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  • MuBE Virtual 16:06 on 22/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: Erika Verzutti, Guggenheim   

    Erika Verzutti: “Estranho humor” 

    Livro e mostras no exterior destacam o caráter sensorial da obra de Erika Verzutti

    Na faculdade de desenho industrial no Mackenzie, aos 18 anos, Erika Verzutti e as colegas pegavam o roteiro de exposições da revista Veja, como conta, e iam visitar qualquer opção em cartaz em São Paulo. Nessa época, vivia uma angústia que classifica como “coisa de classe média”: “Olhava para a arte e não sabia o que era”. “A paixão e a disposição que tinha de olhar para uma escultura de um nu meio polido de um autor desconhecido era a mesma de ver uma obra do Daniel Senise”, afirma a paulistana, hoje com 43 anos. “Isso de ficar só no sensível”, como define, é o que ela tenta reproduzir, enfim, em suas criações como artista.

    À primeira vista, as esculturas de Erika Verzutti podem parecer corpos estranhos. Em uma breve descrição, frutas, como jacas e bananas, e legumes, por exemplo, são transpostos para o bronze ou para o cimento integrando composições de uma ação escultórica que, atualmente, destaca-se em exposições em cartaz nos EUA e na Suíça. “Para além de representar, as esculturas de Erika Verzutti dão forma a sensações e fantasias – querem ser e fazer delícias e horrores”, escreve José Augusto Ribeiro no texto Um Bicho de Sete Cabeças, que abre o livro dedicado à artista, lançado recentemente pela editora Cobogó. Resume o crítico que a obra da paulistana “envolve humor, beleza, erotismo, estranhamento e violência, a uma só vez”.

    Venus on Fire

    Venus on Fire

    “Trabalho no território da falta de informação”, afirma a artista, que recusa relacionar sua produção ao terreno da ironia. Citações (“escancaradas”) da história da arte – como remissões às esculturas surrealistas de Maria Martins (1894-1973), às formas das figuras antropofágicas dos quadros de Tarsila do Amaral (1886-1973) ou a trabalhos do escultor britânico Henry Moore (1898-1986). E ela também faz referências a clichês do campo artístico – com a incorporação de pincéis e paletas, por exemplo, em suas composições escultóricas – são sua maneira de jogar com o “cômico”, o “superficial” , a “devoção” e a “livre associação”.

    As criações de Erika Verzutti podem ter um caráter mais figurativo em alguns momentos, em outros, mais abstratos – incursões geométricas -, ou até remeter a uma ancestralidade. “Um desejo mais primitivo que seja, de formas mais brutas, mais ásperas, é uma maneira de lidar hoje com a imagem contemporânea”, comenta.

    “Acho que tem mais graça olhar para uma superfície terrosa agora do que teria nos anos 1980. É um ciclo que a gente vive, uma necessidade física. Gosto de pensar que as coisas se processam mais sensorialmente”, completa. O percurso mais recente de seu trabalho pode ser contemplado na edição da Cobogó.

    Aceitação

    No sábado, 19, a artista encerrou uma mostra na Galerie Peter Kilchmann de Zurique, mas ela participa, até novembro, de uma exibição coletiva no Langmatt, em Baden, também na Suíça. Já nos Estados Unidos, o Tang Teaching Museum, instituição universitária em Saratoga Springs, cidade do Estado de Nova York, acaba de inaugurar uma exposição da brasileira com conjunto de obras realizadas em 2013.

    “É minha primeira individual em museu”, diz Erika, considerando que a “aceitação de público, crítica e mercado” de seu trabalho ocorreu, de fato, a partir de 2011, apesar de ela ter despontado no circuito na década de 1990, enquanto cursava a Goldsmiths College de Londres.

    “Os trabalhos de Erika Verzutti, imbuídos de um sentido de ritual misterioso, geralmente centram atenção para formas e ciclos encontrados na natureza”, explica o texto de apresentação da mostra no Tang, até 16 de novembro. As peças reunidas na instituição norte-americana são criadas com pedras, argila, concreto e bronze, entre outros materiais, e ficam expostas no chão e nas paredes (neste caso, já indicando uma vontade de adentrar no campo da pintura-escultura). Fizeram também parte de uma coletiva, no ano passado, no Carnegie Museum de Pittsburgh.

