria às obras encontradas nos contêineres; constatada a autenticidade das peças, elas foram encaminhadas em 30 de abril ao museu para serem mais bem armazenadas.
    “Pela primeira vez, uma peça do Anish Kapoor, por exemplo, será exposta ao público como patrimônio do governo brasileiro”, disse a coordenadora técnica do MNBA, uma das responsáveis por inspecionar as obras logo que descobertas no Porto, Daniela Matera. Não é a primeira vez que uma obra apreendida pela Receita é doada ao MNBA. Em 2006,  após ser apreendida no Porto de Santos, a tela “O Caçador de Passarinhos”, de Cândido Portinari, passou a integrar a exposição do museu.

    TIAGO ROGERO. “Museu quer expor obras apreendidas no Rio”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de julho de 2014.

     
  • MuBE Virtual 14:48 on 09/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: henrique oliveira, MAC USP, Transarquitetônica   

    Do moderno ao arcaico 

    Artista Henrique Oliveira cria para o MAC-USP instalação que remete a uma caverna

    Paredes de um cubo branco vão se transformando, aos poucos, em corredores de alvenaria popular; em seguida, em caminhos de taipa; até se metamorfosearem em uma caverna de tapumes. No final do percurso, estranho e labiríntico, encontram-se grandes galhos de uma árvore – a instalação Transarquitetônica, que Henrique Oliveira criou especialmente para o prédio anexo do Museu de Arte Contemporânea da USP, é um percurso de passagem do tempo, uma narrativa linear.
    “Numa ponta, você tem uma ideia de arquitetura moderna, de um espaço neutro, como um corredor de hospital, que representa o momento contemporâneo. Do outro, os galhos representam a primeira moradia do homem-macaco, anterior ao homo sapiens”, descreve o artista. Ele recusa o termo monumental para definir sua obra, mas ela é um vultoso corpo de cerca de 70 metros de comprimento pelo qual o visitante é convidado a adentrar, percorrer pela própria experiência.
    Ou, por outro lado, o espectador pode contemplar a instalação de fora, do extenso primeiro andar do espaço expositivo.
    Dali, Transarquitetônica é vista como um “objeto” orgânico “contínuo”, que parece ter-se acomodado, lentamente, na construção original do arquiteto Oscar Niemeyer, uma grande sala longitudinal branca, de 1.600 m², pontuada por 13 colunas.
    No inevitável símbolo modernista, o novo trabalho de Henrique Oliveira é mais que a criação de um corpo cavernoso,
    feito com os tapumes que já são sua técnica característica. A obra do artista, erguida durante dois meses e que consumiu
    orçamento de R$ 700 mil, ganha outras camadas, ousadas. Torna-se, também, uma reflexão sobre arquitetura, com ramificações interpretativas de ordem política, crítica.
    “É possível ver o trabalho como uma coisa que começa com um cubo branco, com esse idealismo da forma (a arquitetura branquinha para ser vista) que se liga à ideia de uma cultura que se faz na modernidade e vai se ramificando para formas de moradia populares que são a realidade”, diz Henrique Oliveira, que já tinha projeto antigo de misturar tipos de construções diferentes em uma grande instalação. “Se você pensar em Brasília, a cidade foi concebida para ser aquela coisa monumental, limpa e plástica, mas toda uma periferia foi se desenvolvendo em volta.” “O Brasil é um pouco
    isso: a distância entre os ideais e o que acontece na maior parte do País é muito grande”, continua o artista, convidado no ano passado a criar um trabalho para o anexo do MAC-USP.
    Como ele conta, já lhe foi questionado se sua escolha por usar os tapumes em suas instalações tinha como ensejo fazer menção a favelas. É verdade que as lascas de compensado descartável – “superbarato, de pouca durabilidade” – que utiliza em suas obras já podem ser consideradas um material tipicamente brasileiro. Mas, na verdade, Henrique Oliveira
    chegou a esse elemento por intermédio de sua produção como pintor.
    “Sempre tive uma atração por fazer uma pintura mais visceral ao usar amadeira”, afirma. “Os compensados eram cor-de-rosa, me lembravam pele, carne.”
    Transições. “Sou pintor que não faz só pintura. Mesmo quando o meu trabalho está nessa dimensão, em um espaço com oeste, com essa referência arquitetônica e escultórica forte, ele também tem situações pictóricas nas madeiras, cores, texturas”, expressa. Aos 40 anos, o artista já é um dos mais destacados da cena brasileira, com trajetória de alcance internacional.
    Em 2013, ele criou a instalação Baitogogo para o Palais de Tokyo, em Paris (e uma obra sua ainda está em cartaz no local), além de ter exibido suas criações, recentemente, em instituições de várias partes do mundo. “Meu trabalho funciona bem como imagem. Ele pode ser compreendido num nível profundo, mas também qualquer pessoa vem e se relaciona com a obra. Não sei se é bom ou ruim, não importa. Acho interessante que fale também ao público de uma maneira geral, não é cifrado, é uma coisa mais democrática”, analisa Henrique Oliveira.

