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  • MuBE Virtual 16:06 on 22/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: Erika Verzutti, Guggenheim   

    Erika Verzutti: “Estranho humor” 

    Livro e mostras no exterior destacam o caráter sensorial da obra de Erika Verzutti

    Na faculdade de desenho industrial no Mackenzie, aos 18 anos, Erika Verzutti e as colegas pegavam o roteiro de exposições da revista Veja, como conta, e iam visitar qualquer opção em cartaz em São Paulo. Nessa época, vivia uma angústia que classifica como “coisa de classe média”: “Olhava para a arte e não sabia o que era”. “A paixão e a disposição que tinha de olhar para uma escultura de um nu meio polido de um autor desconhecido era a mesma de ver uma obra do Daniel Senise”, afirma a paulistana, hoje com 43 anos. “Isso de ficar só no sensível”, como define, é o que ela tenta reproduzir, enfim, em suas criações como artista.

    À primeira vista, as esculturas de Erika Verzutti podem parecer corpos estranhos. Em uma breve descrição, frutas, como jacas e bananas, e legumes, por exemplo, são transpostos para o bronze ou para o cimento integrando composições de uma ação escultórica que, atualmente, destaca-se em exposições em cartaz nos EUA e na Suíça. “Para além de representar, as esculturas de Erika Verzutti dão forma a sensações e fantasias – querem ser e fazer delícias e horrores”, escreve José Augusto Ribeiro no texto Um Bicho de Sete Cabeças, que abre o livro dedicado à artista, lançado recentemente pela editora Cobogó. Resume o crítico que a obra da paulistana “envolve humor, beleza, erotismo, estranhamento e violência, a uma só vez”.

    Venus on Fire

    Venus on Fire

    “Trabalho no território da falta de informação”, afirma a artista, que recusa relacionar sua produção ao terreno da ironia. Citações (“escancaradas”) da história da arte – como remissões às esculturas surrealistas de Maria Martins (1894-1973), às formas das figuras antropofágicas dos quadros de Tarsila do Amaral (1886-1973) ou a trabalhos do escultor britânico Henry Moore (1898-1986). E ela também faz referências a clichês do campo artístico – com a incorporação de pincéis e paletas, por exemplo, em suas composições escultóricas – são sua maneira de jogar com o “cômico”, o “superficial” , a “devoção” e a “livre associação”.

    As criações de Erika Verzutti podem ter um caráter mais figurativo em alguns momentos, em outros, mais abstratos – incursões geométricas -, ou até remeter a uma ancestralidade. “Um desejo mais primitivo que seja, de formas mais brutas, mais ásperas, é uma maneira de lidar hoje com a imagem contemporânea”, comenta.

    “Acho que tem mais graça olhar para uma superfície terrosa agora do que teria nos anos 1980. É um ciclo que a gente vive, uma necessidade física. Gosto de pensar que as coisas se processam mais sensorialmente”, completa. O percurso mais recente de seu trabalho pode ser contemplado na edição da Cobogó.

    Aceitação

    No sábado, 19, a artista encerrou uma mostra na Galerie Peter Kilchmann de Zurique, mas ela participa, até novembro, de uma exibição coletiva no Langmatt, em Baden, também na Suíça. Já nos Estados Unidos, o Tang Teaching Museum, instituição universitária em Saratoga Springs, cidade do Estado de Nova York, acaba de inaugurar uma exposição da brasileira com conjunto de obras realizadas em 2013.

    “É minha primeira individual em museu”, diz Erika, considerando que a “aceitação de público, crítica e mercado” de seu trabalho ocorreu, de fato, a partir de 2011, apesar de ela ter despontado no circuito na década de 1990, enquanto cursava a Goldsmiths College de Londres.

    “Os trabalhos de Erika Verzutti, imbuídos de um sentido de ritual misterioso, geralmente centram atenção para formas e ciclos encontrados na natureza”, explica o texto de apresentação da mostra no Tang, até 16 de novembro. As peças reunidas na instituição norte-americana são criadas com pedras, argila, concreto e bronze, entre outros materiais, e ficam expostas no chão e nas paredes (neste caso, já indicando uma vontade de adentrar no campo da pintura-escultura). Fizeram também parte de uma coletiva, no ano passado, no Carnegie Museum de Pittsburgh.

    Para completar o “tour” americano, duas de suas esculturas, Venus on Fire (2013) e Painted Lady (2012), estão na exposição Sob o Mesmo Sol: Arte da América Latina Hoje, em cartaz até 1.º de outubro no Guggenheim de Nova York (que as adquiriu). A mostra, com obras de outros brasileiros, vai itinerar em 2015 para o Museu de Arte Moderna de São Paulo.