    Para completar o “tour” americano, duas de suas esculturas, Venus on Fire (2013) e Painted Lady (2012), estão na exposição Sob o Mesmo Sol: Arte da América Latina Hoje, em cartaz até 1.º de outubro no Guggenheim de Nova York (que as adquiriu). A mostra, com obras de outros brasileiros, vai itinerar em 2015 para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

    CAMILA MOLINA. “Estranho humor”. Jornal O Estado de São Paulo, 20 de julho de 2014

     
  • MuBE Virtual 15:09 on 01/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: anish kapoor, , museu nacional de belas artes, osgemeos,   

    Museu quer expor obras apreendidas no Rio 

    Conjunto de 18 esculturas e pinturas está avaliado em R$ 10 milhões

    O Museu Nacional de Belas Artes quer expor ao público ainda este ano as 18 obras de arte apreendidas pela Receita Federal na alfândega do Porto do Rio.  Entre os quadros e esculturas, avaliados em R$ 10 milhões no total, há trabalhos de artistas brasileiros, como OsGemeos e Jorge Eduardo Guinle Filho, e também estrangeiros, como Anish Kapoor e Antony Gormley.Os quadros e esculturas foram descobertos por agentes da Receita dentro de contêineres provenientes dos EUA.
    As obras vinham misturadas às mudanças de brasileiros que estavam voltando ao País. Segundo a Receita, alguns eram cooptados nos EUA para declararem quadros, esculturas e também outras mercadorias como parte de sua bagagem, que é isenta de tributos.
    Na mudança de um amanicure brasileira, que morou por 21 anos nos EUA, foram encontradas as duas peças mais caras: uma do brasileiro Sergio Camargo, avaliada em US$ 2 milhões, e a outra do indiano/britânico Anish Kapoor. Avaliada em US$ 1 milhão, a obra veio declarada como “antena parabólica”, no contêiner.

    Obra de Sérgio Camargo

    Obra de Sérgio Camargo

    Também houve casos, segundo a Receita, em que o viajante tinha bens inseridos na bagagem sem tomar conhecimento. Ao Fantástico, da TV Globo, a manicure afirmou não saber que as esculturas estavam no contêiner que trazia sua mudança de volta ao Brasil. Questionada desde a manhã de ontem pelo Estado, a Receita Federal não informou as identidades de quem estaria por trás dos contrabandos e se tratava-se de um grupo organizado. Esclareceu somente que as obras foram adquiridas em leilões e galerias internacionais e que está investigando, além da sonegação fiscal,
    a possibilidade de ocorrência do crime de lavagem de dinheiro”. Além das obras de arte, foram apreendidas também 17 toneladas de mercadorias como móveis, eletrodomésticos e equipamentos esportivos.
    Exposição. As 18 obras estão em processo de doação para o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no centro do Rio. “Esperamos que o processo seja concluído até o fim de julho. Ainda este ano, nossa ideia é fazer uma exposição provisória com as peças, todas juntas, que depois serão incorporadas ao nosso circuito expositivo permanente”, disse a diretora do MNBA, Monica Xexéo. “É um conjunto pequeno, mas extremamente expressivo, de extrema relevância nacional e internacional. Há trabalhos de sete brasileiros: além de Sergio Camargo, OsGemeos e Jorge Guinle, Juarez Machado, Beatriz Milhazes, Daniel Senise e Cildo Meireles.
    Os artistas estrangeiros são, além de Kapoor e Gormley, o chileno Ivan Navarro, os franceses François-Xavier Lalanne e Niki de Saint Phalle, o colombiano Edgar Negret, o argentino Miguel Angel Rios, o italiano Michelangelo Pistoletto, a norte-americana Barbara Kruger, o húngaro Victor Vasarely e o escocês Callum Innes.
    Em setembro, chamados pela Receita, museólogos e historiadores do MNBA fizeram a primeira vistoria às obras encontradas nos contêineres; constatada a autenticidade das peças, elas foram encaminhadas em 30 de abril ao museu para serem mais bem armazenadas.
    “Pela primeira vez, uma peça do Anish Kapoor, por exemplo, será exposta ao público como patrimônio do governo brasileiro”, disse a coordenadora técnica do MNBA, uma das responsáveis por inspecionar as obras logo que descobertas no Porto, Daniela Matera. Não é a primeira vez que uma obra apreendida pela Receita é doada ao MNBA. Em 2006,  após ser apreendida no Porto de Santos, a tela “O Caçador de Passarinhos”, de Cândido Portinari, passou a integrar a exposição do museu.