    CAMILA MOLINA. Do moderno ao Arcaico. Jornal o Estado de São Paulo, 27 de abril de 2014.

     
  • MuBE Virtual 20:48 on 20/03/2014 Permalink | Reply
    Tags: fundação cartier, museu de arte moderna, ron mueck, still life   

    MAM Rio recebe o hiperrealismo de Ron Mueck 

    Abriu hoje, ao grande público, a exposição “Still Life” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Com curadoria assinada por Hervé Chandès e Grazia Quaroni (diretor e curadora da Fundação Cartier de Paris, respectivamente), a expo exibe a obra de Ron Mueck, artista australiano radicado em Londres.

    Não é de hoje que Mueck trabalha com a tridimensionalidade; produzia bonecos e animatronics para a TV, e posteriormente,  trabalhou também para agências de publicidade e para a indústria do cinema. No filme “Labirinto”, dirigido por Jim Henson, é possível conferir alguns de seus trabalhos naquela época.

    As esculturas de sua fase atual impressionam e magnetizam o observador por motivos diversos. A pesquisa cromática e a texturização de órgãos, verossímeis ao corpo, são impactantes à primeira vista. A ruptura da formalidade, em Mueck, se dá por um lado na dimensão dos objetos, e por outro, na expressividade figurativa.

    A maior parte da produção de Mueck é colossal, e isso não é diferente com as esculturas enormes que o MAM abriga hoje. Apenas uma das nove peças que estão no museu tem tamanho inferior ao do corpo humano.

    O toque mais pessoal de sua criação, contudo (e o que provavelmente lhe difere de outros hiperrealistas), reside na singeleza e introspecção de seus personagens. Alguns com expressões de grande serenidade, outros, com postura quase existencialista; todos, porém, muito expressivos, providos de temperamento, por uma combinação harmoniosa entre os estudos de gesto, de postura, posição e interação com o espaço. A intimidade de Mueck com a linguagem cinematográfica – extremamente exigente em caracterizações e composição – no passar do tempo, deve ter lhe presenteado com o perfeccionismo da técnica.

    Mueck amplia as suas representações, colocando-as à altura dos sentimentos que exprimem. Brinca com as percepções de quem passeia por suas obras: ser colocado perante objetos inanimados, mas de físico marcante e emocionalmente carregados, chega a ser desconcertante. Nesta altura, o visitante já mergulhou completamente em sua obra.

    "Boy", com 5 metros de altura, exibida na Bienal de Veneza de 1999

    "Boy", com 5 metros de altura, exibida na Bienal de Veneza de 1999

    A exposição Still Life, que vem da Fundação Cartier, já passou também pelo PROA em Buenos Aires e ficará no Rio até 01 de junho de 2014.

    Para conhecer mais esculturas, clique aqui.

