Iracema tatuada

“’É uma tatuagem. Estilo tribal’, brinca um passante sobre a pichação que toma a barriga da índia Iracema, na lagoa de Messejana.”

Esse é um trecho da notícia publicada no Jornal “O Povo”, de Fortaleza, no fim de março.  A Iracema referida no texto é uma bela estátua de 12 metros de altura, que possui dez placas temáticas para contar sua história, ao redor do espelho d´água onde se encontra.
Símbolo de Fortaleza, fruto do imaginário de José de Alencar, há 5 estátuas de Iracema espalhadas pela capital cearense. Contudo, a referida do Lago Messejana parecia estar nas piores condições. Ano passado, além da sujeira e da pintura desgastada, a bomba d’água que banhava a personagem e a lança que estavam em uma de suas mãos chegaram a ser roubadas. Há cerca de 3 meses, a obra foi entregue após uma restauração, provinda da iniciativa privada; hoje, já se vêem várias pichações na estátua.

Não faz tempo que o MuBE Virtual trouxe, aqui no blog, a temática da depredação do patrimônio público. E assim como o roubo, a pichação também é crime; na busca de soluções, é necessário pensar em medidas e políticas públicas. Segundo a mesma matéria, “A Secretaria Executiva Regional (SER) VI informou que o pelotão da Guarda Comunitária irá reforçar a ronda no local para coibir outras ações de vândalos”. Mas “flagrar o autor da pichação é a maior dificuldade”.

E quanto ao cerne da problemática, que se concentra nos motivos reais que impelem as pessoas a ter tal postura – e assim, depredar o que é próprio delas? Aí está uma questão a ser pensada mais profundamente.

(Texto: Luna Recaldes) (Imagem: Panoramio de Rubens Craveiro)