Quem melhor que um brasileiro para representar a arte do Brasil?

A pinacoteca do Estado de São Paulo apresenta a exposição Sérvulo Esmeraldo, com 117 trabalhos do artista, entre esculturas, pinturas em gravura, desenhos e objetos. Segundo o curador Ricardo Resende: “Essa é uma chance de rever e recolocar a obra de Sérvulo Esmeraldo dentro de um contexto nacional da arte contemporânea. No momento em que a produção do artista que ficou circunscrita por décadas no Ceará, chega a um dos principais museus do Brasil, dá-se a devida importância à obra de um dos artistas mais originais e persistentes da recente história da arte brasileira”. (Em cartaz de 18 de junho a 14 de agosto)

(fonte e imagem: Pinacoteca de São Paulo)

Sérvulo Esmeraldo é um dos principais artistas plásticos do estado do Ceará. Em 1978, quando se fixou em Fortaleza, dedicou-se à arte pública; hoje possui mais de 30 obras espalhadas pela cidade. Recentemente, a curadora, crítica de arte e esposa de Sérvulo, Doura Guimarães, fez um levantamento sobre essas obras públicas. “Ele é valorizado no seu Estado, haja visto o número de obras que tem em Fortaleza. Mas a Cidade e as instituições são responsáveis pelo seu patrimônio. É uma pena (a falta de atenção com as obras). Sérvulo fica triste em ver o estado de conservação”, lamenta.  

                     Obra de Sérvulo Esmeraldo na Beira-Mar, mantida pela Cagece: alvo constante de pichadores

(Fonte e imagem: Diário do Nordeste)

Quando se pensa em arte pública no Brasil, logo vêm em mente obras como: Cristo Redentor, Monumento às Bandeiras, Estátua de D. Pedro I, Estátua de Anhanguera, com exceção do Cristo, todas de autoria unicamente europeia. O Cristo é um caso a parte, foi realizado por uma dupla participação; Paul Landowski, escultor francês e Heitor da Silva Costa, engenheiro brasileiro. Ainda que com a participação do engenheiro brasileiro, a parte artística fora realizada pelo francês. As influências europeias no Brasil foram fundamentais para nossa formação cultural, além disso, esses renomados artistas foram como “professores”, possibilitando a formação da autonomia artística brasileira. Ainda há um grande estereótipo de que o que vem de fora é melhor, e é nesse sentido que artistas como Sérvulo contribuem para nossa formação artística, e tem um importante papel no que diz respeito a nossa produção artístico-cultural nacional.

(Texto: Tatiana Matteoni)