    Texto: Luna Recaldes/Foto: Marcos Arcoverde

     
  • MuBE Virtual 15:36 on 24/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: sandra brecheret, victor brecheret   

    Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo 

    Pesquisadora já doou 12 trabalhos do escultor para instituições internacionais interessadas em perpetuar o legado dele

    Doar para divulgar. E divulgar para preservar. Se depender dos interesses da escritora e pesquisadora Sandra Brecheret Pellegrini, a obra de seu pai, o escultor Victor Brecheret (1894-1955), será cada vez mais pública, conhecida e acessível. Nos últimos anos, ela vem doando para instituições de todo o mundo itens de seu pai que integram sua coleção pessoal. No total, 12 Brecherets já foram espalhados assim. E ela quer mais.
    “Pretendo doar sempre obras de meu pai. Basta que a entidade que receba dê prestígio e respaldo a Brecheret de forma eterna”, diz Sandra. Recentemente, por exemplo, a escultura Portadora de Perfume, de 1924, foi incorporada ao acervo do Senado da França e instalada em área restrita anexa ao Jardim de Luxemburgo, em Paris.

    É simbólica a volta da escultura a Paris. Feita em uma das longas passagens do escultor pela capital francesa, a obra foi premiada no Salão de Outono de Paris, em 1924. “A decisão (de fazer as doações) é minha. É uma forma de retribuir ao Brecheret e à imagem dele tudo aquilo que ele me deu”, comenta Sandra. Não é pouca coisa. Além do valor sentimental, uma obra do famoso escultor costuma ser bem cotada no mercado.

    Para fins de seguro, o Senado francês avaliou em 390 mil a Portadora – o equivalente a quase R$ 1,3 milhão. “Ele me deu um nome tão bonito, uma glória tão bonita, que estou pessoalmente deixando seu legado a instituições sérias que vão perpetuá-lo”, completa Sandra. “Nós passamos, a arte fica.”


    Acervo pessoal. À frente da Fundação Escultor Victor Brecheret, Sandra já publicou 11 livros sobre a vida e a obra de seu pai – alguns podem ser baixados, de graça, em http://www.victor.brecheret.nom.br.
    Ela afirma que ainda tem, em sua coleção particular, “dezenas” de obras assinadas pelo pai – recusa-se a especificar o número. “E estou aberta a conversar com instituições interessadas nas obras”, diz. “Minhas condições são sempre avaliando a maneira como a obra vai ser mostrada, porque o que não quero é que uma escultura de Brecheret acabe em um porão qualquer”, declara.
    Essas tratativas podem levar até três anos. E foi assim que São Francisco, de 1948, acabou na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, no ano 2000. Ou que Bailarina, de 1928, foi incorporada ao acervo da Câmara dos Deputados, em Brasília (confira ao lado a lista completa das doações).
    Aniversário. No próximo sábado, são comemorados 120 anos do nascimento de Victor Brecheret, que acabou se consagrando como o escultor de São Paulo. Nascido na italiana Farnese, emigrou para o Brasil e aqui se tornou referência do movimento Modernista. No início da década de 1920, ganhou uma bolsa de estudos do governo paulista e foi estudar em Paris.
    São do escultor diversas obras públicas em São Paulo. A mais conhecida, sem dúvida, é o Monumento às Bandeiras – chamado popularmente de “deixa que eu empurro” ou “empurra-empurra” -, próximo do Parque do Ibirapuera.
    Mas também são de Brecheret o Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel, e o Fauno, no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), entre outras.

     

    Fontes: EDISON VEIGA. “Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo”. Jornal O Estado de São Paulo, 15 de fevereiro de 2014.

    Foto: Sergio Castro/Estadão

     
  • MuBE Virtual 14:07 on 21/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: apolo, bronze, , hamas   

    Hamas confisca estátua de Apolo 

    Perdida há séculos, uma estátua do deus grego Apolo reapareceu misteriosamente na Faixa de Gaza, mas logo foi apreendida pela polícia e sumiu. A notícia aguçou a imaginação de arqueólogos do mundo todo, mas ninguém sabe se o bronze de tamanho natural poderá ser exibido.

    Joudat Ghrab, um pescador local de 26 anos, diz ter retirado a imagem de 500 quilos do fundo do mar em agosto. Ghrab conta ter visto uma forma humana deitada em águas pouco profundas, a cerca de 100 metros da praia. No começo, achou que fosse um corpo queimado, mas quando mergulhou, viu que era uma estátua.