    TIAGO ROGERO. “Museu quer expor obras apreendidas no Rio”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de julho de 2014.

     
  • MuBE Virtual 14:48 on 09/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: henrique oliveira, MAC USP, Transarquitetônica   

    Do moderno ao arcaico 

    Artista Henrique Oliveira cria para o MAC-USP instalação que remete a uma caverna

    Paredes de um cubo branco vão se transformando, aos poucos, em corredores de alvenaria popular; em seguida, em caminhos de taipa; até se metamorfosearem em uma caverna de tapumes. No final do percurso, estranho e labiríntico, encontram-se grandes galhos de uma árvore – a instalação Transarquitetônica, que Henrique Oliveira criou especialmente para o prédio anexo do Museu de Arte Contemporânea da USP, é um percurso de passagem do tempo, uma narrativa linear.
    “Numa ponta, você tem uma ideia de arquitetura moderna, de um espaço neutro, como um corredor de hospital, que representa o momento contemporâneo. Do outro, os galhos representam a primeira moradia do homem-macaco, anterior ao homo sapiens”, descreve o artista. Ele recusa o termo monumental para definir sua obra, mas ela é um vultoso corpo de cerca de 70 metros de comprimento pelo qual o visitante é convidado a adentrar, percorrer pela própria experiência.
    Ou, por outro lado, o espectador pode contemplar a instalação de fora, do extenso primeiro andar do espaço expositivo.
    Dali, Transarquitetônica é vista como um “objeto” orgânico “contínuo”, que parece ter-se acomodado, lentamente, na construção original do arquiteto Oscar Niemeyer, uma grande sala longitudinal branca, de 1.600 m², pontuada por 13 colunas.
    No inevitável símbolo modernista, o novo trabalho de Henrique Oliveira é mais que a criação de um corpo cavernoso,
    feito com os tapumes que já são sua técnica característica. A obra do artista, erguida durante dois meses e que consumiu
    orçamento de R$ 700 mil, ganha outras camadas, ousadas. Torna-se, também, uma reflexão sobre arquitetura, com ramificações interpretativas de ordem política, crítica.
    “É possível ver o trabalho como uma coisa que começa com um cubo branco, com esse idealismo da forma (a arquitetura branquinha para ser vista) que se liga à ideia de uma cultura que se faz na modernidade e vai se ramificando para formas de moradia populares que são a realidade”, diz Henrique Oliveira, que já tinha projeto antigo de misturar tipos de construções diferentes em uma grande instalação. “Se você pensar em Brasília, a cidade foi concebida para ser aquela coisa monumental, limpa e plástica, mas toda uma periferia foi se desenvolvendo em volta.” “O Brasil é um pouco
    isso: a distância entre os ideais e o que acontece na maior parte do País é muito grande”, continua o artista, convidado no ano passado a criar um trabalho para o anexo do MAC-USP.
    Como ele conta, já lhe foi questionado se sua escolha por usar os tapumes em suas instalações tinha como ensejo fazer menção a favelas. É verdade que as lascas de compensado descartável – “superbarato, de pouca durabilidade” – que utiliza em suas obras já podem ser consideradas um material tipicamente brasileiro. Mas, na verdade, Henrique Oliveira
    chegou a esse elemento por intermédio de sua produção como pintor.
    “Sempre tive uma atração por fazer uma pintura mais visceral ao usar amadeira”, afirma. “Os compensados eram cor-de-rosa, me lembravam pele, carne.”
    Transições. “Sou pintor que não faz só pintura. Mesmo quando o meu trabalho está nessa dimensão, em um espaço com oeste, com essa referência arquitetônica e escultórica forte, ele também tem situações pictóricas nas madeiras, cores, texturas”, expressa. Aos 40 anos, o artista já é um dos mais destacados da cena brasileira, com trajetória de alcance internacional.
    Em 2013, ele criou a instalação Baitogogo para o Palais de Tokyo, em Paris (e uma obra sua ainda está em cartaz no local), além de ter exibido suas criações, recentemente, em instituições de várias partes do mundo. “Meu trabalho funciona bem como imagem. Ele pode ser compreendido num nível profundo, mas também qualquer pessoa vem e se relaciona com a obra. Não sei se é bom ou ruim, não importa. Acho interessante que fale também ao público de uma maneira geral, não é cifrado, é uma coisa mais democrática”, analisa Henrique Oliveira.