    CAMILA MOLINA. “Estranho humor”. Jornal O Estado de São Paulo, 20 de julho de 2014

     
  • MuBE Virtual 15:09 on 01/07/2014 Permalink | Reply
    Tags: anish kapoor, , museu nacional de belas artes, osgemeos,   

    Museu quer expor obras apreendidas no Rio 

    Conjunto de 18 esculturas e pinturas está avaliado em R$ 10 milhões

    O Museu Nacional de Belas Artes quer expor ao público ainda este ano as 18 obras de arte apreendidas pela Receita Federal na alfândega do Porto do Rio.  Entre os quadros e esculturas, avaliados em R$ 10 milhões no total, há trabalhos de artistas brasileiros, como OsGemeos e Jorge Eduardo Guinle Filho, e também estrangeiros, como Anish Kapoor e Antony Gormley.Os quadros e esculturas foram descobertos por agentes da Receita dentro de contêineres provenientes dos EUA.
    As obras vinham misturadas às mudanças de brasileiros que estavam voltando ao País. Segundo a Receita, alguns eram cooptados nos EUA para declararem quadros, esculturas e também outras mercadorias como parte de sua bagagem, que é isenta de tributos.
    Na mudança de um amanicure brasileira, que morou por 21 anos nos EUA, foram encontradas as duas peças mais caras: uma do brasileiro Sergio Camargo, avaliada em US$ 2 milhões, e a outra do indiano/britânico Anish Kapoor. Avaliada em US$ 1 milhão, a obra veio declarada como “antena parabólica”, no contêiner.

    Obra de Sérgio Camargo

    Obra de Sérgio Camargo

    Também houve casos, segundo a Receita, em que o viajante tinha bens inseridos na bagagem sem tomar conhecimento. Ao Fantástico, da TV Globo, a manicure afirmou não saber que as esculturas estavam no contêiner que trazia sua mudança de volta ao Brasil. Questionada desde a manhã de ontem pelo Estado, a Receita Federal não informou as identidades de quem estaria por trás dos contrabandos e se tratava-se de um grupo organizado. Esclareceu somente que as obras foram adquiridas em leilões e galerias internacionais e que está investigando, além da sonegação fiscal,
    a possibilidade de ocorrência do crime de lavagem de dinheiro”. Além das obras de arte, foram apreendidas também 17 toneladas de mercadorias como móveis, eletrodomésticos e equipamentos esportivos.
    Exposição. As 18 obras estão em processo de doação para o Museu Nacional de Belas Artes (MNBA), no centro do Rio. “Esperamos que o processo seja concluído até o fim de julho. Ainda este ano, nossa ideia é fazer uma exposição provisória com as peças, todas juntas, que depois serão incorporadas ao nosso circuito expositivo permanente”, disse a diretora do MNBA, Monica Xexéo. “É um conjunto pequeno, mas extremamente expressivo, de extrema relevância nacional e internacional. Há trabalhos de sete brasileiros: além de Sergio Camargo, OsGemeos e Jorge Guinle, Juarez Machado, Beatriz Milhazes, Daniel Senise e Cildo Meireles.
    Os artistas estrangeiros são, além de Kapoor e Gormley, o chileno Ivan Navarro, os franceses François-Xavier Lalanne e Niki de Saint Phalle, o colombiano Edgar Negret, o argentino Miguel Angel Rios, o italiano Michelangelo Pistoletto, a norte-americana Barbara Kruger, o húngaro Victor Vasarely e o escocês Callum Innes.
    Em setembro, chamados pela Receita, museólogos e historiadores do MNBA fizeram a primeira vistoria às obras encontradas nos contêineres; constatada a autenticidade das peças, elas foram encaminhadas em 30 de abril ao museu para serem mais bem armazenadas.
    “Pela primeira vez, uma peça do Anish Kapoor, por exemplo, será exposta ao público como patrimônio do governo brasileiro”, disse a coordenadora técnica do MNBA, uma das responsáveis por inspecionar as obras logo que descobertas no Porto, Daniela Matera. Não é a primeira vez que uma obra apreendida pela Receita é doada ao MNBA. Em 2006,  após ser apreendida no Porto de Santos, a tela “O Caçador de Passarinhos”, de Cândido Portinari, passou a integrar a exposição do museu.

    TIAGO ROGERO. “Museu quer expor obras apreendidas no Rio”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de julho de 2014.

     
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