    Com a ajuda de parentes, ele levou quatro horas para levar o tesouro até a praia e arrastou o Apolo até sua casa em uma carroça puxada por um burro. Sua mãe “quase morreu de susto” ao ver o deus grego nu e exigiu que as partes íntimas fossem cobertas. Ghrab cortou um dos dedos e o levou a um especialista em metais, achando que poderia ser ouro. Sem que ele soubesse, um dos seus irmãos cortou outro dedo querendo pesquisar por conta própria.

    Pouco depois, membros da família que pertencem a uma milícia do Hamas tomaram a estátua e, em seguida, ela apareceu à venda no eBay por US$ 500 mil. O problema era a mensagem abaixo, que dizia que o comprador deveria buscar o Apolo em Gaza, que está isolada por um bloqueio israelense.

    Assim que a notícia se espalhou, autoridades do Hamas ordenaram o confisco do Apolo. Para a grande frustração dos arqueólogos, nenhum especialista analisou a imagem, que apareceu apenas em algumas fotografias mal feitas, enrolada em um cobertor dos Smurfs.

    Para Jean-Michel de Tarragon, historiador da Escola Arqueológica de Jerusalém, a estátua foi fundida entre os séculos 5.º e 1.º a.C. “Ela é única e não tem preço. Seria como tentar estabelecer o preço da Monalisa, do Louvre”, disse. Autoridades de Gaza disseram que a estátua não será mostrada ao público enquanto não for concluída uma investigação criminal para apurar quem tentou vendê-la. Museus do mundo inteiro já entraram em contato com funcionários do governo local para ajudar na restauração do Apolo.

    Fontes:

    “Hamas confisca estátua de Apolo”. Jornal O Estado de São Paulo, 12 de fevereiro de 2014. Página consultada em 21 de fevereiro de 2014.

     

     
  • MuBE Virtual 13:46 on 27/01/2014 Permalink | Reply
    Tags: Andre Prinsloo, coelho, , Nelson Mandela   

    Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela 

    JOHANESBURGO – Um coelho de bronze dentro da orelha de uma estátua do líder antiapartheid Nelson Mandela está provocando debate na Africa do Sul.

    O governo ordenou aos escultores que retirem imediatamente o animal da obra inaugurada após a morte de Mandela, no centro de Pretória, enquanto vários sul-africanos defendem a presença do simpático roedor na entrada do ouvido do herói nacional.

    “Coelho” na língua afrikaans – falada originalmente por colonos holandeses – é “haas”, que também significa “rapidez”. Os escultores colocaram o animal para reclamar que foram obrigados a fazer rapidamente a estátua de nove metros de Mandela, que desde o dia do enterro do ex-presidente – 16 de dezembro – virou atração em uma praça cercada por prédios do governo, na capital.

    À rede BBC, os dois responsáveis pela estátua negaram que o coelho seja ofensivo e pediram desculpas se a família Mandela ou o governo de Pretória se incomodaram com o bichinho. Eles afirmam que, em vez disso, o animal é uma forma de deixar registrada a marca dos dois, depois que eles foram proibidos de colocar suas assinaturas na calça do ex-presidente sul-africano e obrigados a finalizar a obra em curtíssimo espaço de tempo.

    Só é possível ver o coelho com binóculos, justificou um dos artistas, Andre Prinsloo, dizendo que eles não quiseram retirar nada da obra. “Antes de erguermos a estátua, muita gente viu ela e ninguém nem reparou”, disse.

    Um porta-voz do governo criticou duramente os escultores, dizendo que é preciso remover o coelho “para restaurar a dignidade da estátua”. “Não achamos que isso é apropriado, pois Mandela nunca teve um coelho na orelha”, disse Mogomotsi Mogodiri, do Departamento de Arte e Cultura. Resta agora definir o dia da remoção.

    Mandela é comumente chamado de “pai dos sul-africanos”, uma figura cuja liderança – decisiva para enterrar as leis raciais que vigoraram até os anos 90 na África do Sul – atravessou clivagens raciais e sociais.