    CAMILA MOLINA. Do moderno ao Arcaico. Jornal o Estado de São Paulo, 27 de abril de 2014.

     
  • MuBE Virtual 15:46 on 06/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: davi, florença, michelangelo,   

    Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo 

    A escultura Davi, de Michelangelo, apresenta pequena rachaduras na parte inferior de suas pernas por causa de sua própria inclinação, o que pode colocar em risco a integridade da peça-chave do Renascimento italiano. É o que revelou estudo realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Itália em parceria com a Universidade de Florença.

    Os analistas indicam que a inclinação da obra, de 5 graus, é a causa do dano no mármore, em seus tornozelos. O estudo também observa que a escultura, com “seu inestimável valor”, foi submetida a testes frequentes ao longo dos anos e tais rachaduras são notadas desde meados do século XIX.

    Apesar de as rachaduras estarem presentes em ambas as pernas e no tronco, são apenas perceptíveis a olho nu no tornozelo esquerdo e na lateral direita do tronco. Um dos pesquisadores, Giacomo Corti, disse que que a inclinação foi causada pela falta de uniformidade do pódio no qual a escultura permaneceu entre 1504 e 1873, período em que se manteve ao ar livre em frente ao Palazzo Vecchio, em Florença.

    A escultura retrata o herói bíblico Davi, no momento em que se prepara para enfrentar Golias e é feita de mármore branco, com 4,10 metros de altura. Ela foi encomendada por Michelangelo, encomendado pela Opera del Duomo, responsável pela Catedral de Florença. Nos últimos anos Davi é objeto de várias limpezas e análises, além de ter a propriedade disputada pelo governo da Itália e a Catedral. (Com informações da EFE)

    “Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de maio de 2014.

    Imagem: Site Cabeça de Cuia

     
  • MuBE Virtual 18:24 on 07/04/2014 Permalink | Reply
    Tags: Alice Aycock, cyclone twist, new york, park avenue   

    O espaço público como galeria de arte 

    A artista plástica Alice Aycock monta esculturas em locais como a Park Avenue: ‘É a Piazza San Marco de Nova York’

    Buzinas soavam na Park Avenue com Rua 57 pouco antes da meia-noite no fim da semana passada enquanto um enorme guindaste, bloqueando o tráfego, erguia metade de Cyclone Twist, uma série de fitas espiraladas de alumínio branco, conectando-a precisamente com a outra metade já instalada na estreita faixa divisória da avenida. O resultado foi suficientemente impressionante para os trabalhadores registrarem o feito com fotos de seus celulares.

    “Querido, estou no céu”, disse a artista plástica Alice Aycock, de 67 anos, que estava supervisionando a instalação de um conjunto de sete enormes estruturas de alumínio e fiberglass. Chamada Park Avenue Paper Chase, e estendendo-se da Rua 52 à 66, ela se inspira em tornados, movimentos de dança e dobras de cortinas, e permanecerá instalada até 20 de julho.

    Cyclone Twist

    Cyclone Twist

    “Quando é que alguém na minha idade consegue algo assim? É como a Piazza San Marco de Nova York.” Maelstrom, uma montagem de fitas de alumínio que se estende por quase 21 metros perto do Seagram Building, tem a maior área de chão de todas as esculturas na história do programa de arte deste famoso corredor, iniciado em 1969. As peças são apresentadas pelo Comitê de Escultura do Fundo para Park Avenue e o Departamento de Parques e Recreação de Nova York.

