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  • MuBE Virtual 10:51 on 26/07/2012 Permalink | Reply  

    Além dos muros da arte 

    Qual a medida das manifestações artísticas? A quantidade de pessoas que usufruem uma obra, ou sua capacidade de despertar e instigar novos sentidos? De que maneira a arte pode ultrapassar os muros das instituições e realmente causar algum impacto na sociedade?

    Recentemente, o jornal O Estado de S. Paulo publicou uma matéria sobre a criação de alternativas para a arte pública. Usando como gancho uma premiação na China voltada ao incentivo de artistas, a jornalista Camila Molina trouxe a discussão para o caso paulistano e conversou com diversos lados da questão para mostrar de que maneira as cidades podem incorporar as obras de arte nas ruas como forma de diálogo com seu público.

    Nesse sentido, ainda estamos engatinhando rumo às várias possibilidades que poderiam ser exploradas pelos artistas brasileiros. “Um desafio da arte pública é estar diretamente em contato com o público, sem intermédios de instituições. As cidades não são mais pensadas e elaboradas para as pessoas e sim para os carros e grandes empreendimentos imobiliários”, afirma o artista goiano Márcio Mendanha de Queiroz, conhecido como Kboco.

    Os entraves para a criação artística não se encontram somente na ocupação dos espaços. A falta de conservação das obras já existentes, ou melhor, a tão comum ausência de políticas públicas para preservar esse patrimônio, é um dos maiores problemas.

    Conceituados artistas como José Resende, cuja obra Olhos Atentos é um marco de Porto Alegre, e Frans Krajcberg, que criticou o governo municipal de Curitiba pelo descaso às suas esculturas no Jardim Botânico da cidade, são levados a enfrentar verdadeiras batalhas pela simples manutenção da dignidade de seu trabalho. São também obrigados a conviver com a arte ameaçada, deturpada, violada e desrespeitada.

    Se com profissionais consagrados a situação já é difícil, que dirá com aqueles que lutam diariamente para expor seu talento nos ambientes extra-muros, nos espaços alternativos das cidades em pleno movimento, das pessoas que não param nem por um minuto para observá-los.

    Aqui entra em pauta a discussão sobre a atualidade e a validade do que é chamado de arte. Por que não dar vazão ao infinito universo de vozes que buscam ser ouvidas, de imagens que querem ser vistas e sentidas? Por que não permitir que as cidades se tornem vivas, pulsem com o vigor artístico de novas gerações, despertem os cidadãos de seu marasmo cotidiano para lhes ensinar outros olhares? Por que não?

    Está na hora de quebrar os conceitos pré-existentes sobre o que pode ser considerado artístico. Muitas manifestações não-tradicionais espalhadas pelos espaços urbanos acabam não sendo legitimizadas, embora apresentem aspectos tão sofisticados quanto as que se encontram em museus.

    O grafite, uma arte que tem conquistado algum reconhecimento em São Paulo, conseguiu sua brecha na Lei Cidade Limpa para colorir o cinza dos prédios da capital. Com autorização da Prefeitura e financiamento privado, paineis de grafiteiros quebram a monotonia da paisagem e são uma saída para artistas que ainda tentam ganhar espaço num ambiente hostil. Mas esse é o primeiro passo de uma longa caminhada pela diversificação da arte.

    Mural do brasileiro Eduardo Kobra em Los Angeles, EUA

    A ideia de que a obra artística se resume a um objeto permanente, distante do público, quase inalcançável, não condiz com a realidade em que vivemos… Dinâmica, em constante transformação, multimídia e totalmente conectada. Nesse sentido, a arte ainda precisa se adaptar aos novos tempos e aceitar o fato de que os antigos muros precisam ser derrubados. Para um mundo não apenas mais democrático, mas também muito mais criativo e inspirador.

    (Texto: Katia Kreutz) (Imagem: Enrique Castillo/Divulgação)

     
  • MuBE Virtual 11:31 on 10/07/2012 Permalink | Reply  

    Esculturas públicas: encontros com um rumor desconhecido. 

    “Índio Caçador” – João Batista Ferri. Bronze sobre pedestal de granito.

    Foto: Companhia de Restauro

     

    Visitar é também buscar um compromisso com o desconhecido. Tocar, procurar na expansão da sensibilidade tátil a verdade da obra, até então submersa.

    Como diria certa feita, Michelangelo:

     

                                       “Observei o anjo gravado no mármore, até que eu o libertei.”

     

    Vislumbrar de uma nova perspectiva, tatear.

    Provocá-las, fazê-las falar sua própria linguagem, embora a tenhamos percorrido por inúmeras vezes. Analisá-las, avaliá-las, pesá-las sob o olhar complacente e inquiridor. Vê-las suportar o peso da memória: ser forma e, ao mesmo tempo, documento. Foco de registro e reflexão.

    Ouvi-las. Dar voz às suas afirmações: um conjunto de sentidos volumétricos, geométricos e precisos produzidos pelas incisões e acréscimos em sua massa. A cor do reconhecimento, a textura da fama e do renome, de uma glória fugaz e pueril logo relegada ao esquecimento amarelado dos livros, dos compêndios, ou subjugadas sob a intempérie impiedosa e fustigante; ou então, ainda, aflitas, em posição de isolamento em sua soberba civilidade.