     

    Fontes:

    “Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela”. Jornal O Estado de São Paulo,  23 de janeiro de 2014. Página consultada em 27 de janeiro de 2014. 

     
  • MuBE Virtual 13:28 on 25/11/2013 Permalink | Reply
    Tags: exposição, fabiano brito, ufscar, um outro gesto   

    Biblioteca da UFSCar recebe mostra gratuita do escultor Fabiano Brito 

    Exposição ‘Um Outro Gesto’ pode ser visitada até o dia 30 de novembro.
    Artista usa técnicas como modelagem de terracota e fundição em alumínio.

    A Biblioteca Comunitária da Universidade Federal de São Carlos (UFSCar) recebe, até o dia 30 de novembro, a exposição gratuita “Um Outro Gesto”, do artista plástico e designer Fabiano Brito. O escultor, reconhecido mundialmente, apresenta obras criadas a partir de diversas técnicas, como modelagem de terracota e fundição em alumínio.
    O artista começou a esculpir quando era adolescente, inspirado no trabalho de Auguste Rodin e Neandruss de Mello Cezar. Brito abandonou as carreiras de instrutor de informática e designer gráfico para se dedicar à produção das esculturas, que impressionam pela beleza e suavidade dos traços.
    A mostra ficará no saguão da biblioteca, localizada na área norte do campus da UFSCar. As visitas podem ser feitas de segunda a sexta-feira, das 8h às 22h, e aos sábados, das 8h às 14h. Mais informações podem ser obtidas pelo telefone (16) 3351-8747.

    Fonte: G1 – O Portal de Notícias da Globo

     
  • MuBE Virtual 19:41 on 12/11/2013 Permalink | Reply
    Tags: galeria millan, instituto tomie ohtake, nelson felix   

    Duas mostras de Nelson Felix questionam os limites da produção artística 

    Rodrigo Neves (Especial para o Estado)

    Até onde pode ir a dimensão reflexiva de uma obra de arte, sem que ela perca sua força sensível e se transforme num teorema descarnado? A questão tem grande pertinência, sobretudo no momento em que a arte contemporânea, de tanto evitar a pecha de ingenuidade, assemelha-se a um escorpião encurralado: prefere morrer pelo próprio veneno a deixar-se apanhar. Gerhard Richter, um dos mais bem-sucedidos artistas contemporâneos, duvida tanto da pintura que é de se perguntar por que ainda continua a pintar.

    Acredito que os trabalhos apresentados por Nelson Felix em suas duas exposições (na Galeria Millan e no Instituto Tomie Ohtake) movem-se no fio perigoso desta navalha, conhecendo o risco que correm e a estreita margem de manobra que resta a esse tipo de interrogação, embora procurem dar outra saída à pergunta, como têm feito outros importantes artistas de nossos dias.

    Uma circularidade problemática sempre foi presença forte em sua obra, exercendo essa função inquisitiva. Numa dimensão modesta, a questão surgia, por exemplo, em O Grande Budha (1985-2000), um trabalho no qual garras de latão eram dispostas circularmente ao redor de um mogno, uma árvore centenária perdida em meio à Floresta Amazônica. À medida que o tronco crescia, as garras penetravam-no, tornando perceptíveis tanto seu crescimento quanto uma força que, sem essa oposição, jamais se mostraria. E ambos (crescimento e força) irão potencializar a circularidade rude do mogno. Em outras palavras, a própria gênese dos volumes, elemento central da escultura, se mostrava a nossos olhos.

    A simples circularidade, ou seja, o voltar-se sobre algo, ao mesmo tempo que é condição para o entendimento, pode conduzir a uma posição oposta. A expressão “andar em círculo” é sinônimo de descaminho e há pouca sabedoria no cão que tenta morder a própria cauda. Em arte, penso que, para adquirir relevância, o movimento de voltar-se sobre algo (reflexão) precisa apontar e problematizar seus próprios limites. Uma atividade cuja grandeza está tão intimamente ligada aos sentidos, a arte, tem, em sua própria constituição, algo avesso ao entendimento.