    “A ideia é um grande vento que se desloca de um lado para outro na avenida. É ele que cria as formas, ou sopra as formas, e as deixa na sua esteira”, disse Aycock, uma artista intensa e aguerrida que é também uma espécie de dervixe.

    Como é de praxe com obras públicas, nem todo o mundo as aprecia. “Não me importo de ocuparem tanto espaço, mas preferia um arranjo de flores – alguma coisa natural”, disse Courtney Nelson, que passou por Maelstrom na segunda-feira, o primeiro dia útil depois de a escultura ter sido completamente instalada. “Achei horrorosa”, disse Irene Stolzer. “Não combina com a Park. Ela me lembra aquelas rosas de papel em Chinatown.” Os defensores também foram incisivos, “Ela quebra a monotonia do centro”, disse Eric Rolfsen. “A arte pública tem de ser grande – isto é Nova York.”

    Aycock já enfrentou uma opinião pública dividida anteriormente, como em sua escultura de 1992 que sugere uma antena de satélite no telhado da 107ª Delegacia de Polícia em Flushing, Queens. Alguns moradores disseram que a peça lhes parecera um aparelho real de vigilância. (Não é – a escultura pretende simbolizar a comunicação entre a polícia e a comunidade).

    Mais recentemente, Aycock acertou uma disputa legal com os operadores do Terminal 1 do Aeroporto Kennedy. Eles queriam desmontar sua enorme obra Star Sifter, terminada em 1998. No ano passado, eles fizeram um acordo pelo qual ela reconfigurou a peça que foi deslocada para outro ponto do terminal. “Eu sou dura na briga quando é preciso”, disse Aycock. “É isto que eu faço, é isto que eu sou, e se você tirar isso, eu simplesmente evaporarei. Em outras palavras, esta é a minha identidade.”

    Aycock, cujos trabalhos estão na coleção do Museu de Arte Moderna e no Museu Whitney de Arte Americana, fez nome criando um híbrido de arquitetura e escultura. Mas sua obra evoluiu de bordas mais ásperas a uma pátina mais brilhante, com referências celestiais e, com frequência, um aspecto de Construtivismo Russo vertical como a torre não construída de Vladimir Tatlin, Monumento à Terceira Internacional, que ela citou como uma obra influente.

    “Eu admiro o fato de ela continuar combativa e não ficar parada”, disse Adam D. Weinberg, diretor do Whitney Museum. “Esta é a marca de um grande artista.” Aycock, instalada no SoHo, cresceu em Harrisburg, Pensilvânia. “Ela teve um pai no ramo da construção, que construiu coisas enormes”, disse Robert Hobbs, que leciona história da arte na Virginia Commonwealth University, e é o autor de Alice Aycock: Sculpture and Projects. / TRADUÇÃO DE CELSO PACIORNIK

    “O espaço público como galeria de arte”. Jornal O Estado de São Paulo, 23 de março de 2014.

    Foto: Ozier Muhammad

     
  • MuBE Virtual 20:48 on 20/03/2014 Permalink | Reply
    Tags: fundação cartier, museu de arte moderna, ron mueck, still life   

    MAM Rio recebe o hiperrealismo de Ron Mueck 

    Abriu hoje, ao grande público, a exposição “Still Life” no Museu de Arte Moderna do Rio de Janeiro. Com curadoria assinada por Hervé Chandès e Grazia Quaroni (diretor e curadora da Fundação Cartier de Paris, respectivamente), a expo exibe a obra de Ron Mueck, artista australiano radicado em Londres.

    Não é de hoje que Mueck trabalha com a tridimensionalidade; produzia bonecos e animatronics para a TV, e posteriormente,  trabalhou também para agências de publicidade e para a indústria do cinema. No filme “Labirinto”, dirigido por Jim Henson, é possível conferir alguns de seus trabalhos naquela época.

    As esculturas de sua fase atual impressionam e magnetizam o observador por motivos diversos. A pesquisa cromática e a texturização de órgãos, verossímeis ao corpo, são impactantes à primeira vista. A ruptura da formalidade, em Mueck, se dá por um lado na dimensão dos objetos, e por outro, na expressividade figurativa.

