Minimalismo perde a arte de Walter de Maria 

Morreu ontem, aos 77 anos, o escultor norte-americano, presente na Bienal de Veneza com uma sala especial

Walter de Maria era um tipo recluso, monossilábico. Odiava dar entrevistas e gostava ainda menos de ser fotografado. Não fazia a mínima concessão para ser exposto em museus. Ainda assim, os maiores do mundo têm obras suas. Só o Guggenheim de Nova York tem quatro delas, dos anos 1960. As grandes mostras, de Kassel à  Bienal de Veneza (em cartaz até novembro), faziam questão de sua presença. Um dos melhores artistas do movimento minimalista, além de precursor da land art, Walter de Maria morreu ontem, aos 77 anos, de um acidente vascular cerebral. Vai fazer falta. Como diz o curador da Bienal de Veneza, Massimiliano Gioni, a instalação que montou na mostra italiana – cilindros de latão dispostos no chão do Arsenale–é uma resposta silenciosa ao “ruído da era da informação, que festeja a pureza muda e gélida da geometria”.
Nem sempre foi assim.No começo de sua carreira, nos anos 1960, Walter de Maria era até muito barulhento. Saiu de Albany, na Califórnia, e fixou residência em Nova York, onde fez experiências dadaístas – como suas Caixas para um Trabalho sem Sentido (1961), em que convidava o espectador a transferir o conteúdo de uma caixa para outra.Em 1965, De Maria ainda gostava de agitação. Tocava bateria num conjunto chamado The Primitives, ao lado de Lou Reed e John Cale. Fez filmes sem muita repercussão, além de poucas e inexpressivas pinturas, logo descobrindo a escultura.  Felizmente.  Foi o começo de uma silenciosa e bela carreira.
Sua obra mais conhecida é The Lightning Field, projeto de land art instalado no Novo México (1977). São 400 postes metálicos dispostos numa região desértica, que funcionam como para-raios e proporcionam uma visão epifânica aos espectadores, sendo o mais famoso Cormac McCarthy. O escritor recorre a essa imagem no epílogo de Blood Meridian, romance sobre caçadores de escalpos ambientado no século 19. Outra obra insólita é New York Earth Room (1977), um oclusivo quarto coberto com terra, recriado em galerias e museus.

(Fonte: FILHO,  Antônio Gonçalves. Minimalismo perde a arte de Walter de Maria. O Estado de São Paulo, São Paulo, 27 jul. 2013. Caderno 2, p. 10)