    O mero crescimento de uma árvore não tem nada a ver com a compreensão de um processo nem com a arte. Cercada de maneira regular (circularmente) por balizas que evidenciam sua expansão, irá adquirir uma presença nova, nem simplesmente natural nem objeto domesticado: algo que poderíamos chamar arte, possivelmente para escândalo do crítico de arte Ferreira Gullar.

    Neste exemplo, a evidenciação de um processo natural (o crescimento) não é realizada pelas vias convencionais (uma fita métrica, por exemplo), e sim por procedimentos que põem em relevo a força e a opacidade do mundo material – do qual, aliás, também fazemos parte – sempre rebaixadas pela oposição que privilegia a (suposta) transparência e leveza do espírito.

    Logo que entramos na sala principal da mostra na Galeria Millan, dois grandes anéis de mármore chamam nossa atenção. Já a disposição dos dois aros, enviesados, retira deles parte da dinâmica sugerida pelos círculos, o que intensifica sua presença material e, assim, reduz o estatuto de pura forma. As hastes que quase tangenciam os anéis funcionam visualmente como as ferramentas do torno que os fabricaram, supondo uma fricção áspera que nada tem de espiritual.

    No andar superior, outros aros de mármore, bem menores, repousam sobre o piso, alguns deles sobrepostos. Definitivamente, aquele conjunto de roldanas não irá mover-se. A construção de um volume pleno, dotado de “movimento” e belas proporções – um ideal perseguido pela escultura desde os gregos – fracassou. Restam apenas os fragmentos que testemunham aquele empreendimento frustrado.

    Foto: Galeria Millan

    Quando voltamos ao piso térreo, depois de uma primeira visada ao conjunto da exposição, temos a impressão de que tudo mudou, justamente em virtude dos empecilhos que o artista criou para que aquele sistema de circularidades operasse harmonicamente. O anel recostado na parede resume bem o processo do trabalho: cansado do esforço vão de por em movimento uma sequência de objetos que prometia uma dinâmica plena, ele descansa, tentando se recuperar do longo esforço.

    Só falta o cigarro no canto da boca. Na exposição do Instituto Tomie Ohtake dezenas de desenhos e algumas poucas fotos testemunham o longo trajeto (também ele circular) que o artista percorreu para chegar à complexidade desse conjunto. São outros tantos fragmentos fundamentais para a compreensão de um processo que põe em xeque as incursões tradicionais da própria compreensão.

    NELSON FELIX

    - Instituto Tomie Ohtake. Rua Coropés, 88, tel. 2245-1900. 3ª a dom., 11 h/20 h. Grátis. Até 9/2. Abertura hoje, para convidados.

    - Galeria Millan. Rua Fradique Coutinho, 1.360, tel. 3031-6007. 3ª a 6ª, 10 h/19 h; sáb, 11 h/18 h. Grátis. Até 21/12.

     

     Fonte: Jornal O Estado de São Paulo, Caderno 2, 12 de novembro de 2013.

     

     
  • MuBE Virtual 12:16 on 11/11/2013 Permalink | Reply  

    Ao nosso aniversário: 3 anos de MuBE Virtual! 

    Há exatos 3 anos, o MuBE Virtual era lançado na Internet  e, junto com o site, vinha a inovação em relação aos modelos museólogicos tradicionais. No MuBE Virtual, o acervo é apresentado ao museu pelo próprio público e composto de fora para dentro, através da colaboração dos interessados. É um espaço de memória, não apenas para armazenagem de informações, mas para reconstruir e atualizar símbolos significantes à vida social cotidiana nas cidades.

    O panorama que vem sendo formado, desde então, é um conjunto de obras que vão de símbolos de cidades como Cristo Redentor a bustos escondidos em pequenas praças do interior. Um acervo que cresce com curadoria coletiva, ou melhor, sem curadoria, aos poucos revelando amostras da arte pública brasileira reunidas num único espaço para pesquisas permanentes e futuras.