    A maior parte da produção de Mueck é colossal, e isso não é diferente com as esculturas enormes que o MAM abriga hoje. Apenas uma das nove peças que estão no museu tem tamanho inferior ao do corpo humano.

    O toque mais pessoal de sua criação, contudo (e o que provavelmente lhe difere de outros hiperrealistas), reside na singeleza e introspecção de seus personagens. Alguns com expressões de grande serenidade, outros, com postura quase existencialista; todos, porém, muito expressivos, providos de temperamento, por uma combinação harmoniosa entre os estudos de gesto, de postura, posição e interação com o espaço. A intimidade de Mueck com a linguagem cinematográfica – extremamente exigente em caracterizações e composição – no passar do tempo, deve ter lhe presenteado com o perfeccionismo da técnica.

    Mueck amplia as suas representações, colocando-as à altura dos sentimentos que exprimem. Brinca com as percepções de quem passeia por suas obras: ser colocado perante objetos inanimados, mas de físico marcante e emocionalmente carregados, chega a ser desconcertante. Nesta altura, o visitante já mergulhou completamente em sua obra.

    "Boy", com 5 metros de altura, exibida na Bienal de Veneza de 1999

    "Boy", com 5 metros de altura, exibida na Bienal de Veneza de 1999

    A exposição Still Life, que vem da Fundação Cartier, já passou também pelo PROA em Buenos Aires e ficará no Rio até 01 de junho de 2014.

    Para conhecer mais esculturas, clique aqui.

    Texto: Luna Recaldes/Foto: Marcos Arcoverde

     
  • MuBE Virtual 14:12 on 12/03/2014 Permalink | Reply
    Tags: brusque, roteiro das esculturas, santa catarina   

    Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte 

    Brusque, Santa Catarina

    Quinze novas obras de arte passaram a fazer parte do Roteiro das Esculturas desde a última semana. As peças foram lavadas e transportadas a diferentes bairros da cidade em uma ação coordenada pelo Departamento Geral de Infraestrutura e já podem ser conferidas pela comunidade. Dentre os pontos que passam a fazer parte do roteiro estão o Fórum, Praça da Limeira, ATI do Planalto, entre outros.
    Antes de serem transportadas, as peças recebem todo o cuidado necessário para garantir o acesso das pessoas à arte e disponibilizar mais um atrativo aos turistas que visitam a cidade. Todas as obras estão dispostas sobre bases de concreto e em locais de fácil acesso da comunidade – como praças, parques, órgãos públicos e outros pontos de grande circulação.
    A iniciativa da Prefeitura de Brusque proporciona para a comunidade a democratização da cultura, contribui com o paisagismo da cidade e disponibiliza mais atrativos aos turistas que visitam o município. Ao todo, o Roteiro das Esculturas será composto por 66 peças dispostas em diferentes espaços para constituir um novo atrativo turístico para moradores e visitantes, abrangendo vários pontos do território brusquense.

    Confira a relação dos locais que receberam as obras

    Fórum
    ATI Nova Brasília
    Praça 1º de Maio
    Praça em frente ao Saragoça
    Ponte do Trabalhador
    Rotatória São Leopoldo
    UBS Limeira
    Praça Limeira
    Praça Ciro Gevaerd
    ATI do Planalto
    Praça da Azambuja, em frente ao hospital
    UBS Santa Terezinha
    Rotatória da Santa Rita
    Unifebe

     

    Fontes: EDUARDO PEREIRA. “Roteiro das Esculturas recebe quinze novas obras de arte”. Prefeitura Municipal de Brusque, 24 de fevereiro de 2014.

     
  • MuBE Virtual 15:36 on 24/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: sandra brecheret, victor brecheret   

    Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo 

    Pesquisadora já doou 12 trabalhos do escultor para instituições internacionais interessadas em perpetuar o legado dele

    Doar para divulgar. E divulgar para preservar. Se depender dos interesses da escritora e pesquisadora Sandra Brecheret Pellegrini, a obra de seu pai, o escultor Victor Brecheret (1894-1955), será cada vez mais pública, conhecida e acessível. Nos últimos anos, ela vem doando para instituições de todo o mundo itens de seu pai que integram sua coleção pessoal. No total, 12 Brecherets já foram espalhados assim. E ela quer mais.
    “Pretendo doar sempre obras de meu pai. Basta que a entidade que receba dê prestígio e respaldo a Brecheret de forma eterna”, diz Sandra. Recentemente, por exemplo, a escultura Portadora de Perfume, de 1924, foi incorporada ao acervo do Senado da França e instalada em área restrita anexa ao Jardim de Luxemburgo, em Paris.

