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  • MuBE Virtual 14:48 on 09/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: henrique oliveira, MAC USP, Transarquitetônica   

    Do moderno ao arcaico 

    Artista Henrique Oliveira cria para o MAC-USP instalação que remete a uma caverna

    Paredes de um cubo branco vão se transformando, aos poucos, em corredores de alvenaria popular; em seguida, em caminhos de taipa; até se metamorfosearem em uma caverna de tapumes. No final do percurso, estranho e labiríntico, encontram-se grandes galhos de uma árvore – a instalação Transarquitetônica, que Henrique Oliveira criou especialmente para o prédio anexo do Museu de Arte Contemporânea da USP, é um percurso de passagem do tempo, uma narrativa linear.
    “Numa ponta, você tem uma ideia de arquitetura moderna, de um espaço neutro, como um corredor de hospital, que representa o momento contemporâneo. Do outro, os galhos representam a primeira moradia do homem-macaco, anterior ao homo sapiens”, descreve o artista. Ele recusa o termo monumental para definir sua obra, mas ela é um vultoso corpo de cerca de 70 metros de comprimento pelo qual o visitante é convidado a adentrar, percorrer pela própria experiência.
    Ou, por outro lado, o espectador pode contemplar a instalação de fora, do extenso primeiro andar do espaço expositivo.
    Dali, Transarquitetônica é vista como um “objeto” orgânico “contínuo”, que parece ter-se acomodado, lentamente, na construção original do arquiteto Oscar Niemeyer, uma grande sala longitudinal branca, de 1.600 m², pontuada por 13 colunas.
    No inevitável símbolo modernista, o novo trabalho de Henrique Oliveira é mais que a criação de um corpo cavernoso,
    feito com os tapumes que já são sua técnica característica. A obra do artista, erguida durante dois meses e que consumiu
    orçamento de R$ 700 mil, ganha outras camadas, ousadas. Torna-se, também, uma reflexão sobre arquitetura, com ramificações interpretativas de ordem política, crítica.
    “É possível ver o trabalho como uma coisa que começa com um cubo branco, com esse idealismo da forma (a arquitetura branquinha para ser vista) que se liga à ideia de uma cultura que se faz na modernidade e vai se ramificando para formas de moradia populares que são a realidade”, diz Henrique Oliveira, que já tinha projeto antigo de misturar tipos de construções diferentes em uma grande instalação. “Se você pensar em Brasília, a cidade foi concebida para ser aquela coisa monumental, limpa e plástica, mas toda uma periferia foi se desenvolvendo em volta.” “O Brasil é um pouco
    isso: a distância entre os ideais e o que acontece na maior parte do País é muito grande”, continua o artista, convidado no ano passado a criar um trabalho para o anexo do MAC-USP.
    Como ele conta, já lhe foi questionado se sua escolha por usar os tapumes em suas instalações tinha como ensejo fazer menção a favelas. É verdade que as lascas de compensado descartável – “superbarato, de pouca durabilidade” – que utiliza em suas obras já podem ser consideradas um material tipicamente brasileiro. Mas, na verdade, Henrique Oliveira
    chegou a esse elemento por intermédio de sua produção como pintor.
    “Sempre tive uma atração por fazer uma pintura mais visceral ao usar amadeira”, afirma. “Os compensados eram cor-de-rosa, me lembravam pele, carne.”
    Transições. “Sou pintor que não faz só pintura. Mesmo quando o meu trabalho está nessa dimensão, em um espaço com oeste, com essa referência arquitetônica e escultórica forte, ele também tem situações pictóricas nas madeiras, cores, texturas”, expressa. Aos 40 anos, o artista já é um dos mais destacados da cena brasileira, com trajetória de alcance internacional.
    Em 2013, ele criou a instalação Baitogogo para o Palais de Tokyo, em Paris (e uma obra sua ainda está em cartaz no local), além de ter exibido suas criações, recentemente, em instituições de várias partes do mundo. “Meu trabalho funciona bem como imagem. Ele pode ser compreendido num nível profundo, mas também qualquer pessoa vem e se relaciona com a obra. Não sei se é bom ou ruim, não importa. Acho interessante que fale também ao público de uma maneira geral, não é cifrado, é uma coisa mais democrática”, analisa Henrique Oliveira.

    CAMILA MOLINA. Do moderno ao Arcaico. Jornal o Estado de São Paulo, 27 de abril de 2014.

     
  • MuBE Virtual 15:46 on 06/05/2014 Permalink | Reply
    Tags: davi, florença, michelangelo,   

    Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo 

    A escultura Davi, de Michelangelo, apresenta pequena rachaduras na parte inferior de suas pernas por causa de sua própria inclinação, o que pode colocar em risco a integridade da peça-chave do Renascimento italiano. É o que revelou estudo realizado pelo Conselho Nacional de Pesquisa da Itália em parceria com a Universidade de Florença.

    Os analistas indicam que a inclinação da obra, de 5 graus, é a causa do dano no mármore, em seus tornozelos. O estudo também observa que a escultura, com “seu inestimável valor”, foi submetida a testes frequentes ao longo dos anos e tais rachaduras são notadas desde meados do século XIX.

    Apesar de as rachaduras estarem presentes em ambas as pernas e no tronco, são apenas perceptíveis a olho nu no tornozelo esquerdo e na lateral direita do tronco. Um dos pesquisadores, Giacomo Corti, disse que que a inclinação foi causada pela falta de uniformidade do pódio no qual a escultura permaneceu entre 1504 e 1873, período em que se manteve ao ar livre em frente ao Palazzo Vecchio, em Florença.

    A escultura retrata o herói bíblico Davi, no momento em que se prepara para enfrentar Golias e é feita de mármore branco, com 4,10 metros de altura. Ela foi encomendada por Michelangelo, encomendado pela Opera del Duomo, responsável pela Catedral de Florença. Nos últimos anos Davi é objeto de várias limpezas e análises, além de ter a propriedade disputada pelo governo da Itália e a Catedral. (Com informações da EFE)

    “Estudo detecta rachaduras em escultura de Michelangelo”. Jornal O Estado de São Paulo, 01 de maio de 2014.

    Imagem: Site Cabeça de Cuia

     
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