    Três jovens, de Lasar Segall

    Três jovens, de Lasar Segall

    A lógica do MuBE Virtual é simples: o internauta deve, primeiramente, efetuar um cadastro pessoal no site. A partir daí, ele se torna um usuário apto a cadastrar uma escultura, inserindo fotos e textos relacionados no banco de dados. Depois que faz o envio, o respectivo cadastro passa pela moderação e, realizadas as modificações ou adaptações necessárias, a obra é publicada no site. Todo o processo de cadastro e pesquisa é feito de forma integralmente gratuita e não-onerosa para os internautas.

    Há hoje cerca de 900 obras publicadas no site, sendo sua maioria provinda predominantemente de São Paulo, e também de outros estados como Bahia, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Não há nenhum estado sem obras publicadas, apesar da discrepância entre os números.
    Das 900 publicações, há um número aproximado de 300 diferentes autores das obras – um indicativo inegável da pluralidade de artistas brasileiros que se dedicam à Escultura, e também da vasta produção nacional e estrangeira que se encontra nas ruas das cidades.

    Enumeram-se, por outro lado, os 500 usuários inscritos no site atualmente. Segundo diagnóstico das estatísticas, pôde-se constatar que a maioria dos usuários cadastrados no site se divide em perfis profissionais comuns, em especial: professores, museólogos, publicitários, historiadores, empresários, jornalistas e, com destaque, artistas e escultores. Vários destes últimos puderam cadastrar e divulgar suas próprias obras no acervo.
    Paralelamente, o MuBE Virtual mantém este blog e um perfil no Facebook, onde são postadas notícias e reflexões a respeito de esculturas, artistas e patrimônio público. Já foram lançados, também, 26 informativos (email marketing) a um extenso mailing list, com os destaques do site, exposições pelo país, menções ao projeto na imprensa, entre outros assuntos.

    Visando a reconhecer e prestigiar o trabalho dos escultores brasileiros, o MuBE Virtual organizou uma série de entrevistas. Os entrevistados, até o presente momento, foram Elisa Bracher, Erickson Campos Britto, Luis Gagliastri, Jorge Bassani, Magoo Felix, Pado e Rodrigo (Urban Trash Art) e José Luiz Giacomelli. Neste processo, buscou-se manifestar as expressões de escultores dos mais variados estilos e linguagens.

    Dentre os principais parceiros formados na trajetória do projeto, coloca-se o Acessa SP, o programa de inclusão digital do Governo do Estado de São Paulo. Em um espaço de um ano e meio, o MuBE Virtual ministrou seis capacitações aos monitores do programa, sendo duas delas em Pindamonhangaba e Marília e as restantes em São Paulo. Durante as capacitações em São Paulo, os monitores foram capacitados a operar a plataforma, apresentados a princípios do patrimônio histórico, cadastrados no site, e incentivados a observar com mais sensibilidade os locais por onde passam, registrar, fotografar e cadastrar esculturas no banco de dados. A ideia é que reproduzissem os mesmos aprendizados com os usuários que frequentam os postos do Acessa SP. Em Pindamonhangaba e Marília, houve também visitas à cidade, registro das esculturas locais e posterior cadastro das mesmas no site, feito pelos próprios monitores. Cada uma das capacitações atingiu cerca de 30 pessoas.

    Capacitação no Acessa SP

    As oficinas tiveram um aspecto educativo bastante enfático, principalmente de ordem conceitual sobre o termo “escultura”. Esse questionamento, se feito para várias pessoas, pode levantar proposições diversas, porque o termo em si não tem um significado fechado e universal. Nas oficinas, foi esclarecido que as obras esculturais são aquelas que se apresentam em relevo total ou parcial, e pertencem a estilos e escolas artísticas diversas. Há uma infinidade de materiais além dos mais comumente associados com a criação de esculturas, como mármore, cobre, granito, e bronze; consequentemente, também podem ser classificadas como duráveis ou efêmeras – nesse caso, um bom exemplo são as esculturas de areia. As esculturas também não se restringem à representação figurativa, como de pessoas ou animais definidos, mas podem ser também abstratas.
    Contudo, o inventariado do MuBE Virtual se restringe, a princípio, às esculturas duráveis e instaladas em espaços públicos. Pontualmente, o conteúdo do site foi expandido com o acervo de outros museus; já estão inclusos no banco de dados, por exemplo, as obras externas do Museu Brasileiro da Escultura, Museu de Arte Moderna da Bahia, Memorial da América Latina, entre outros, graças à formação de parcerias com estas instituições.