    É simbólica a volta da escultura a Paris. Feita em uma das longas passagens do escultor pela capital francesa, a obra foi premiada no Salão de Outono de Paris, em 1924. “A decisão (de fazer as doações) é minha. É uma forma de retribuir ao Brecheret e à imagem dele tudo aquilo que ele me deu”, comenta Sandra. Não é pouca coisa. Além do valor sentimental, uma obra do famoso escultor costuma ser bem cotada no mercado.

    Para fins de seguro, o Senado francês avaliou em 390 mil a Portadora – o equivalente a quase R$ 1,3 milhão. “Ele me deu um nome tão bonito, uma glória tão bonita, que estou pessoalmente deixando seu legado a instituições sérias que vão perpetuá-lo”, completa Sandra. “Nós passamos, a arte fica.”


    Acervo pessoal. À frente da Fundação Escultor Victor Brecheret, Sandra já publicou 11 livros sobre a vida e a obra de seu pai – alguns podem ser baixados, de graça, em http://www.victor.brecheret.nom.br.
    Ela afirma que ainda tem, em sua coleção particular, “dezenas” de obras assinadas pelo pai – recusa-se a especificar o número. “E estou aberta a conversar com instituições interessadas nas obras”, diz. “Minhas condições são sempre avaliando a maneira como a obra vai ser mostrada, porque o que não quero é que uma escultura de Brecheret acabe em um porão qualquer”, declara.
    Essas tratativas podem levar até três anos. E foi assim que São Francisco, de 1948, acabou na sede do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), em Washington, no ano 2000. Ou que Bailarina, de 1928, foi incorporada ao acervo da Câmara dos Deputados, em Brasília (confira ao lado a lista completa das doações).
    Aniversário. No próximo sábado, são comemorados 120 anos do nascimento de Victor Brecheret, que acabou se consagrando como o escultor de São Paulo. Nascido na italiana Farnese, emigrou para o Brasil e aqui se tornou referência do movimento Modernista. No início da década de 1920, ganhou uma bolsa de estudos do governo paulista e foi estudar em Paris.
    São do escultor diversas obras públicas em São Paulo. A mais conhecida, sem dúvida, é o Monumento às Bandeiras – chamado popularmente de “deixa que eu empurro” ou “empurra-empurra” -, próximo do Parque do Ibirapuera.
    Mas também são de Brecheret o Monumento ao Duque de Caxias, na Praça Princesa Isabel, e o Fauno, no Parque Tenente Siqueira Campos (Trianon), entre outras.

     

    Fontes: EDISON VEIGA. “Filha de Brecheret espalha obras do pai pelo mundo”. Jornal O Estado de São Paulo, 15 de fevereiro de 2014.

    Foto: Sergio Castro/Estadão

     
  • MuBE Virtual 14:07 on 21/02/2014 Permalink | Reply
    Tags: apolo, bronze, , hamas   

    Hamas confisca estátua de Apolo 

    Perdida há séculos, uma estátua do deus grego Apolo reapareceu misteriosamente na Faixa de Gaza, mas logo foi apreendida pela polícia e sumiu. A notícia aguçou a imaginação de arqueólogos do mundo todo, mas ninguém sabe se o bronze de tamanho natural poderá ser exibido.

    Joudat Ghrab, um pescador local de 26 anos, diz ter retirado a imagem de 500 quilos do fundo do mar em agosto. Ghrab conta ter visto uma forma humana deitada em águas pouco profundas, a cerca de 100 metros da praia. No começo, achou que fosse um corpo queimado, mas quando mergulhou, viu que era uma estátua.

