Doris Salcedo tem obras expostas na Pinacoteca 

Uma artista política, sem medo de retratar a violência em suas obras, a colombiana Doris Salcedo inaugura em 8 de dezembro uma exposição que deve ficar até 3 de fevereiro de 2013 na Pinacoteca de São Paulo.

Nela, destaca-se a instalação Plegaria Muda (Prece Muda), uma referência à morte replicada em 120 peças de uma composição, na qual mesas sobrepostas umas às outras têm entre o meio um pouco de terra, onde crescem plantas, representando a fragilidade da vida.

Doris, que nasceu e vive em Bogotá, prefere ser vista como uma “artista de uma zona periférica”, porque referencia as vítimas da sociedade – não só de seu país, mas de qualquer cidade contemporânea “subdesenvolvida”. Fala de tantos colombianos que morreram em guerrilhas, mas também daqueles que ainda morrem por injustiças sociais, anonimamente e de forma brutal.

Aos 54 anos, já tendo se tornada uma das mais consagradas artistas latino-americanas no mundo, ela possui trabalhos exibidos em museus renomados, como o MoMA e a Tate Galery em Londres. Contudo, diz não se interessar pelo supervalorizado mercado artístico mundial.

“Penso que a arte, em geral, nomeia elementos ou objetos que são importantes para uma determinada sociedade em um determinado momento histórico. Uma vez que a arte os assinala,
os representa, a sociedade os absorve. Sendo uma escultora, que trabalha com objetos, vivendo
numa sociedade como a colombiana, país das mortes ocultas, penso que o mais importante para definir nossa sociedade era a fossa comum. É um elemento que nos obriga a olhar onde não queremos olhar”, afirma a artista, em entrevista ao jornal O Estado de S. Paulo.

(Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Divulgação)