    Escultura do MAM/BA

    O MuBE Virtual também promoveu o passeio “A Escultura Paulistana na Modernidade”, em junho de 2012, direcionado a artistas, museólogos, historiadores, estudantes, gestores culturais, e demais interessados na área. Nesta oficina, os 20 participantes percorreram o centro de São Paulo e ouviram um relato histórico das esculturas que provinham do século XIX até meados do século XX.

    "A Escultura Paulistana na Modernidade", ministrada por Sérgio de Simone

    Em todas as oficinas supracitadas, houve a distribuição de cartilhas educativas, incluindo, por exemplo, o mapa da região com a marcação geoespacial das obras a serem visitadas.
    Em junho de 2011, com o objetivo de acompanhar as mudanças de seu tempo, o MuBE Virtual lançou um aplicativo gratuito para Iphone, que disponibiliza hoje 400 obras para visualização. Nela, o usuário pode pesquisar as esculturas de cada estado e cidade e a partir de sua localização, traçar uma rota até a escultura buscada. Os dados do aplicativo são os mesmos da plataforma online. Através dessas consultas, o transeunte adquire informações do espaço urbano em tempo real.

    Aplicativo para smartphone do MuBE Virtual

    Pelo seu caráter fundamentalmente artístico e tecnológico, MuBE Virtual foi citado e utilizado como referência em congressos, como o #10 ART – Encontro Internacional de Arte e Tecnologia, em Brasília; o Simpósio Rumos Arte Cibernética 2011, em São Paulo; e na Palestra Cidades em Rede, na FAU/USP, também em São Paulo. Além disso, foi pauta da Revista Mundo Jovem de agosto de 2011, distribuída em todas as escolas públicas do Brasil (artigo de Tatiana Travisani).
    Por outro viés, o MuBE Virtual, desde sua fundação, promoveu o contato com secretarias e órgãos de Governo de todo o país, a fim de apresentar-lhes a plataforma, e incentivá-los a publicar as esculturas e monumentos de suas cidades no banco de dados. Este cadastro poderia ser concebido de duas formas: de tal maneira que os próprios servidores públicos publicassem o inventário dos municípios ou, que estes inventários fossem encaminhados e disponibilizados à equipe do projeto, em São Paulo. Ao todo, foram feitas mais de 100 ligações, e 3600 emails foram enviados; ainda assim, esta ação teve poucos resultados bem-sucedidos.

    Sob orientação de acadêmicos, o MuBE Virtual também publicou estudo intitulado “Politicas Públicas para Escultura Brasileira”, na 10ª Semana de Museus do IBRAM. A pesquisa (disponível em http://goo.gl/It5A1F) visou a uma constatação e reflexão do que tem sido feito pelo Estado no tratamento com o patrimônio artístico público, com uma investigação mais focada sobre as políticas vigentes nesse sentido. Por meio de uma pesquisa qualitativa, gestores de patrimônio das 50 cidades mais populosas do país (IBGE, 2010) foram questionados sobre as suas atribuições e responsabilidades, os critérios para a escolha e instalação de obras e as últimas ações de conservação e restauro das esculturas de seus municípios; obtendo-se, assim, um diagnóstico plausível da heterogeneidade das políticas para patrimônio dentro do território nacional.

    Após preparar esta retrospectiva, prevalece o feliz sentimento de que foram, enfim, 3 anos de intensa produção. Mas não paramos por aqui: ainda faltam muitas localidades a serem alcançadas, e projetos paralelos de cunho cultural e educativo a serem desenvolvidos.

    Que tal comemorar conosco? Saia às ruas, fotografe, publique: compartilhe a arte do nosso país com o mundo!

     Texto: Luna Recaldes

     
c
compose new post
j
next post/next comment
k
previous post/previous comment
r
reply
e
edit
o
show/hide comments
t
go to top
l
go to login
h
show/hide help
esc
cancel