    As esculturas públicas, embora mergulhadas no regurgitar das multidões, são produtos de uma arte voltada à imensa minoria. Não obstante alguns artistas as tenham polido com o lustro claro dos traços simples e avistadas por centenas de milhares de pessoas ao dia, são exceções. O momento de sua fruição é um espaço atemporal muito íntimo. Embora o expectador não se porte de forma tão atormentada quanto o artista – o escultor – esse lugar é o da pose solitária. A solidão do expectador é aquela que espelha a obra, um reflexo mútuo, pois o expectador também é um solitário que a lê, que a interpreta. Esculpe, traceja, bruni e renova as formas daquilo que vê.

    E o espaço da percepção vai além do perímetro do volume ordenado sobre o pedestal. Sua presença constitui territórios e revê-las, ou visitá-las, também significa reconstruir a sua ambiência. Esse percurso cosmopolita que recria os caminhos, polvilha os passeios, no cotidiano esforço de, por intermédio da presença da arte, reestruturar a vivência urbana, povoá-la de imagens e imaginação num átimo de ajuizamento.

    Observá-las é como fiá-las no novelo da lembrança, infundir-lhes coerência e reuni-las sob o entendimento, catalogá-las diante da presença da emoção ou da indiferença.

    Aumentará o número de espectadores prontos a reverenciá-las? Elas convidam as pessoas a discursar sobre sua existência, sua presença inoportuna ou sobre o seu caráter ultrapassado e, num sentido restrito, retrógrado?

    A preocupação justifica-se, pois é o expectador quem faz a obra, quem participa diretamente de seu destino real na cidade.

    Aliás, a obra ressurge quando emerge das vozes emanadas pelo público. É esse rumor que prolonga e ecoa o tênue fio condutor do relato e reconstrói, em cúpida cumplicidade, o olhar do artista sobre o tema e o amplia sobre a superfície do território da praça, do bairro, ou da cidade compondo seus marcos referenciais. Nessa singela, porém sofisticada, escrita quantos relatos profundos e sensíveis a revelar traços singulares de homens que padecem ou vibram ao sabor da vida que recriam a cada movimento do cinzel? Porque as esculturas exigem um esforço constante, ininterrupto, em cada fruto depara-se com situações, eventos, conflitos, descrições, diálogos, um manancial de cristalizados acontecimentos. E quanto mais complexo o tema, redobrada terá de ser a atenção, sem dispersar-se. Há de se construir um mundo, centrado naquele momento, paralelo à realidade, mergulhado na alma e no pensamento.

    É neste sentido que o MuBE Virtual pretende estabelecer um diálogo entre as pessoas e as obras instaladas na cidade, de forma permanente, preocupado em aglutinar expectadores. Mais que simples expectadores: interlocutores interessados em ampliar esse universo e estendê-lo por intermédio da urdidura de uma trama sólida e objetiva. Trama essa, em que cada segmento encontre-se disposto a compartilhar memória e imaginação. Deixar de lado a perplexidade e a prostração e debruçar-se sobre as múltiplas e infindáveis interpretações que nos legaram artistas e promitentes, preocupados em aformosear as cidades e dar-lhe um significado mais humano, amplo e duradouro.

    (Texto: Sergio De Simone)

     

    Oficina: “A Escultura Paulistana na Modernidade”

     

     

    Elas estão por toda a parte, mas não as vemos. Estão sujas, tortas, faltam-lhe pedaços: são relíquias desconhecidas. Ainda que as obras de arte sejam inanimadas, objetos silenciosos, sua existência marca acontecimentos, personalidades e, claro, eterniza o trabalho de artistas.

     

    Está na hora de explorar as ruas e descobrir um pouco mais sobre a arte pública. Por isso, no mês de Agosto de 2012, o MuBE Virtual irá realizar uma oficina em São Paulo, para todos os amantes de arte e para quem quer conhecer um pouco mais da história contada pelas esculturas nas ruas da cidade.

     

     Informações:

    Com: Sergio De Simone, Katia Kreutz, Luna Rosa Lopes e Tatiana Matteoni. 

    Data: 11/08                                         

    Público: artistas, museólogos, historiadores, estudantes, gestores culturais e demais interessados.

    Inscrições: 06/07 a 10/08 – Enviar um email para:  mubevirtual@gmail.com , com NOME e RG.

    Preço: R$ 20,00 (pagamento na hora)

    35 vagas

    Nesta oficina, os participantes terão a oportunidade de redescobrir diversas praças do centro histórico de São Paulo, e conhecer mais das esculturas que se escondem entre dejetos e folhagens. Sérgio De Simone será o responsável por guiá-los e fazer um relato histórico das obras, que provêm do século XIX até meados do século XX. Primeiramente, haverá uma apresentação geral na Escola Paulista de Restauro, parceira da iniciativa. Depois, todos sairão a campo.

     

     

     
  • MuBE Virtual 14:43 on 03/07/2012 Permalink | Reply  

    Escultura em Sevilla, Espanha 

    Em uma região degradada de Sevilla, na Espanha, resolveram apostar na Arte para trazer novos ares ao bairro. Há cerca de 3 anos, foi inaugurada uma escultura bastante inovadora e interativa: além de possuir um formato bem orgânico e moderno, o público pode subir até o seu topo por um elevador e caminhar por toda sua extensão, tendo assim também um mirante de 360º de toda a cidade.

    Confira as fotos dessa colossal escultura!

     
    (Informações e fotos: Tatiana Travisani)
     
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