    Com a ajuda de parentes, ele levou quatro horas para levar o tesouro até a praia e arrastou o Apolo até sua casa em uma carroça puxada por um burro. Sua mãe “quase morreu de susto” ao ver o deus grego nu e exigiu que as partes íntimas fossem cobertas. Ghrab cortou um dos dedos e o levou a um especialista em metais, achando que poderia ser ouro. Sem que ele soubesse, um dos seus irmãos cortou outro dedo querendo pesquisar por conta própria.

    Pouco depois, membros da família que pertencem a uma milícia do Hamas tomaram a estátua e, em seguida, ela apareceu à venda no eBay por US$ 500 mil. O problema era a mensagem abaixo, que dizia que o comprador deveria buscar o Apolo em Gaza, que está isolada por um bloqueio israelense.

    Assim que a notícia se espalhou, autoridades do Hamas ordenaram o confisco do Apolo. Para a grande frustração dos arqueólogos, nenhum especialista analisou a imagem, que apareceu apenas em algumas fotografias mal feitas, enrolada em um cobertor dos Smurfs.

    Para Jean-Michel de Tarragon, historiador da Escola Arqueológica de Jerusalém, a estátua foi fundida entre os séculos 5.º e 1.º a.C. “Ela é única e não tem preço. Seria como tentar estabelecer o preço da Monalisa, do Louvre”, disse. Autoridades de Gaza disseram que a estátua não será mostrada ao público enquanto não for concluída uma investigação criminal para apurar quem tentou vendê-la. Museus do mundo inteiro já entraram em contato com funcionários do governo local para ajudar na restauração do Apolo.

    Fontes:

    “Hamas confisca estátua de Apolo”. Jornal O Estado de São Paulo, 12 de fevereiro de 2014. Página consultada em 21 de fevereiro de 2014.

     

     
  • MuBE Virtual 13:46 on 27/01/2014 Permalink | Reply
    Tags: Andre Prinsloo, coelho, , Nelson Mandela   

    Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela 

    JOHANESBURGO – Um coelho de bronze dentro da orelha de uma estátua do líder antiapartheid Nelson Mandela está provocando debate na Africa do Sul.

    O governo ordenou aos escultores que retirem imediatamente o animal da obra inaugurada após a morte de Mandela, no centro de Pretória, enquanto vários sul-africanos defendem a presença do simpático roedor na entrada do ouvido do herói nacional.

    “Coelho” na língua afrikaans – falada originalmente por colonos holandeses – é “haas”, que também significa “rapidez”. Os escultores colocaram o animal para reclamar que foram obrigados a fazer rapidamente a estátua de nove metros de Mandela, que desde o dia do enterro do ex-presidente – 16 de dezembro – virou atração em uma praça cercada por prédios do governo, na capital.

    À rede BBC, os dois responsáveis pela estátua negaram que o coelho seja ofensivo e pediram desculpas se a família Mandela ou o governo de Pretória se incomodaram com o bichinho. Eles afirmam que, em vez disso, o animal é uma forma de deixar registrada a marca dos dois, depois que eles foram proibidos de colocar suas assinaturas na calça do ex-presidente sul-africano e obrigados a finalizar a obra em curtíssimo espaço de tempo.

    Só é possível ver o coelho com binóculos, justificou um dos artistas, Andre Prinsloo, dizendo que eles não quiseram retirar nada da obra. “Antes de erguermos a estátua, muita gente viu ela e ninguém nem reparou”, disse.

    Um porta-voz do governo criticou duramente os escultores, dizendo que é preciso remover o coelho “para restaurar a dignidade da estátua”. “Não achamos que isso é apropriado, pois Mandela nunca teve um coelho na orelha”, disse Mogomotsi Mogodiri, do Departamento de Arte e Cultura. Resta agora definir o dia da remoção.

    Mandela é comumente chamado de “pai dos sul-africanos”, uma figura cuja liderança – decisiva para enterrar as leis raciais que vigoraram até os anos 90 na África do Sul – atravessou clivagens raciais e sociais.

     

    Fontes:

    “Governo sul-africano se irrita com coelho em escultura de Mandela”. Jornal O Estado de São Paulo,  23 de janeiro de 2014. Página consultada em 27 de janeiro de 2014. 

     
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